11 agosto 2026

Heineken Wobo - Garrafa Quadrada




Antes que o conceito de sustentabilidade fosse difundido pelo mundo, o holandês Alfred Heineken já visualizava estratégias para dar novas utilidades às garrafas de cerveja após a bebida ser consumida. A opção sugerida por ele era que elas fossem feitas no formato de tijolos, para serem reaproveitadas na construção civil.

A ideia surgiu, em 1960, quando Heineken durante uma turnê mundial às fábricas da Heineken estava na ilha de Curaçao, no Caribe, e viu muitas garrafas espalhadas pela praia devido ao fato de que a ilha não tinha meios econômicos de devolver as garrafas às fábricas de onde vieram. Ele também ficou preocupado com a falta de materiais de construção acessíveis e as condições de vida inadequadas que assolavam a classe baixa de Curaçao.

O empresário considerou esses dois pontos e procurando uma solução para esses problemas, contratou o arquiteto holandês John Habraken para projetar o que ele chamou de "um tijolo que contém cerveja". A ordem foi "Faça uma garrafa de cerveja que possa servir como um tijolo quando estiver vazia".

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Uma garrafa de cerveja em pé é, surpreendentemente, à altura do que se espera dela, suportando 50 kg por centímetro quadrado. Mas as garrafas não são empilhadas verticalmente com facilidade. Colocados de lado, porém, elas partem-se com muita facilidade. A solução de Habraken foi desenvolver garrafas empilháveis do tipo Chianti verticalmente, com gargalos longos e lados rebaixados que se encaixavam e se apoiavam. Foi um compromisso brilhante, mas o departamento de marketing da Heineken rejeitou-o como “afeminado”, uma descrição curiosa, considerando que a garrafa consistia em dois compartimentos bulbosos encimados por um longo eixo. Podemos apenas presumir que Habraken não previu por que os homens de Curaçao não queriam levar isso até seus lábios.

Então Habraken passou para posição horizontal. O seu próximo projeto foi para uma garrafa retangular grossa, muito mais próxima da noção original da Heineken de um tijolo que continha cerveja. O fundo tinha covinhas em um padrão idêntico ao gargalo atarracado da garrafa, de modo que o topo de uma garrafa se encaixasse no fundo da próxima. As laterais tinham uma superfície protuberante, para facilitar a fixação e a aplicação de argamassa. Ainda assim, havia algumas desvantagens: o vidro tinha que ser engrossado para a orientação horizontal desfavorável e seus cantos mais "quadrados" a tornavam mais suscetível de partir durante o transporte.

Nos três anos seguintes, o Heineken WOBO (WOrld BOttle) passou por um processo de design. Alguns dos primeiros designs eram de garrafas interligadas. A ideia surgiu da crença de que a necessidade de argamassa adicionaria complexidade e despesas à simplicidade e acessibilidade da parede da garrafa. Alguns projetos provaram ser materiais de construção eficazes, mas muito pesados e de moldagem lenta para serem produzidos economicamente. Outros designs foram rejeitados pela Heineken com base em preferências estéticas. No final das contas, a garrafa escolhida foi um compromisso entre os designs anteriores.


O frasco foi projetado para ser ligado entre si, colocado horizontalmente e colado com argamassa de cimento com aditivo de silicone. As garrafas eram realmente capazes de exercer a função dos tijolos. Com mil Wobos era possível construir um abrigo de 33 metros quadrados.

No ano de 1963, foram produzidos 100.000 WOBOs, em dois tamanhos, 350 e 500 mm. Esta diferença de tamanho foi necessária para a colagem das garrafas na construção de uma parede, da mesma forma que o meio tijolo é necessário na construção com tijolos.

A ideia foi bastante inovadora, no entanto não teve continuidade. Hoje elas são consideradas relíquias, encontradas apenas nas mãos de colecionadores. Infelizmente a maior parte delas foram destruídas e não restam garrafas.

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Existem apenas duas estruturas WOBO e ambas estão no museu da marca em Amsterdã. propriedade da Heineken em Noordwijk, perto de Amsterdã. O primeiro é um pequeno barracão que tem um telhado de chapa metálica zincada e suportes de madeira onde o construtor não conseguia descobrir como resolver a junção entre gargalos e bases que corriam na mesma direção. Mais tarde, uma garagem dupla de madeira foi renovada com tapume WOBO.

Alfred Heineken não desenvolveu mais o conceito WOBO e a ideia nunca teve a chance de se materializar. Rinus van den Berg, um designer industrial e arquitetônico holandês projetou vários edifícios enquanto trabalhava com John Habraken nos anos 1970. Um projeto foi publicado na Domus 1976.

O interesse reacendeu-se em 1975, quando Martin Pawley publicou Garbage Housing, que incluía o capítulo 'WOBO: um novo tipo de mensagem numa garrafa'. A Heineken mais uma vez abordou Habraken, que se juntou ao designer Rinus van den Berg e projetou um prédio com tambores de óleo para colunas, tampas de ônibus Volkswagen para telhado e garrafas WOBO para paredes, mas a estrutura nunca foi construída.

08 agosto 2026

Os Cavalos Guiness



O final do século dezoito viu a conclusão do Grande Canal em Dublin, juntando-se ao Rio Liffey e ao Rio Shannon. O Shannon é o principal rio da Irlanda, que atravessa onze condados. Isso significava que o Guinness Stout poderia ser disponibilizado fora de Dublin pela primeira vez. Cavalos foram usados para rebocar barcaças contendo barris de madeira de stout ao longo do rio, bem como trazer matérias-primas para a cervejaria.


A St James’s Gate, Cervejaria Guiness, mantinha sua própria equipe de cavalos, com cocheiras situadas no centro do complexo. Os cavalos da Guinness pertenciam a raças de grande porte destinadas à tração, e cada animal recebia um nome próprio. Entre eles estavam William, Roy, Cecil e Bruce. Ocasionalmente, os cavalos eram nomeados em pares; a cervejaria tinha seus próprios "Orgulho e Preconceito", "Trovão e Relâmpago" e "Rima e Razão".


Uma equipe de condutores de carroças de carga (carroceiros) foi contratada pela cervejaria para cuidar dos cavalos e operar os veículos. Eles ganhavam, no início do século XIX, 19 xelins (€ 1,41) por semana valor que subia para 21 xelins (€ 1,55) semanais após um ano de trabalho. Um conjunto especial de diretrizes foi elaborado para garantir que os cavalos recebessem cuidados da mais alta qualidade. Inspeções eram realizadas 12 vezes ao ano, e prêmios eram concedidos aos condutores cujos cavalos estivessem mais bem cuidados.


Os cavalos eram cuidados diariamente, com atenção especial às patas, orelhas e cascos. Eram alimentados e recebiam três refeições de alta qualidade por dia, além de um agrado à noite aos sábados. Os cavalos da Guinness participavam regularmente de desfiles e competições. Havia um registro para cada cavalo, documentando seu tempo de serviço e se haviam conquistado prêmios.


A Guinness vendeu sua frota de cavalos em 1932, optando, em vez disso, por alugar cavalos de terceiros, da empresa Richardson. O último cavalo foi utilizado pela cervejaria em 1960, encerrando a era dos cavalos na Guinness.

A Cerveja Guiness e o Guiness Book



A Cerveja Guiness


A Guinness é uma marca de cerveja irlandesa que começou sua história exatamente no dia 31 de dezembro de 1759 no coração da cidade de Dublin, em St. Jame’s Gate, onde o protestante Arthur Guinness alugou de uma família inglesa uma fábrica e os terrenos que a circundavam por míseras 45 Libras (£45) ao ano (incluindo o fornecimento de água), em um contrato de arrendamento de 9 mil anos (a maior barganha imobiliária desde que o explorador holandês Peter Minuit adquiriu Manhattan por meros US$ 24), iniciando assim a produção de suas próprias cervejas.



Lançadas inicialmente no mercado com os nomes de Guiness Porter e Guiness Ale. Uma década mais tarde o primeiro carregamento da cerveja era enviado à Inglaterra através de uma caravela. Apesar disso, somente em 1794 a cerveja começaria a ser consumida regularmente na cidade de Londres. Pouco depois, em 1799, Arthur resolveu encerrar a produção da cerveja Guiness Ale para se concentrar na fabricação da Porter.

Em 1802, a cervejaria lançou a Guiness Foreign Extra Stout, cerveja produzida primeiramente em Dublin e destinada ao mercado exterior na época. Com isso, o primeiro carregamento da cerveja foi exportado para as Índias Ocidentais. Essa cerveja, ainda hoje, é extremamente popular na África, especialmente na Nigéria, Gana, Quênia e Camarões. No ano seguinte, com a morte de Arthur aos 78 anos, seu filho, Arthur Guinness II, assumiu o comando da cervejaria e expandiu as exportações para Barbados e Trinidad e Tobago no Caribe. Já em 1815 a marca Guiness era conhecida em boa parte do continente europeu. Segundo uma lenda a cerveja ajudou na recuperação de oficiais da cavalaria feridos durante a batalha de Waterloo, aumentando assim a mística em volta da marca.

Em 1820, a cervejaria lançou a Guiness Extra Stout, cerveja mais próxima da original produzida pela primeira vez em 1759. Esta cerveja foi praticamente absorvida com o lançamento da Guiness Draught, respondendo por apenas 5% das vendas da cervejaria nos dias de hoje. Em 1827 Guiness foi exportada para o pequeno país de Serra Leoa, então colônia britânica, sendo a primeira vez que a cerveja ingressava no continente africano. Pouco depois, em 1833, a empresa se tornou a maior cervejaria da Irlanda. No ano seguinte, a cerveja começou a ser engarrafada em embalagens de vidro, que substituiu a porcelana. Em 1840, o primeiro carregamento da cerveja foi enviado para a cidade de Nova York.

      


Até o início do século XX, a Guinness fornecia sua stout em grande quantidade para empresas de engarrafamento e proprietários de pubs, que a transferiam de barris de madeira para garrafas. Cada engarrafador ou dono de pub usava seu próprio rótulo, resultando em um mosaico de nomes e designs.

Para proteger a marca à medida que a Guinness expandia para o exterior, a empresa criou seu próprio rótulo de garrafa em 1862, foi o primeiro passo rumo a uma identidade visual unificada. O rótulo era impresso e fornecido diretamente aos engarrafadores autorizados, que concordaram em vender "nenhum outro brown stout em uma garrafa." Esse era o controle inicial da marca na prática, garantindo que ninguém pudesse passar outro stout como Guinness.

Os rótulos são mundialmente conhecidos pela icônica harpa dourada que foi adotada em 1862, como símbolo e foi inspirada na Clarsach de Brian Boru (também conhecida como a Harpa O’Neill do Trinity College) é uma famosa harpa céltica medieval de cordas de metal guardada no Trinity College Dublin, na Irlanda, mas voltada para a esquerda para não confundir com o brasão de armas da Irlanda. Embora leve o nome do Grande Rei Brian Boru, o instrumento foi construído no século XIV ou XV, cerca de 400 anos após a morte do rei em 1014 e pela assinatura de Arthur Guinness, tendo sido registrada como marca em 1876. A marca possui uma identidade visual clássica que evoluiu ao longo dos anos, mantendo o fundo preto ou creme e estampando diferentes variações de suas famosas cervejas stout.

No final desta década, em 1868, o tamanho da cervejaria dobrou para mais de 50 hectares e se espalhou para o norte do rio Liffey, onde foram construídos novos prédios que eram ligados por uma malha ferroviária. Quase 20 anos depois a St. Jame’s Gate foi considerada a maior cervejaria do mundo com produção anual de 1.2 milhões de barris. Por manter sempre um rigoroso foco na qualidade de sua produção, mesmo durante todo o período de expansão, a Guiness tornou-se em 1908 a cerveja mais consumida do mundo. Dois anos mais tarde, aproximadamente 50% do volume de Guiness vendido nos Estados Unidos já era engarrafado localmente.

Em 1936 se tornou a primeira cervejaria com filial fora da Irlanda, construída no Park Royal, em Londres. Pouco depois, no ano de 1939, em plena Segunda Guerra Mundial, a Guiness enviou uma garrafa de cerveja para cada soldado britânico em combate na França para comemorar o Natal. Finalmente em 1958, a cervejaria lançou o que se tornaria seu maior ícone: a Guiness Draught, cerveja preta ou escura, introduzida primeiramente na Inglaterra, e somente dois anos depois na Irlanda, se tornando a cerveja escura mais consumida do Reino Unido. Foi a primeira cerveja nitrogenada do mundo. Hoje em dia esta cerveja representa aproximadamente 55% das vendas de toda a cervejaria.

Em 1962 foi inaugurada na Nigéria, localizada na cidade de Lagos, a primeira cervejaria da marca fora da Grã Bretanha. No ano seguinte a cerveja começou a ser produzida na Austrália e, em 1965, na Malásia, seguida por Jamaica, Gana e Canadá. Finalmente em 1967 a cerveja Guiness Draught foi introduzida oficialmente no mercado americano. O sucesso da marca na Nigéria levou a marca a inaugurar mais uma cervejaria no continente africano, desta vez na República dos Camarões em 1970. Nos anos seguintes a marca continuou sua expansão internacional e, já em 1985, a cerveja era vendida em 120 países ao redor do mundo.

      


Em 1988 a marca lançou uma das maiores inovações no segmento cervejeiro: a Guiness Draught em lata, que possuía uma cápsula propulsora de nitrogênio, responsável pela liberação do gás quando o lacre era rompido, misturando-o ao líquido no momento em que este era derramado no pint (por este motivo, a Guiness deve ser consumida no pint, e não diretamente na lata). Atualmente a cerveja em lata da marca, que se tornou um verdadeiro sucesso de mercado, pode ser encontrada em mais de 120 países. Em 1997 a cervejaria realizou uma fusão com a Cervejaria Grand Metropolitan, resultando na formação da Diageo, atual proprietária da marca Guiness. Ainda nesse ano, o O’Malley’s Shanghai foi o primeiro pub a servir Guiness na China, ingressando assim em um enorme mercado consumidor.

Em 2009, quando a marca completou 250 anos, a empresa criou uma grande jogada de marketing: o dia 24 de setembro se tornou “Arthur’s Day” e exatamente as 17h:59s (referência ao ano de fundação da cervejaria, que coincidiu também com o famoso “happy hour”), todos os bares/pubs das cidades de Dublin, Kuala Lumpur, Lagos, Nova York e Yaoundé (na república dos Camarões), fizeram uma homenagem ao fundador da tradicional cervejaria quando os frequentadores levantaram um pint de Guiness. Essa celebração fez tanto sucesso que tem sido realizada desde então, sendo difundida ao redor do mundo. Na Europa, algumas datas comemorativas se tornaram sinônimo de Guiness e uma tradição para a marca, como por exemplo, o St. Patrick’s Day (dia de São Patrício), o Dia Mundial do Rock e o Halloween (Dia das Bruxas), que também tem origem celta e foi levado para os Estados Unidos pelos irlandeses. Somente no Dia de São Patrício (santo padroeiro da Irlanda), comemorado em 17 de março no mundo inteiro, são consumidos 13 milhões de pints de Guiness.

Em 2014 a Guiness lançou o The Brewer’s Project, iniciativa que estimulava grupos de cervejeiros a explorar novas receitas, reinterpretar as antigas e colaborar livremente criando novas cervejas para mercados específicos. O projeto começou no oeste europeu, quando a marca lançou a Guinness Dublin Porter (inspirada na era de ouro do estilo, uma época em que a Porter era “a” cerveja dos homens que trabalhavam pesado em Dublin e Londres, essa cerveja tem notas de toffee e chocolate e um teor alcoólico de 6%) e a Guinness West Indies (primeira receita da cervejaria fabricada para manter seu frescor, em longas viagens marítimas para o Caribe e redondezas, essa cerveja tem notas de caramelo escuro e um surpreendentemente teor alcoólico de 3.8%).

Mundialmente conhecida por cervejas escuras, a marca irlandesa lançou no mês de setembro de 2014, nos Estados Unidos, a Guiness Blonde American Lager, uma cerveja clara tipo lager. O novo rótulo era uma clara tentativa de evitar o declínio da cervejaria que tem como carro-chefe a cerveja Irish Stout (escura). De acordo com dados da própria Diageo, fabricante da Guiness, as vendas da cerveja escura em solo americano recuaram 6% em 2013. A produção foi resultado de uma parceria entre a Diageo e a City Brewing Company, cervejaria de Latrobe, na Pensilvânia. A produção dessa nova cerveja era parte de um programa batizado Discovery Series, que contaria com uma variedade de estilos, alguns em edições limitadas, comercializados sob a marca Guiness. Esta não foi a primeira tentativa da marca em lançar no mercado uma cerveja clara. Em 1988 foi lançada a Guiness Gold, mas que não atingiu o sucesso desejado e teve a produção encerrada em 1993.

Ainda em 2014, a tradicional cervejaria irlandesa lançou em edição especial e limitada a Guiness The 1759, uma cerveja ale âmbar com 9% de teor alcoólico, inspirada em uma receita de 200 anos e fabricada a partir do mesmo malte utilizado na produção dos melhores uísques e da adição do fermento Guinness, ganhando assim notas de caramelo e manteiga. Cada uma das 90.000 garrafas, de pouco mais de 750 ml e com rolha de cortiça, era embalada em uma elegante caixa preta de veludo. Para se ter uma ideia da escala, este volume equivale apenas a uma hora da produção da GUINNESS tradicional. Este foi o primeiro lançamento da nova série Guinness Signature Series, que contaria com uma variedade de cervejas de edição de luxo limitadas feitas de raros e muito bem pensados ingredientes.

A Guiness sempre foi mundialmente conhecida por sua cerveja stout. Porém, nos últimos anos, suas vendas estagnaram nos Estados Unidos, um de seus maiores mercados, muito em virtude da crescente popularidade das cervejas artesanais entre o público amante da bebida. Com isso, a marca irlandesa precisava reagir e passou a lançar no mercado americano diversos estilos de cerveja, como por exemplo, uma ipa, assim como cervejas de trigo, lagers e cervejas experimentais. Desde 2018 os vegetarianos mais convictos já podem degustar uma Guiness sem medo, depois que a cervejaria irlandesa decidiu parar de usar gelatina de peixe na filtragem de todas as suas versões (barril, lata e garrafa). A empresa afirmou que parou de usar a Isinglass, uma substância obtida da bexiga de algumas espécies de peixes, utilizada no processo de filtragem das cervejas. Após centenas de anos (literalmente) fabricando cerveja do mesmo jeito, a mundialmente aclamada marca topou fazer uma mudança em seu modo de produção para conquistar novos consumidores, os veganos.

Em 2020, para conquistar uma nova gama de consumidores, a marca irlandesa lançou a Guiness Draught 0.0, uma versão mais sóbria de sua tradicional Irish Stout e a primeira cerveja sem álcool que saiu de sua tradicional fábrica na Irlanda em seus 261 anos de existência. A versão não alcoólica da Guiness possui o mesmo gosto suave, sabor perfeitamente equilibrado e cor escura única da cerveja tradicional. Para fabricá-la, o processo de produção utiliza as mesmas etapas do produto original com a adição de um processo de filtração a frio que remove o álcool sem trazer um stress térmico à bebida, o que a protege de danos a suas características sensoriais, sendo complementada por um acerto fino de seus cervejeiros para garantir o perfil de sabor característico da Guiness.

Com mais de 260 anos de história, a cerveja é produzida com a mesma composição que a consagrou: malte irlandês, a mais pura água de Dublin, lúpulo e levedura. O malte é torrado, o que lhe confere a coloração rubi-avermelhada e o paladar tostado. Esta mistura única proporciona uma cerveja tipo stout, de alta fermentação, cujo balanço entre o amargor do lúpulo e a doçura do malte é facilmente perceptível. E há mais de 30 anos a cervejaria desenvolveu o sistema de chope em lata, alcançando tecnologia jamais vista no mercado cervejeiro.

A Guinness é produzida em uma rede de cervejarias ao redor do mundo sob a propriedade da Diageo e licenciados locais, sendo produzida localmente em 60 países e comercializada num total de 120 países, possuindo 80% de participação no mercado mundial de cerveja preta. Ao redor do mundo, 170 mil pubs consomem 10 milhões de copos (pints) de Guinness diariamente.

A marca chegou ao Brasil em 2001 e é importada diretamente da fábrica de St. Jame’s Gate. Presente em pubs de diferentes estados e em mais de 300 supermercados e lojas especializadas, a marca registrou, nos últimos anos, um crescimento forte em suas vendas. Guiness é a sexta maior cervejaria do mundo, proprietária de marcas como Harp (criada em 1960) e Kilkenny (criada em 1710), Red Strip, Kaliber, Smithwick's Ale e participante de fusões com cervejarias locais ao redor do mundo. Suas vendas chegam a de 2,7 bilhões de litros de cerveja por ano.


O Livro Guiness dos Recordes

O Guinness World Records (antigo Guinness Book of Records, lançado em português como Livro Guinness dos Recordes) é uma edição publicada anualmente, que contém uma coleção de recordes e superlativos reconhecidos internacionalmente, tanto em termos de performances humanas como de extremos da natureza.

Em 2003, o livro chegou a 100 milhões de cópias vendidas, desde a sua primeira edição em 1955, sendo o décimo livro mais vendido da história, o de 2009 é o quinquagésimo-quinto.

A ideia surgiu no início da década de 1950, mais exatamente em 10 de Novembro de 1951, Sir Hugh Beaver (1890-1967), diretor-executivo da Arthur Guiness, Son And Company, empresa que fabrica a cerveja Guiness, participou de uma festa de tiro (caçada) no Condado de Wexford. na Irlanda.

No final da tarde, início da noite, encontrou com seus amigos e disse que não havia conseguido abater nenhuma tarambola porque o pássaro era muito rápido, pois segundo ele era o mais veloz da Europa. Lá, ele e os seus anfitriões envolveram-se numa discussão sobre o pássaro de caça mais veloz, a tarambola ou o tetraz. Discutiu um pouco com seus amigos, mas sem chegar a nenhum consenso, nessa época não existia livro de referência ou enciclopédia que pudesse oferecer informações concretas sobre qual seria a ave de caça mais veloz da Europa.

Em 1954, recordando a discussão que tinha tido naquela caçada, Sir Hugh teve a ideia de uma promoção de Guinness baseada na ideia de resolver as discussões nos pubs e convidou os gémeos Norris (1925-2004) e Ross McWhirter (1925-1975), que eram investigadores da Fleet Street, para compilar um livro de fatos e dados.

O Guinness Superlative foi constituído em 30 de novembro, e seu escritório começou a funcionar em duas salas de um ginásio adaptado, no último andar do Ludgate House, na Fleet Street número 107.

Após uma fase inicial de pesquisa, começou o trabalho de escrita do livro, que levou 13 semanas e meia de 90 horas de trabalho, incluindo fins de semana e feriados. Mal sabiam os McWhirters que estavam dando forma a um livro que se tornaria um dos maiores best-sellers de todos os tempos e uma das marcas mais reconhecidas e confiáveis do mundo.  A primeira edição foi publicada em 27 de agosto de 1955 e, no Natal daquele ano, já havia chegado ao topo da lista dos mais vendidos do Reino Unido.

Atualmente, o Guinness World Records é uma marca global, com escritórios em Londres, Nova Iorque, Pequim, Tóquio e Dubai, com embaixadores da marca e adjudicadores espalhados ao redor do mundo. 

Com a missão de documentar o incrível, ele pode ser encontrado todos os anos nas páginas do livro, seja sob a forma de um sonho pessoal de uma vida toda, ou de uma tentativa em equipe em de uma empresa de 5.000 funcionários, o poder de quebrar recordes é notável, e continua a inspirar proezas e realizações surpreendentes todos os dias, em todo o mundo.

04 agosto 2026

Cornos x Chifres, Sabe a Diferença ?





Atualmente há muitas logomarcas de animais em rótulos de garrafas ou latas de cerveja, usando muita criatividade e belos desenhos, mas a verdadeira obra de arte são as logomarcas antigas, é muito comum as logomarcas com bois, touros, bodes, cabritos, etc. que são animais possuidores de cornos e não chifres.(vide: Os bovinos na Cerveja ou Os Caprinos na cerveja).

Cornos e Chifres, provavelmente você já ouviu falar dessas estruturas, mas você sabe qual é a diferença entre elas? Você sabe quais animais apresentam cornos e quais apresentam chifres?

Esses termos são muito confundidos. Por exemplo, está no senso comum que as vacas e os bois apresentam chifres, mas não, esses animais apresentam cornos! Vamos entender as diferenças entre essas duas estruturas?

Essas estruturas são visíveis e estão presentes em alguns grandes ungulados (mamíferos com casco). São coletivamente chamados de apêndices cranianos. Acredita-se que possuam a função de defesa, reconhecimento social, apresentação sexual e disputa entre os machos por fêmeas e território.

No geral, tanto os chifres como os cornos são derivados do osso frontal do crânio, mas apenas os chifres costumam ser ramificados. Os cornos são recobertos por queratina e os chifres por uma camada de pele altamente vascularizada, denominada veludo.

O crescimento dos cornos é acompanhado pela deposição de queratina, tipo de material morto, que se estende além da projeção óssea, ficando uma parte composta apenas desta estrutura. Eles são encontrados nos machos e fêmeas dos ungulados artiodáctilos (ungulados que possuem dedos pares) ruminantes atuais: bodes, touros, antílopes etc. Eles crescem continuadamente e não são trocados ao longo da vida do animal.

    


Nos chifres, à medida que eles crescem, ocorre o revestimento da camada de veludo e, diferentemente dos cornos, eles costumam ser trocados anualmente. A troca ocorre quando o chifre está “maduro”, havendo a interrupção da circulação no veludo, assim essa estrutura morre e vai saindo dos chifres, deixando o osso exposto. Nesse momento, o chifre cai e outro nasce no lugar, sendo acompanhado por uma nova camada de veludo.

Os chifres estão presentes e são encontrados apenas nos machos da maioria dos cervídeos. Contudo, também estão presentes nas fêmeas de renas e de alguns caribus.


  

Existem algumas variações dos cornos e chifres que fogem ao padrão comum. As estruturas presentes no topo da cabeça das girafas, por exemplo, apesar de serem revestidas por pele, ao invés de queratina, são tipos de cornos.

  
Nesses animais, os cornos são chamados de ossicones e apresentam formação e constituição diferenciada. O seu crescimento não ocorre a partir do osso frontal, e sim de um osso separado, que se funde ao frontal durante o desenvolvimento e, depois disso, ocorre o depósito de pele.

Outra variação dos cornos também pode ser observada nos rinocerontes. Estes animais apresentam cornos únicos, ao invés de pareados, que não se desenvolvem acima dos olhos, como nos demais animais com cornos, e sim na linha média da região do nariz. Além disso, são constituídos apenas de queratina.

  

E por fim, temos os cornos ramificados e decíduos, encontrados somente nas antilocapras (ungulados artiodáctilos nativos da América do Norte), com um único represente vivo a Antilocapra americana. Diferentemente dos demais, eles são estruturas incomuns, uma mistura de corno e chifre. Consistem em uma bainha córnea sobre um núcleo ósseo (como nos antílopes), mas estas bainhas são bifurcadas nos machos e trocadas anualmente como nos cervídeos.

Fixando conceitos com um pouco de humor…

Para ajudar nos argumentos e embasar o uso mais adequado dos termos, aproveito a apropriação popular para fixar alguns pontos de maneira descontraída:
1) Corno é para sempre, uma vez corno, sempre corno!
2) Quem teve um chifre na vida, voltará a ter outros!
3) Cuidado ao dizer que a fêmea é chifruda, isso está biologicamente errado, pois só os machos possuem chifres (veja a exceção no texto).
4) chifres tem ciclos: começam pequenos e se tornam complexos e mais pesados com o passar dos anos.
5) chifres estão mais intimamente associados à questão reprodutiva (pode ser uma traição com filhos, quem sabe?) enquanto cornos dão mais ibope para brigas (certeza que vai dar divórcio litigioso). Faça suas escolhas!

31 julho 2026

A Cerveja, a Ursa e o Continente





Texto desavergonhamente copiado de Milton Marques Junior em www.carlosromero.com.br




Qual a relação entre uma cerveja, uma ursa e um continente? O leitor pode estranhar a pergunta, mas estou me referindo à Antárctica, cujo nome envolve estes três elementos tão díspares. E, se o continente é Antárctica, por que o chamamos de Antártida? Vamos por partes.

O antigo rótulo da cerveja Antarctica, assim mesmo, sem acento e com “c”, pelo menos aquele que eu alcancei, apresentava-se com dois pinguins dentro de uma elipse, tendo sob os pés ramos de cevada. A logomarca nos remetia ao cereal de que a cerveja era feita, além de induzir o consumidor a pensar num produto para ser consumido gelado. Sendo os pinguins animais que habitam as regiões muito frias, como a Antárctica, tida como o continente mais frio da terra, localizado no Círculo Polar Antárctico, o nome da cerveja revela-se, portanto, diretamente ligado ao continente e suas condições ambientais.

Se o nome da cerveja é devido ao nome do continente, porque a cerveja não é Antártida, como costuma ser chamado por aqui? Primeiro, vamos esclarecer o nome original. Chama-se Antárctica porque ele se localiza no ponto contrário ao Árctico, situando-se ambos nos polos — O círculo polar ártico e o círculo polar antártico, numa grafia menos etimológica.


O Ártico (pelo latim arctĭcus, do grego ἀρκιτκός) recebe esse nome por estar situado no Norte. A relação entre Arctico e norte se dá por causa das constelações da Ursa Maior e da Ursa Menor, que, por sua posição sempre ao norte, serviram de orientação aos navegantes e viajantes em geral. A diferença que existe entre ambas reside no fato de que apenas a Ursa Maior pode ser vista no hemisfério sul, onde nos encontramos. Daqui, não podemos ver a Ursa Menor, cuja estrela mais brilhante é a Polaris, que permanece fixa sobre o polo norte celestial, parecendo que as demais estrelas giram ao seu redor.


A etimologia de Árctico aponta para Arktos (ἄρκτος), cujo significado em grego, urso/a, nomeia as constelações. O termo está vinculado ao mito de Calisto, jovem sacerdotisa do séquito de Diana. Júpiter se enamora dela e engendra o jovem Arcas. Diana a expulsa do seu culto e Juno, enciumada com os amores furtivos do marido, a transforma em uma ursa. O jovem Arcas cresce e torna-se caçador, quase matando a mãe, quando com ela se depara, sem tê-la reconhecido na sua forma animal. Júpiter arrebata ambos e os transforma em constelações vizinhas no céu (Ovídio, Metamorfoses, Livro II, versos 401-530). Arcas recebe o nome de Arcturo (ἀρκτοῦρος), estrela alfa da constelação do Boieiro, cujo nome, em grego, significa o guardião da Ursa, perfeitamente avistada aqui, no hemisfério sul. A mãe, vigiada pelo filho, para impedi-la de banhar-se nas águas de Thétis, o mar, ordem de Juno, será a constelação da Ursa Maior. Agora, já podemos deduzir o significado de Antárctico: o que está no sentido oposto ao Árctico, sendo este o polo norte e aquele o polo sul.


Quanto à preferência pela forma Antártida em lugar de Antárctica, a explicação vem através da famosa lei fonética do menor esforço, responsável por acomodações fonéticas que tornam mais fácil a prolação. Pronunciar Antárctica ou Antártica é muito difícil. A dificuldade reside no encontro entre três fonemas velares "r", "c"(ct), "c" e um fonema dental "t".

. Na realidade, a forma latina Antarctica, emprestada ao grego ἀρκιτκός, encontra-se esmagada entre dois "c". Essa articulação é dificultada pelo recuo da língua, que as velares "c" e "r" exigem (antarc—), para, em seguida, a ponta da língua alongar-se em direção aos incisivos centrais, permitindo a articulação da ápico-dental "t" (ti), para, ainda uma vez, a língua recuar, na prolação da sílaba final (ca): antárctica.

A facilitação da pronúncia ocorre quando um fonema dental, como o "t", encontra outro dental, como o "d". Estes dois fonemas, "t" e "d", são gêmeos, tecnicamente chamados homorgânicos, possuindo o mesmo ponto de articulação: eles são oclusivos e ápico-dentais, o que significa que, no momento da articulação, há um fechamento da boca e a ponta da língua toca os dentes incisivos centrais, para que haja a prolação. A única diferença entre eles é que o "t" é um fonema surdo e o "d" é sonoro. O que determina ser surdo ou sonoro é a vibração das cordas vocais ou pregas vocais, no momento da passagem do ar.

O resultado da lei do menor esforço é a queda do primeiro "c", num fenômeno chamado síncope, por ele ter-se tornado mudo na passagem do latim para o português, e a assimilação com sonorização do segundo "c" em "d", exigida pelo seu “irmão gêmeo” "t":


Por outro lado, ártico nunca vai dar ártido, pois a articulação naquela palavra é mais fácil. O que determinou a transformação de Antártica em Antártida foi a pressão dos dois "t" sobre o "c". Ressalte-se que a lei do menor esforço não é ditada por gramáticos ou linguistas, mas uma lei natural, decorrente da necessidade de nosso cérebro de economizar energia, e que impõe à língua movimentação e expansão, tendo em vista tratar-se a língua de um corpo vivo.

Agora, vamos e convenhamos: deixando de lado toda a conversa técnica sobre os termos, uma cerveja gelada passando pela ponta da língua, tocando o véu palatino e aguando grande parte da cavidade supraglótica, que vulgarmente chamamos boca, é gostosa ou não é?

Autor: Milton Marques Junior: Professor Titular aposentado do Curso de Letras Clássicas da UFPB. Mestre e Doutor em Letras da UFPB. Membro da Academia Paraibana de Letras. Autor de mais de vinte livros publicados – Instagram @marquesjr45

11 julho 2026

A Malzbier Brasileira Não é Cerveja





Imagem e texto Paulo Antunes Júnior

  

Um pouco de história:


Em 1744, Johannes Ruf e sua esposa construíram a cervejaria Zum Römischen Kaiser em Seligenstadt, que ainda hoje é a sede da Glaabsbräu.
Em 1782, o filho Johann Georg Ruf foi alistado na Associação dos Cervejeiros de Seligenstadt.
Após sua morte em 1808, seu sobrinho Peter Josef Weidner II assumiu a pousada e a cervejaria, passando posteriormente para a família Wissel.
A família Wissel seguiu até 1891. Ferdinand Glaab, bisavô do atual Diretor Administrativo Robert Glaab, casou-se com Mariechen Wissel (Anna Maria Magdalena Sophia Glaab).
Em 1895, fechou a cervejaria Zum Römischen Kaiser e fundou a cervejaria Glaab & Thoma GmbH com seu irmão, Johann Thoma.
Seus filhos Ferdinand II e Jacob juntaram-se aos negócios da família em 1920.
Em 1920, após o cientista Fritz Lux, da Weihenstephan, conseguir obter vitamina B1 a partir de células de levedura, Ferdinand Glaab teve a ideia de criar um novo tipo de cerveja: a Malt Beer.
Em 1921, as duas cervejarias Glaab e Appelmann se fundiram para formar a Vereinigten Brauereien Seligenstadt.
Em 1931, a cervejaria adquiriu o processo patenteado de bebida de malte Vitamalz (que não pode ser vendido como cerveja) desenvolvido por Ferdinand Glaab I e Fritz Lux.
A cerveja não foi fabricada até 1931, porém, quando a cervejaria Seligenstadt comprou a receita patenteada da empresa Vitalux, deu-se início à produção da cerveja. A nova cerveja foi chamada de "Vitamalz".
Após a saída de Jakob Appelmann, Ferdinand Glaab I fundou com seus filhos a Glaabsbräu F. Glaab & Co.
Após sua morte em 1939, seus filhos assumiram a gestão da cervejaria.


Malzbier (Cerveja de malte):


A Malzbier tem suas origens na Alemanha, onde “Malzbier” significa “cerveja de malte”. é um tipo de cerveja, criada por Ferdinand Glaab, no final do século XIX.

A Malzbier tradicional é uma bebida composta por malte, água e lúpulo, sem passar pelo processo de fermentação. Essa combinação é uma alternativa para gestantes, crianças e pessoas que não fazem consumo de bebida alcoólica, doce e com baixo teor alcoólico (geralmente entre 0 e 4%), de cor escura, que é fermentada como uma cerveja normal, porém com a fermentação de levedo por volta do 0 °C.

Embora tenha a palavra “bier” no nome, o estilo lembra mais um híbrido entre cerveja e bebida maltada, com toques de caramelo, chocolate e melaço. Essa doçura característica vem do malte. Uma cerveja de malte à qual não foi adicionado açúcar e que pode conter 1,5% máximo de álcool tem esse título de cerveja corretamente. Vamos lembrar que a Lei da Pureza Alemã se aplica em princípio à produção de cerveja. O mandamento, que data de 1516, afirma que a cerveja pode consistir exclusivamente dos ingredientes água, lúpulo e cevada – caso contrário, não é cerveja.

As cervejas alemãs são classificadas de acordo com a gravidade original, termo mais conhecido pela sigla em inglês OG – Original Gravity. Por exemplo, uma cerveja tem OG de 12 °P, 120 gramas de extrato por 1.000 gramas de líquido:
Einfachbier (cerveja simples), com OG de 1,5 °P a 6,9 °P
Schankbier (cerveja de bar ou chope), com OG de 7,0 °P a 10,9 °P
Vollbier (cerveja completa), com OG de 11,0 °P a 15,9 °P
Starkbier (cerveja forte), com OG de 16 °P

Poucos sabem que a Malzbier (sem acréscimo de açúcar) é uma cerveja de verdade: essa Vollbier de alta fermentação tem um OG médio de 11,7 °P. Como a levedura é adicionada a 0 °C, a fermentação alcoólica é extremamente baixa, permitindo que a Malzbier seja considerada não alcoólica.

Já as cervejas especiais escuras, como Porter, Stout, Dunkel e outras, têm essa cor devido ao uso dos maltes tostados. Cada tosta vai dar uma coloração, aroma e sabores diferentes. Por exemplo: Malte Chocolate dá um aroma de caramelo queimado, chocolate amargo e café. Por isso, existem cervejas de chocolate, por exemplo, que, na maioria das vezes, não são feitas com o chocolate, mas com maltes que lembram o sabor e aroma de um. O Malte Escuro dá a coloração e o aroma de café torrado e a Cevada Torrada dá o tom amargo e intenso de café. Por isso, nem sempre o amargor vem só do lúpulo, ele pode vir, também, do malte.


Malztränk (Bebida de Malte):


Já as bebidas de malte são conhecidas por serem particularmente doces, com o açúcar sendo adicionado durante o processo de produção. Consequentemente, isso não está em conformidade com a Lei da Pureza, frequentemente é encontrada com outros nomes nas prateleiras dos supermercados, incluindo bebidas de malte.

Em decorrência da Lei da Pureza, quando há acréscimo de açúcar (e, na maioria das vezes, isso ocorre), não é possível chamar a bebida de cerveja (Bier). Por isso, ela recebe o nome de Malztränk e não Malzbier.

Basicamente, devido ao açúcar presente na bebida, não existem mais cervejas de malte de verdade. No entanto, o termo cerveja de malte tem se tornado cada vez mais popular nos últimos anos. Isso dá a impressão de que é uma cerveja, mas de fato, não tem nada a ver com uma cerveja de verdade.

A cor e o sabor adocicado não vêm da torrefação do malte, mas sim da adição de caramelo e xarope de açúcar ao final do processo de fabricação, podendo ser enriquecidas com outras substâncias, ingredientes ou, se necessário, aromas. Claro, isso tem como consequência que muito mais "sabor" e mais "variedade" entram na bebida, mas também faz com que ela se afaste ainda mais de uma cerveja clássica, nome do qual não deve ser chamada, o termo correto, em questão seria bebida de malte. Claro, a bebida clássica de malte tem água, malte de cevada e lúpulo (ou seus extratos, conhecidos como extrato de lúpulo), esse não podem faltar. Além do açúcar, frequentemente adicionado em forma de xaropes, também é adicionado ácido carbônico, que supostamente dá à bebida um sabor fresco ou refrescante. As seguintes substâncias também podem estar presentes na bebida de malte: Xarope de agave, concentrado de suco de maçã, Malte espeltado, Corante (E150c = cor caramelo de amônia), Aromatizantes naturais, Adoçantes (ciclamato de sódio, sucralose, acesulfame-K, sacarina de sódio, xarope de açúcar invertido, xarope de arroz).

Por causa dessa adição de xarope, algumas escolas cervejeiras não a consideram um estilo puro, ela não se enquadra em estilo nenhum, pois a adição de outros ingredientes para dar coloração à bebida e o uso abaixo de 20% de malte de cevada, a “desqualificam”. O Beer Judge Certification Program (BJCP) e a Brewers Association, organizações que catalogam os mais diversos tipos e estilos de cervejas, não a consideram como estilo próprio de cerveja. É considerada um tônico. São cervejas do tipo american pale lager nas quais, após a filtração, são adicionados caramelo e xarope de açúcar, dando a coloração escura (que não vem do malte tostado) e o sabor adocicado. Dizem inclusive que, antigamente, há alguns anos atrás, era produzida para reaproveitar a cerveja de início e fim da filtração e cervejas fora dos padrões. Hoje em dia isso não acontece mais e a cerveja ganhou um pouco em qualidade.

Quando a ideia chegou ao Brasil, por volta do início do século XX, a bebida passou por adaptações. A versão brasileira foi adaptada para se assemelhar ao sabor da versão alemã; a diferença é que a nossa passa pelo processo de fermentação completo, gerando, assim, uma bebida alcoólica.

Muito famosa no Brasil, não possui muitos correspondentes fora do país. Na Alemanha, seu país de origem, nem é mais considerada cerveja e sim, bebida energética. Enquadra-se normalmente no grupo de “outras cervejas com baixo teor alcoólico”.

A Malzbier brasileira, não é uma cerveja de malte na verdadeira acepção da palavra já que a Malzbier original não chega nem a 1% de álcool, pois, apesar de ser produzida como qualquer outra cerveja, ela quase não tem fermentação, a brasileira tem por volta de 4% de álcool, no Brasil, ela é produzida como uma cerveja normal, escura, alcoólica e frequentemente tem um sabor doce e maltado e é acrescida de várias substâncias. Acabou se tornando um tipo de cerveja e ficou popularmente conhecida como "cerveja preta doce ou Malzbier". Do seu início até os anos 30 foi comercializada como uma cerveja “fortificante”. Na época, acreditava-se que ela era altamente nutritiva e até recomendada como uma fonte de energia — especialmente por médicos e farmácias!

Quando se fala de cervejas doces e encorpadas no Brasil, é impossível não pensar na Malzbier. Amada por muitos e estranhada por outros, essa cerveja conquistou um espaço especial no coração dos brasileiros com seu sabor único, textura aveludada e um toque de nostalgia. Afinal, quem nunca ouviu a frase: “Isso aqui é praticamente um refrigerante!”

06 julho 2026

Você Sabe o Que é o Parágrafo Onze (§11)?





Imagem e texto Paulo Antunes Júnior



A resposta à pergunta do título deste post nos leva direto para as universidades da Alemanha do século XVIII.

O § 11, é um símbolo da tradição dos wandergesselen (fraternidades de ofício) e também do pessoal da Studenverbidungen (grêmios estudantis) vem do século 18, Esse parágrafo representa o espírito de confraternização, liberdade e união entre os artesãos durante sua jornada. Costuma ser mencionado em momentos de celebração, como encontros entre Wandergesellen, e reforça a importância da alegria e da camaradagem na vida nômade desses artesãos.

Não era uma lei do governo, mas sim a regra mais famosa do Allgemeiner deutscher Bier-Comment (comentário geral alemão sobre cerveja). É um manual satírico de conduta e etiqueta cervejeira criado por fraternidades estudantis alemãs. Ele é um livreto, que realmente surgiu nos cursos oferecidos nas várias universidades alemãs e prevalecendo nas várias corporações estudantis, ao voltar atras no tempo nos Kneip-Comment (comentários do pub), tanto quanto possível, checava todos cuidadosamente e comparava, resultando em um resultado crítico.

Obs. Se alguém preferir ler todo o texto do manual, segue o link: Allgemeiner deutscher Bier-Comment by A. Gerlach | Project Gutenberg. Ele tem umas sessenta páginas e o Google traduz fácil.

Enquanto os primeiros parágrafos eram deixados em branco (fazendo piada com as leis reais ou mandamentos religiosos), o parágrafo 11 decretava formalmente o início dos trabalhos: "Es wird fortgesoffen!" (em tradução livre: "A bebedeira deve continuar!" ou "Beba sem parar!") que significa simplesmente que você deve continuar bebendo ou ficar até que o barril de cerveja esteja vazio.

Era uma brincadeira jurídica que servia para anular qualquer desculpa para ir embora cedo ou parar de beber, apesar de seu tom bem-humorado, o parágrafo 11 carrega um valor tradicional forte e é parte da identidade cultural dos Wandergesellen. O parágrafo 11 na tradição dos Wandergesellen é uma parte simbólica e respeitada de seu conjunto de regras e costumes.

Quando os imigrantes alemães se estabeleceram no Sul do Brasil e fundaram as primeiras cervejarias artesanais e industriais da região, trouxeram essa forte identidade cultural. Batizar uma Cerveja Preta (estilo muito associado à energia e ao vigor na época) como "§ 11" era um aceno direto e bem-humorado à tradição, uma linguagem que os colonos e apreciadores locais entendiam perfeitamente.

Se você encontrar um rótulo antigo de cerveja preta do Rio Grande do Sul, como estas relíquias da antiga cervejaria Stahl & Rutzen (depois Rutzen & Cia. Ltda.), vindos do município de Santa Rosa, mais exatamente da Vila de Tres de Maio (Essa vila pertencia ao municipio de Santa Rosa e foi emancipada em 1954 como município com esse nome), há uma grande chance de se deparar com este símbolo em destaque: § 11 (Parágrafo Onze).

Esses rótulos da Rutzen preservam mais do que a história de uma bebida; eles guardam o humor, a memória gráfica e o choque cultural que moldaram a nossa cultura cervejeira brasileira.