28 agosto 2026

Um Hino à Bebida Universal “Viva a Cerveja!”



Sabia que a Cerveja já tem um Hino?
O Dia Internacional da Cerveja é celebrado na primeira sexta-feira do mês de agosto, em Portugal, e é comemorado ao som da música “Viva a Cerveja”, um tema criado e interpretado pelos The Lucky Duckies.

A banda portuguesa com três décadas de existência é responsável pelo hino que presta uma homenagem à Cerveja, consumidores, confrades, produtores de cevada e lúpulo, cervejeiros e toda a sua “cadeia de valor que hoje emprega cerca de 80 mil pessoas”, informa a Confraria da Cerveja, responsável pela iniciativa com o apoio da Associação Cervejeiros de Portugal e a AHRESP - Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal.

O Dia Internacional da Cerveja, foi criado em 2007, na Califórnia, por quatro amigos fãs desta bebida e hoje é festejada em mais de 50 países por amantes fervorosos de cerveja.

Também conhecida como loira, a cerveja é a bebida alcoólica mais consumida pelos portugueses e o pico de consumo registra-se durante os meses mais quentes do ano, sendo agosto o mês ideal para celebrar a cerveja. Na Europa realizam-se vários festivais da cerveja, especialmente em países como a Bélgica e a Alemanha. Enquanto a bebida alcoólica mais antiga e popular do mundo que é, pode-se encontrar a cerveja em qualquer bar, restaurante ou pub, não tendo desculpas para não aderir a este dia mundial da cerveja.

A música "Viva a Cerveja" da banda The Lucky Duckies é uma celebração alegre e descontraída da cerveja, uma das bebidas mais populares e apreciadas em todo o mundo. A letra destaca a cerveja como uma companheira constante em diversas situações sociais, desde festas e festivais até momentos de descontração em bares e esplanadas. A música exalta a cerveja como uma bebida que traz prazer e conforto, especialmente em dias quentes, quando a sede e o calor pedem uma bebida refrescante.

A letra utiliza uma linguagem simples e direta, repleta de metáforas e expressões populares que reforçam a ideia de que a cerveja é uma presença indispensável em momentos de lazer e confraternização. Termos como "loira, ruiva ou preta" e "caneca, fino ou garrafa" mostram a diversidade de tipos e formas de servir a cerveja, enquanto expressões como "lambreta" e "girafa" são gírias que refletem a cultura popular em torno da bebida. A repetição da frase "Uma cerveja!" ao longo da música enfatiza o desejo e a satisfação que a cerveja proporciona.

Além disso, a música também aborda a cerveja como um elemento de união e celebração. A menção a "rodada" e "companhia de um jola" sugere que a cerveja é muitas vezes compartilhada entre amigos, fortalecendo laços sociais e criando momentos de alegria coletiva. A referência à "coroa de alva espuma" e ao "aspecto imperial" da cerveja artesanal ou industrial destaca a apreciação estética e sensorial da bebida, elevando-a a um status quase nobre. Em suma, "Viva a Cerveja" é um hino à convivialidade e ao prazer simples de desfrutar uma boa cerveja em boa companhia.

Abaixo a letra da música, mas se preferir ouvir é só clicar AQUI.

Viva a Cerveja (Lucky Duckies)
Composição: Rossio Music, Marco António Fernandes, Fernando Gomes dos Santos

A temperatura a aumentar, o alcatrão a derreter
Este calor que queima o dá-me vontade de beber
Quero frescura que veja e o melhor pra arrefecer
É uma cerveja!
Uma cerveja!

Pode ser loira, ruiva ou preta, caneca, fino ou garrafa
Aviso já, ninguém se meta com esta sede que me abafa
O que o meu corpo mais deseja, é uma lambreta, uma girafa
Uma cerveja!
Uma cerveja!

Ah uma cerveja! Dá gosto beber
Onde quer que seja, eu bebo, bebo com prazer
Como ela não há mais nenhuma, é uma bebida sem rival
Porque a coroa de alva espuma dá-lhe um aspeto imperial
Vai-se depressa, não sobeja, industrial, artesanal
Viva a cerveja!
Viva a cerveja!

É companheira em cada festa, em festivais e até na bola
De vez em quando só nos resta a companhia de um jola
Com ela tudo se festeja e tantas vezes nos consola
Uma cerveja!
Uma cerveja

Uma bejeca bem gelada também aquece o coração
E quando alguém paga a rodada não é possível dizer Não
Venha servida de bandeja, numa esplanada ou ao balcão
Viva a cerveja
Viva a cerveja
Viva a cerveeeja!

Algumas definições das gírias utilizadas:
Bejeca – Redução de cervejeca, diminutivo de cerveja.
Fino – Copo de 33 cl, alto e mais estreito em baixo do que em cima de cerveja sob pressão (chope), o mesmo que Imperial, no Brasil Tulipa.
Girafa - É o nome dado àquela torre de cerveja vertical e alta (geralmente de 2 a 3 litros), equipada com uma torneira na base para que um grupo de pessoas possa se servir diretamente na mesa.
Imperial - O mesmo que Fino.
Jola - Significa um copo, uma garrafa ou uma lata de cerveja, sendo uma expressão popular muito usada em Portugal (redução de cervejola).
Lambreta - Nome dado a um copo muito pequeno de cerveja tirada à pressão. É menor do que um "fino" (ou "imperial"), servindo geralmente para quem quer beber apenas um gole rápido antes que a cerveja aqueça.

25 agosto 2026

Beber e fumar – Marlboro Beer



Quando se trata do mundo do tabaco e dos cigarros, a Marlboro sem dúvida conquistou seu nome com sua icônica embalagem vermelha e anúncios inesquecíveis de cowboys. No entanto, no universo da cerveja tem uma história completamente diferente.


Não é segredo que o sucesso da Marlboro na indústria do tabaco foi incomparável, e a empresa buscou replicar esse triunfo em outros setores também. Uma dessas iniciativas foi sua entrada na indústria da cerveja.

Um pouco da história da Miller Brewing:
Em 1855, Frederick Miller comprou a Cervejaria Plank Road em Milwaukee, Wisconsin, por 2.300 dólares e fundou a Miller Brewing Company. Após 111 anos, em1966, a família Miller vendeu a empresa para W.R. Grace and Company por 36 milhões de dólares, que por sua vez, vendeu a Miller Brewing para Philip Morris (atualmente Altria) por 130 milhões de dólares, em 1969 (isso fazia parte da estratégia de diversificação da Philip Morris além do tabaco, quando também possuíam a Kraft).

Após adquirir a propriedade total da Miller Brewing Company, em 1969, com a esperança de aplicar suas estratégias publicitárias bem-sucedidas a um novo mercado, a empresa chegou a testar uma marca de cerveja chamada Marlboro Beer.

No início dos anos 70, a gigante do tabaco Philip Morris achava que muitas pessoas gostavam de fumar enquanto bebiam cerveja, então certamente uma cerveja com a mesma marca do cigarro mais vendido seria um sucesso. Ela quis levar esse conceito um pouco mais longe com a Marlboro Beer e a Philip Morris decidiu reunir a dupla dinâmica... Em uma garrafa.

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E se você está pensando que isso é só habilidades malucas de photoshop ou IA em ação... A prova está na patente. Arquivada pela Philip Morris em 1970, ela claramente mostra a intenção de levar a cerveja dos fumantes ao grande público.


Apesar dos planos ambiciosos da empresa, a história por trás da Marlboro Beer permanece relativamente envolta em mistério. Embora tenham havido testes dessa cerveja, aparentemente os testes não indicaram bons resultados. Então esse foi o fim da Marlboro Beer. Os planos para a cerveja acabaram sendo cancelados, a empresa acabou decidindo deixar a ideia de lado e focar em seus principais produtos de tabaco. As razões para essa decisão não são explicitamente declaradas, deixando espaço para especulação e curiosidade.

Em 2002, a Philip Morris vendeu a Miller Brewing para a South African Breweries (SAB) por um total de 5 bilhões e 600 milhões de dólares, formando a SAB Miller.

Mas pense nas possibilidades: Marlboro Light Beer em latas grandes de ouro, cerveja em pacotes macios como Capri Sun... e, a julgar pela indústria cervejeira atual, a Marlboro Menthol Ale teria sido inevitável, apesar de haver imagem desta lata não há certeza de ter existido.


As poucas garrafas vendidas agora alcançam um preço alto como itens de colecionador, as tampinhas, caso interessem são as normais da Miller, mas tenham cautela ao comprar, há muitas peças falsas..

Mas a ideia de juntar cerveja e cigarros não parou, a própria Marlboro chegou a lançar no Japão um pack de cigarros com cerveja.


18 agosto 2026

Bidule, você sabe o que é?



O bidule ou obturador DAP, também chamado bitule, bítulo ou cartucho é uma pequena cápsula cilindrica de plástico colocada no gargalo de garrafas de espumante que adere perfeitamente à boca da garrafa sob uma tampa metálica (coroa de 29mm).

O bidule não é uma embalagem final de consumo, mas sim uma pequena peça plástica de uso industrial utilizada na fabricação de vinhos espumantes e cervejas artesanais feitas pelo método tradicional (champanhe), servindo para vedar a garrafa e reter os sedimentos durante a fermentação.

Existem, no momento, dois tipos: o bidule separado e o bidule integrado com a tampa coroa.

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Ele foi projetado para a segunda fermentação de espumantes tradicionais, bem como bebidas de alto padrão como cervejas artesanais, vinhos, água e refrigerantes.

Ele veda a garrafa, proporcionando uma vedação segura, mantendo a garrafa fechada contra a pressão da alta da fermentação.

No caso do espumante, o bidule é colocado na garrafa como uma "tampa provisória", ficando somente durante a fase de maturação e ajuda a concentrar o sedimento no gargalo para depois ser expelido.

Quando o espumante atinge a complexidade que se deseja, ele passa por um processo onde as leveduras são levadas ao gargalo da garrafa, as garrafas são posicionadas verticalmente, uma posição que permite que os resíduos se descolem das paredes e sejam coletados no bidule, ele é extremamente importante nesse processo, pois seu formato facilita a deposição das leveduras. e com auxílio de maquinas congelam o gargalo e a tampa (assim congelando o fermento dentro e o mantendo no gargalo) para que possa ser expelido quando a tampa for removida. Assim ao remover a tampa coroa com o bidule a pressão expulsa o fermento junto, sendo substituído pela rolha de cortiça para ser levado ao comércio.

Embora os bidules sejam amplamente famosos na produção de espumantes pelo método tradicional para reter sedimento, no contexto de destilados e cachaças artesanais elas funcionam como um dosador/redutor de vazão ou lacre técnico de segurança, ele ajuda a manter a estanqueidade e evita perdas de aroma ou vazamentos em bebidas de maior teor alcoólico.

O uso de bidules na produção de cerveja artesanal é raro e ocorre quase exclusivamente em estilos de alta complexidade que passam por refermentação na garrafa com métodos inspirados na produção de espumantes (como o Méthode Traditionnelle), a exemplo de algumas Belgian Dark Strong Ales, Gueuzes ou cervejas extremas envelhecidas.

E contrariando a definição da peça, atualmente, cada vez mais produtores de bebidas alcoólicas estão usando o bidule como parte da embalagem final do produto. Estão sendo fabricados com o formato da tampinha acoplada, porém com a parte de cima bem diferente da original, há bidules inteiramente fabricados em material sintético ou com partes metálicas representando alguma coisa que identifique a empresa ou o produto.

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Para os colecionadores de tampinhas, os bidules integrados com tampinhas sempre deixam a esperança de poder tirá-los. Esperamos que num futuro próximo venham a fazer parte nas coleções de tampinhas.

11 agosto 2026

Heineken Wobo - Garrafa Quadrada




Antes que o conceito de sustentabilidade fosse difundido pelo mundo, o holandês Alfred Heineken já visualizava estratégias para dar novas utilidades às garrafas de cerveja após a bebida ser consumida. A opção sugerida por ele era que elas fossem feitas no formato de tijolos, para serem reaproveitadas na construção civil.

A ideia surgiu, em 1960, quando Heineken durante uma turnê mundial às fábricas da Heineken estava na ilha de Curaçao, no Caribe, e viu muitas garrafas espalhadas pela praia devido ao fato de que a ilha não tinha meios econômicos de devolver as garrafas às fábricas de onde vieram. Ele também ficou preocupado com a falta de materiais de construção acessíveis e as condições de vida inadequadas que assolavam a classe baixa de Curaçao.

O empresário considerou esses dois pontos e procurando uma solução para esses problemas, contratou o arquiteto holandês John Habraken para projetar o que ele chamou de "um tijolo que contém cerveja". A ordem foi "Faça uma garrafa de cerveja que possa servir como um tijolo quando estiver vazia".

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Uma garrafa de cerveja em pé é, surpreendentemente, à altura do que se espera dela, suportando 50 kg por centímetro quadrado. Mas as garrafas não são empilhadas verticalmente com facilidade. Colocados de lado, porém, elas partem-se com muita facilidade. A solução de Habraken foi desenvolver garrafas empilháveis do tipo Chianti verticalmente, com gargalos longos e lados rebaixados que se encaixavam e se apoiavam. Foi um compromisso brilhante, mas o departamento de marketing da Heineken rejeitou-o como “afeminado”, uma descrição curiosa, considerando que a garrafa consistia em dois compartimentos bulbosos encimados por um longo eixo. Podemos apenas presumir que Habraken não previu por que os homens de Curaçao não queriam levar isso até seus lábios.

Então Habraken passou para posição horizontal. O seu próximo projeto foi para uma garrafa retangular grossa, muito mais próxima da noção original da Heineken de um tijolo que continha cerveja. O fundo tinha covinhas em um padrão idêntico ao gargalo atarracado da garrafa, de modo que o topo de uma garrafa se encaixasse no fundo da próxima. As laterais tinham uma superfície protuberante, para facilitar a fixação e a aplicação de argamassa. Ainda assim, havia algumas desvantagens: o vidro tinha que ser engrossado para a orientação horizontal desfavorável e seus cantos mais "quadrados" a tornavam mais suscetível de partir durante o transporte.

Nos três anos seguintes, o Heineken WOBO (WOrld BOttle) passou por um processo de design. Alguns dos primeiros designs eram de garrafas interligadas. A ideia surgiu da crença de que a necessidade de argamassa adicionaria complexidade e despesas à simplicidade e acessibilidade da parede da garrafa. Alguns projetos provaram ser materiais de construção eficazes, mas muito pesados e de moldagem lenta para serem produzidos economicamente. Outros designs foram rejeitados pela Heineken com base em preferências estéticas. No final das contas, a garrafa escolhida foi um compromisso entre os designs anteriores.


O frasco foi projetado para ser ligado entre si, colocado horizontalmente e colado com argamassa de cimento com aditivo de silicone. As garrafas eram realmente capazes de exercer a função dos tijolos. Com mil Wobos era possível construir um abrigo de 33 metros quadrados.

No ano de 1963, foram produzidos 100.000 WOBOs, em dois tamanhos, 350 e 500 mm. Esta diferença de tamanho foi necessária para a colagem das garrafas na construção de uma parede, da mesma forma que o meio tijolo é necessário na construção com tijolos.

A ideia foi bastante inovadora, no entanto não teve continuidade. Hoje elas são consideradas relíquias, encontradas apenas nas mãos de colecionadores. Infelizmente a maior parte delas foram destruídas e não restam garrafas.

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Existem apenas duas estruturas WOBO e ambas estão no museu da marca em Amsterdã. propriedade da Heineken em Noordwijk, perto de Amsterdã. O primeiro é um pequeno barracão que tem um telhado de chapa metálica zincada e suportes de madeira onde o construtor não conseguia descobrir como resolver a junção entre gargalos e bases que corriam na mesma direção. Mais tarde, uma garagem dupla de madeira foi renovada com tapume WOBO.

Alfred Heineken não desenvolveu mais o conceito WOBO e a ideia nunca teve a chance de se materializar. Rinus van den Berg, um designer industrial e arquitetônico holandês projetou vários edifícios enquanto trabalhava com John Habraken nos anos 1970. Um projeto foi publicado na Domus 1976.

O interesse reacendeu-se em 1975, quando Martin Pawley publicou Garbage Housing, que incluía o capítulo 'WOBO: um novo tipo de mensagem numa garrafa'. A Heineken mais uma vez abordou Habraken, que se juntou ao designer Rinus van den Berg e projetou um prédio com tambores de óleo para colunas, tampas de ônibus Volkswagen para telhado e garrafas WOBO para paredes, mas a estrutura nunca foi construída.

08 agosto 2026

Os Cavalos Guiness



O final do século dezoito viu a conclusão do Grande Canal em Dublin, juntando-se ao Rio Liffey e ao Rio Shannon. O Shannon é o principal rio da Irlanda, que atravessa onze condados. Isso significava que o Guinness Stout poderia ser disponibilizado fora de Dublin pela primeira vez. Cavalos foram usados para rebocar barcaças contendo barris de madeira de stout ao longo do rio, bem como trazer matérias-primas para a cervejaria.


A St James’s Gate, Cervejaria Guiness, mantinha sua própria equipe de cavalos, com cocheiras situadas no centro do complexo. Os cavalos da Guinness pertenciam a raças de grande porte destinadas à tração, e cada animal recebia um nome próprio. Entre eles estavam William, Roy, Cecil e Bruce. Ocasionalmente, os cavalos eram nomeados em pares; a cervejaria tinha seus próprios "Orgulho e Preconceito", "Trovão e Relâmpago" e "Rima e Razão".


Uma equipe de condutores de carroças de carga (carroceiros) foi contratada pela cervejaria para cuidar dos cavalos e operar os veículos. Eles ganhavam, no início do século XIX, 19 xelins (€ 1,41) por semana valor que subia para 21 xelins (€ 1,55) semanais após um ano de trabalho. Um conjunto especial de diretrizes foi elaborado para garantir que os cavalos recebessem cuidados da mais alta qualidade. Inspeções eram realizadas 12 vezes ao ano, e prêmios eram concedidos aos condutores cujos cavalos estivessem mais bem cuidados.


Os cavalos eram cuidados diariamente, com atenção especial às patas, orelhas e cascos. Eram alimentados e recebiam três refeições de alta qualidade por dia, além de um agrado à noite aos sábados. Os cavalos da Guinness participavam regularmente de desfiles e competições. Havia um registro para cada cavalo, documentando seu tempo de serviço e se haviam conquistado prêmios.


A Guinness vendeu sua frota de cavalos em 1932, optando, em vez disso, por alugar cavalos de terceiros, da empresa Richardson. O último cavalo foi utilizado pela cervejaria em 1960, encerrando a era dos cavalos na Guinness.

A Cerveja Guiness e o Guiness Book



A Cerveja Guiness


A Guinness é uma marca de cerveja irlandesa que começou sua história exatamente no dia 31 de dezembro de 1759 no coração da cidade de Dublin, em St. Jame’s Gate, onde o protestante Arthur Guinness alugou de uma família inglesa uma fábrica e os terrenos que a circundavam por míseras 45 Libras (£45) ao ano (incluindo o fornecimento de água), em um contrato de arrendamento de 9 mil anos (a maior barganha imobiliária desde que o explorador holandês Peter Minuit adquiriu Manhattan por meros US$ 24), iniciando assim a produção de suas próprias cervejas.



Lançadas inicialmente no mercado com os nomes de Guiness Porter e Guiness Ale. Uma década mais tarde o primeiro carregamento da cerveja era enviado à Inglaterra através de uma caravela. Apesar disso, somente em 1794 a cerveja começaria a ser consumida regularmente na cidade de Londres. Pouco depois, em 1799, Arthur resolveu encerrar a produção da cerveja Guiness Ale para se concentrar na fabricação da Porter.

Em 1802, a cervejaria lançou a Guiness Foreign Extra Stout, cerveja produzida primeiramente em Dublin e destinada ao mercado exterior na época. Com isso, o primeiro carregamento da cerveja foi exportado para as Índias Ocidentais. Essa cerveja, ainda hoje, é extremamente popular na África, especialmente na Nigéria, Gana, Quênia e Camarões. No ano seguinte, com a morte de Arthur aos 78 anos, seu filho, Arthur Guinness II, assumiu o comando da cervejaria e expandiu as exportações para Barbados e Trinidad e Tobago no Caribe. Já em 1815 a marca Guiness era conhecida em boa parte do continente europeu. Segundo uma lenda a cerveja ajudou na recuperação de oficiais da cavalaria feridos durante a batalha de Waterloo, aumentando assim a mística em volta da marca.

Em 1820, a cervejaria lançou a Guiness Extra Stout, cerveja mais próxima da original produzida pela primeira vez em 1759. Esta cerveja foi praticamente absorvida com o lançamento da Guiness Draught, respondendo por apenas 5% das vendas da cervejaria nos dias de hoje. Em 1827 Guiness foi exportada para o pequeno país de Serra Leoa, então colônia britânica, sendo a primeira vez que a cerveja ingressava no continente africano. Pouco depois, em 1833, a empresa se tornou a maior cervejaria da Irlanda. No ano seguinte, a cerveja começou a ser engarrafada em embalagens de vidro, que substituiu a porcelana. Em 1840, o primeiro carregamento da cerveja foi enviado para a cidade de Nova York.

      


Até o início do século XX, a Guinness fornecia sua stout em grande quantidade para empresas de engarrafamento e proprietários de pubs, que a transferiam de barris de madeira para garrafas. Cada engarrafador ou dono de pub usava seu próprio rótulo, resultando em um mosaico de nomes e designs.

Para proteger a marca à medida que a Guinness expandia para o exterior, a empresa criou seu próprio rótulo de garrafa em 1862, foi o primeiro passo rumo a uma identidade visual unificada. O rótulo era impresso e fornecido diretamente aos engarrafadores autorizados, que concordaram em vender "nenhum outro brown stout em uma garrafa." Esse era o controle inicial da marca na prática, garantindo que ninguém pudesse passar outro stout como Guinness.

Os rótulos são mundialmente conhecidos pela icônica harpa dourada que foi adotada em 1862, como símbolo e foi inspirada na Clarsach de Brian Boru (também conhecida como a Harpa O’Neill do Trinity College) é uma famosa harpa céltica medieval de cordas de metal guardada no Trinity College Dublin, na Irlanda, mas voltada para a esquerda para não confundir com o brasão de armas da Irlanda. Embora leve o nome do Grande Rei Brian Boru, o instrumento foi construído no século XIV ou XV, cerca de 400 anos após a morte do rei em 1014 e pela assinatura de Arthur Guinness, tendo sido registrada como marca em 1876. A marca possui uma identidade visual clássica que evoluiu ao longo dos anos, mantendo o fundo preto ou creme e estampando diferentes variações de suas famosas cervejas stout.

No final desta década, em 1868, o tamanho da cervejaria dobrou para mais de 50 hectares e se espalhou para o norte do rio Liffey, onde foram construídos novos prédios que eram ligados por uma malha ferroviária. Quase 20 anos depois a St. Jame’s Gate foi considerada a maior cervejaria do mundo com produção anual de 1.2 milhões de barris. Por manter sempre um rigoroso foco na qualidade de sua produção, mesmo durante todo o período de expansão, a Guiness tornou-se em 1908 a cerveja mais consumida do mundo. Dois anos mais tarde, aproximadamente 50% do volume de Guiness vendido nos Estados Unidos já era engarrafado localmente.

Em 1936 se tornou a primeira cervejaria com filial fora da Irlanda, construída no Park Royal, em Londres. Pouco depois, no ano de 1939, em plena Segunda Guerra Mundial, a Guiness enviou uma garrafa de cerveja para cada soldado britânico em combate na França para comemorar o Natal. Finalmente em 1958, a cervejaria lançou o que se tornaria seu maior ícone: a Guiness Draught, cerveja preta ou escura, introduzida primeiramente na Inglaterra, e somente dois anos depois na Irlanda, se tornando a cerveja escura mais consumida do Reino Unido. Foi a primeira cerveja nitrogenada do mundo. Hoje em dia esta cerveja representa aproximadamente 55% das vendas de toda a cervejaria.

Em 1962 foi inaugurada na Nigéria, localizada na cidade de Lagos, a primeira cervejaria da marca fora da Grã Bretanha. No ano seguinte a cerveja começou a ser produzida na Austrália e, em 1965, na Malásia, seguida por Jamaica, Gana e Canadá. Finalmente em 1967 a cerveja Guiness Draught foi introduzida oficialmente no mercado americano. O sucesso da marca na Nigéria levou a marca a inaugurar mais uma cervejaria no continente africano, desta vez na República dos Camarões em 1970. Nos anos seguintes a marca continuou sua expansão internacional e, já em 1985, a cerveja era vendida em 120 países ao redor do mundo.

      


Em 1988 a marca lançou uma das maiores inovações no segmento cervejeiro: a Guiness Draught em lata, que possuía uma cápsula propulsora de nitrogênio, responsável pela liberação do gás quando o lacre era rompido, misturando-o ao líquido no momento em que este era derramado no pint (por este motivo, a Guiness deve ser consumida no pint, e não diretamente na lata). Atualmente a cerveja em lata da marca, que se tornou um verdadeiro sucesso de mercado, pode ser encontrada em mais de 120 países. Em 1997 a cervejaria realizou uma fusão com a Cervejaria Grand Metropolitan, resultando na formação da Diageo, atual proprietária da marca Guiness. Ainda nesse ano, o O’Malley’s Shanghai foi o primeiro pub a servir Guiness na China, ingressando assim em um enorme mercado consumidor.

Em 2009, quando a marca completou 250 anos, a empresa criou uma grande jogada de marketing: o dia 24 de setembro se tornou “Arthur’s Day” e exatamente as 17h:59s (referência ao ano de fundação da cervejaria, que coincidiu também com o famoso “happy hour”), todos os bares/pubs das cidades de Dublin, Kuala Lumpur, Lagos, Nova York e Yaoundé (na república dos Camarões), fizeram uma homenagem ao fundador da tradicional cervejaria quando os frequentadores levantaram um pint de Guiness. Essa celebração fez tanto sucesso que tem sido realizada desde então, sendo difundida ao redor do mundo. Na Europa, algumas datas comemorativas se tornaram sinônimo de Guiness e uma tradição para a marca, como por exemplo, o St. Patrick’s Day (dia de São Patrício), o Dia Mundial do Rock e o Halloween (Dia das Bruxas), que também tem origem celta e foi levado para os Estados Unidos pelos irlandeses. Somente no Dia de São Patrício (santo padroeiro da Irlanda), comemorado em 17 de março no mundo inteiro, são consumidos 13 milhões de pints de Guiness.

Em 2014 a Guiness lançou o The Brewer’s Project, iniciativa que estimulava grupos de cervejeiros a explorar novas receitas, reinterpretar as antigas e colaborar livremente criando novas cervejas para mercados específicos. O projeto começou no oeste europeu, quando a marca lançou a Guinness Dublin Porter (inspirada na era de ouro do estilo, uma época em que a Porter era “a” cerveja dos homens que trabalhavam pesado em Dublin e Londres, essa cerveja tem notas de toffee e chocolate e um teor alcoólico de 6%) e a Guinness West Indies (primeira receita da cervejaria fabricada para manter seu frescor, em longas viagens marítimas para o Caribe e redondezas, essa cerveja tem notas de caramelo escuro e um surpreendentemente teor alcoólico de 3.8%).

Mundialmente conhecida por cervejas escuras, a marca irlandesa lançou no mês de setembro de 2014, nos Estados Unidos, a Guiness Blonde American Lager, uma cerveja clara tipo lager. O novo rótulo era uma clara tentativa de evitar o declínio da cervejaria que tem como carro-chefe a cerveja Irish Stout (escura). De acordo com dados da própria Diageo, fabricante da Guiness, as vendas da cerveja escura em solo americano recuaram 6% em 2013. A produção foi resultado de uma parceria entre a Diageo e a City Brewing Company, cervejaria de Latrobe, na Pensilvânia. A produção dessa nova cerveja era parte de um programa batizado Discovery Series, que contaria com uma variedade de estilos, alguns em edições limitadas, comercializados sob a marca Guiness. Esta não foi a primeira tentativa da marca em lançar no mercado uma cerveja clara. Em 1988 foi lançada a Guiness Gold, mas que não atingiu o sucesso desejado e teve a produção encerrada em 1993.

Ainda em 2014, a tradicional cervejaria irlandesa lançou em edição especial e limitada a Guiness The 1759, uma cerveja ale âmbar com 9% de teor alcoólico, inspirada em uma receita de 200 anos e fabricada a partir do mesmo malte utilizado na produção dos melhores uísques e da adição do fermento Guinness, ganhando assim notas de caramelo e manteiga. Cada uma das 90.000 garrafas, de pouco mais de 750 ml e com rolha de cortiça, era embalada em uma elegante caixa preta de veludo. Para se ter uma ideia da escala, este volume equivale apenas a uma hora da produção da GUINNESS tradicional. Este foi o primeiro lançamento da nova série Guinness Signature Series, que contaria com uma variedade de cervejas de edição de luxo limitadas feitas de raros e muito bem pensados ingredientes.

A Guiness sempre foi mundialmente conhecida por sua cerveja stout. Porém, nos últimos anos, suas vendas estagnaram nos Estados Unidos, um de seus maiores mercados, muito em virtude da crescente popularidade das cervejas artesanais entre o público amante da bebida. Com isso, a marca irlandesa precisava reagir e passou a lançar no mercado americano diversos estilos de cerveja, como por exemplo, uma ipa, assim como cervejas de trigo, lagers e cervejas experimentais. Desde 2018 os vegetarianos mais convictos já podem degustar uma Guiness sem medo, depois que a cervejaria irlandesa decidiu parar de usar gelatina de peixe na filtragem de todas as suas versões (barril, lata e garrafa). A empresa afirmou que parou de usar a Isinglass, uma substância obtida da bexiga de algumas espécies de peixes, utilizada no processo de filtragem das cervejas. Após centenas de anos (literalmente) fabricando cerveja do mesmo jeito, a mundialmente aclamada marca topou fazer uma mudança em seu modo de produção para conquistar novos consumidores, os veganos.

Em 2020, para conquistar uma nova gama de consumidores, a marca irlandesa lançou a Guiness Draught 0.0, uma versão mais sóbria de sua tradicional Irish Stout e a primeira cerveja sem álcool que saiu de sua tradicional fábrica na Irlanda em seus 261 anos de existência. A versão não alcoólica da Guiness possui o mesmo gosto suave, sabor perfeitamente equilibrado e cor escura única da cerveja tradicional. Para fabricá-la, o processo de produção utiliza as mesmas etapas do produto original com a adição de um processo de filtração a frio que remove o álcool sem trazer um stress térmico à bebida, o que a protege de danos a suas características sensoriais, sendo complementada por um acerto fino de seus cervejeiros para garantir o perfil de sabor característico da Guiness.

Com mais de 260 anos de história, a cerveja é produzida com a mesma composição que a consagrou: malte irlandês, a mais pura água de Dublin, lúpulo e levedura. O malte é torrado, o que lhe confere a coloração rubi-avermelhada e o paladar tostado. Esta mistura única proporciona uma cerveja tipo stout, de alta fermentação, cujo balanço entre o amargor do lúpulo e a doçura do malte é facilmente perceptível. E há mais de 30 anos a cervejaria desenvolveu o sistema de chope em lata, alcançando tecnologia jamais vista no mercado cervejeiro.

A Guinness é produzida em uma rede de cervejarias ao redor do mundo sob a propriedade da Diageo e licenciados locais, sendo produzida localmente em 60 países e comercializada num total de 120 países, possuindo 80% de participação no mercado mundial de cerveja preta. Ao redor do mundo, 170 mil pubs consomem 10 milhões de copos (pints) de Guinness diariamente.

A marca chegou ao Brasil em 2001 e é importada diretamente da fábrica de St. Jame’s Gate. Presente em pubs de diferentes estados e em mais de 300 supermercados e lojas especializadas, a marca registrou, nos últimos anos, um crescimento forte em suas vendas. Guiness é a sexta maior cervejaria do mundo, proprietária de marcas como Harp (criada em 1960) e Kilkenny (criada em 1710), Red Strip, Kaliber, Smithwick's Ale e participante de fusões com cervejarias locais ao redor do mundo. Suas vendas chegam a de 2,7 bilhões de litros de cerveja por ano.


O Livro Guiness dos Recordes

O Guinness World Records (antigo Guinness Book of Records, lançado em português como Livro Guinness dos Recordes) é uma edição publicada anualmente, que contém uma coleção de recordes e superlativos reconhecidos internacionalmente, tanto em termos de performances humanas como de extremos da natureza.

Em 2003, o livro chegou a 100 milhões de cópias vendidas, desde a sua primeira edição em 1955, sendo o décimo livro mais vendido da história, o de 2009 é o quinquagésimo-quinto.

A ideia surgiu no início da década de 1950, mais exatamente em 10 de Novembro de 1951, Sir Hugh Beaver (1890-1967), diretor-executivo da Arthur Guiness, Son And Company, empresa que fabrica a cerveja Guiness, participou de uma festa de tiro (caçada) no Condado de Wexford. na Irlanda.

No final da tarde, início da noite, encontrou com seus amigos e disse que não havia conseguido abater nenhuma tarambola porque o pássaro era muito rápido, pois segundo ele era o mais veloz da Europa. Lá, ele e os seus anfitriões envolveram-se numa discussão sobre o pássaro de caça mais veloz, a tarambola ou o tetraz. Discutiu um pouco com seus amigos, mas sem chegar a nenhum consenso, nessa época não existia livro de referência ou enciclopédia que pudesse oferecer informações concretas sobre qual seria a ave de caça mais veloz da Europa.

Em 1954, recordando a discussão que tinha tido naquela caçada, Sir Hugh teve a ideia de uma promoção de Guinness baseada na ideia de resolver as discussões nos pubs e convidou os gémeos Norris (1925-2004) e Ross McWhirter (1925-1975), que eram investigadores da Fleet Street, para compilar um livro de fatos e dados.

O Guinness Superlative foi constituído em 30 de novembro, e seu escritório começou a funcionar em duas salas de um ginásio adaptado, no último andar do Ludgate House, na Fleet Street número 107.

Após uma fase inicial de pesquisa, começou o trabalho de escrita do livro, que levou 13 semanas e meia de 90 horas de trabalho, incluindo fins de semana e feriados. Mal sabiam os McWhirters que estavam dando forma a um livro que se tornaria um dos maiores best-sellers de todos os tempos e uma das marcas mais reconhecidas e confiáveis do mundo.  A primeira edição foi publicada em 27 de agosto de 1955 e, no Natal daquele ano, já havia chegado ao topo da lista dos mais vendidos do Reino Unido.

Atualmente, o Guinness World Records é uma marca global, com escritórios em Londres, Nova Iorque, Pequim, Tóquio e Dubai, com embaixadores da marca e adjudicadores espalhados ao redor do mundo. 

Com a missão de documentar o incrível, ele pode ser encontrado todos os anos nas páginas do livro, seja sob a forma de um sonho pessoal de uma vida toda, ou de uma tentativa em equipe em de uma empresa de 5.000 funcionários, o poder de quebrar recordes é notável, e continua a inspirar proezas e realizações surpreendentes todos os dias, em todo o mundo.

04 agosto 2026

Cornos x Chifres, Sabe a Diferença ?





Atualmente há muitas logomarcas de animais em rótulos de garrafas ou latas de cerveja, usando muita criatividade e belos desenhos, mas a verdadeira obra de arte são as logomarcas antigas, é muito comum as logomarcas com bois, touros, bodes, cabritos, etc. que são animais possuidores de cornos e não chifres.(vide: Os bovinos na Cerveja ou Os Caprinos na cerveja).

Cornos e Chifres, provavelmente você já ouviu falar dessas estruturas, mas você sabe qual é a diferença entre elas? Você sabe quais animais apresentam cornos e quais apresentam chifres?

Esses termos são muito confundidos. Por exemplo, está no senso comum que as vacas e os bois apresentam chifres, mas não, esses animais apresentam cornos! Vamos entender as diferenças entre essas duas estruturas?

Essas estruturas são visíveis e estão presentes em alguns grandes ungulados (mamíferos com casco). São coletivamente chamados de apêndices cranianos. Acredita-se que possuam a função de defesa, reconhecimento social, apresentação sexual e disputa entre os machos por fêmeas e território.

No geral, tanto os chifres como os cornos são derivados do osso frontal do crânio, mas apenas os chifres costumam ser ramificados. Os cornos são recobertos por queratina e os chifres por uma camada de pele altamente vascularizada, denominada veludo.

O crescimento dos cornos é acompanhado pela deposição de queratina, tipo de material morto, que se estende além da projeção óssea, ficando uma parte composta apenas desta estrutura. Eles são encontrados nos machos e fêmeas dos ungulados artiodáctilos (ungulados que possuem dedos pares) ruminantes atuais: bodes, touros, antílopes etc. Eles crescem continuadamente e não são trocados ao longo da vida do animal.

    


Nos chifres, à medida que eles crescem, ocorre o revestimento da camada de veludo e, diferentemente dos cornos, eles costumam ser trocados anualmente. A troca ocorre quando o chifre está “maduro”, havendo a interrupção da circulação no veludo, assim essa estrutura morre e vai saindo dos chifres, deixando o osso exposto. Nesse momento, o chifre cai e outro nasce no lugar, sendo acompanhado por uma nova camada de veludo.

Os chifres estão presentes e são encontrados apenas nos machos da maioria dos cervídeos. Contudo, também estão presentes nas fêmeas de renas e de alguns caribus.


  

Existem algumas variações dos cornos e chifres que fogem ao padrão comum. As estruturas presentes no topo da cabeça das girafas, por exemplo, apesar de serem revestidas por pele, ao invés de queratina, são tipos de cornos.

  
Nesses animais, os cornos são chamados de ossicones e apresentam formação e constituição diferenciada. O seu crescimento não ocorre a partir do osso frontal, e sim de um osso separado, que se funde ao frontal durante o desenvolvimento e, depois disso, ocorre o depósito de pele.

Outra variação dos cornos também pode ser observada nos rinocerontes. Estes animais apresentam cornos únicos, ao invés de pareados, que não se desenvolvem acima dos olhos, como nos demais animais com cornos, e sim na linha média da região do nariz. Além disso, são constituídos apenas de queratina.

  

E por fim, temos os cornos ramificados e decíduos, encontrados somente nas antilocapras (ungulados artiodáctilos nativos da América do Norte), com um único represente vivo a Antilocapra americana. Diferentemente dos demais, eles são estruturas incomuns, uma mistura de corno e chifre. Consistem em uma bainha córnea sobre um núcleo ósseo (como nos antílopes), mas estas bainhas são bifurcadas nos machos e trocadas anualmente como nos cervídeos.

Fixando conceitos com um pouco de humor…

Para ajudar nos argumentos e embasar o uso mais adequado dos termos, aproveito a apropriação popular para fixar alguns pontos de maneira descontraída:
1) Corno é para sempre, uma vez corno, sempre corno!
2) Quem teve um chifre na vida, voltará a ter outros!
3) Cuidado ao dizer que a fêmea é chifruda, isso está biologicamente errado, pois só os machos possuem chifres (veja a exceção no texto).
4) chifres tem ciclos: começam pequenos e se tornam complexos e mais pesados com o passar dos anos.
5) chifres estão mais intimamente associados à questão reprodutiva (pode ser uma traição com filhos, quem sabe?) enquanto cornos dão mais ibope para brigas (certeza que vai dar divórcio litigioso). Faça suas escolhas!