sábado, 4 de abril de 2026

Copos de Cerveja






Quem gosta de cerveja de verdade e não bebe apenas por beber ou pelo fator social, característica marcante dessa bebida, sabe que existem diferentes tipos de copos para cerveja. O modelo do copo de cerveja é um dos itens fundamentais para garantir a experiência mais adequada para a degustação de cada estilo, ele pode realçar atributos como aroma e visual da bebida. A espessura da borda, o material que é feito, o peso, formato e transparência são alguns dos quesitos que além de colaborarem para uma bela apresentação, valorizam os aspectos sensoriais de cada tipo de cerveja.

E caso vocês não acreditem muito nessa coisa de copo influenciar o sabor ou aroma da cerveja, façam um teste. Pode ser difícil notar as diferenças no começo, mas é apenas uma questão de treino. Outro detalhe interessante dos copos é a apresentação. A função dos copos vai muito além da tarefa de dar suporte e receber a bebida. Suas variadas formas buscam conservar ou até mesmo dar um up grade no ato da apreciação da cerveja.

Como regra geral, em termos funcionais, há atributos gerais que podemos prestar atenção. Eles podem ser, por exemplo, altos e retos ou baixos e abaulados. No primeiro caso, o formato faz com que a cerveja passe mais rapidamente pela boca e aumente a sensação de refrescância. Já os mais baixos entregam a bebida mais gentilmente para a língua, favorecendo uma degustação mais demorada e cuidadosa do líquido. Já a boca pode ser mais larga ou estreita. Copos do primeiro tipo são mais indicados para cervejas mais aromáticas, deixando mais líquido em contato com o ar, possibilitando maior volatilização dos aromas. Já os estreitos são ideais para cervejas com menor carga sensorial. Já para os estilos mais leves e com aroma sutil, como Pilsners, os copos altos com borda mais estreita são ideais. Seu comprimento proporciona alta velocidade de escoamento e consequentemente potencializa a sensação de refrescância.

As taças não estão ligadas a nenhum estilo em específico, mas são cada dia mais usados com cerveja, seja pela elegância que confere, seja pela ergonomia que oferecem.

Antes do advento da tecnologia do vidro, a caneca foi muito usada como copo universal. Era feita de materiais diversos como metal, cerâmica, couro revestido, madeira ou até chifres de animais – todos eles tinham o mesmo objetivo: apresentar a bebida de maneira agradável e especial, aos cinco sentidos. Como era resistente, era vista como um recipiente prático, que comportava boa quantidade de líquido.

Na segunda metade do século XIX, com advento da Revolução Industrial, o vidro se tornou o material mais comum na fabricação de copos. Sua transparência possibilita que visual da bebida seja analisado, sua coloração, brilho, turbidez, assim como a espuma e sua estabilidade. As Ales complexas, normalmente pedem copos de cerveja com boca maior, para que as riquezas dos aromas sejam volatilizadas e sua espuma, acomodada. A tecnologia de mecanização barateou a produção dos recipientes feitos a partir do material, o que tornou possível a popularização de copos de vidro para beber cerveja.

Nesta época, as cervejas claras e brilhantes estavam em alta, as Pale Ales inglesas faziam sucesso, se tornaram populares e objeto de cobiça entre cervejeiros e consumidores. É neste cenário que os bávaros, como resposta à boa aceitação às cervejas claras, criaram a elegante cerveja Bohemian Pilsener, que caiu nas graças de todos. A partir daí, os copos de cerveja feitos a partir do vidro, que buscavam valorizar e deixar coloração e visual da cerveja visíveis, tiveram o desenvolvimento acelerado, em diferentes geometrias e tamanhos.

Pelo que sei essa história toda de copos começou na Bélgica, onde cada cervejaria produzia os copos específicos para as suas cervejas, de modo que suas características fosse realçadas e que sua marca/imagem fosse divulgada. Mas temos que concordar que uma cerveja bem apresentada faz muita diferença no momento da degustação.

Já o aroma é uma das principais características da cerveja, a mais difícil de identificar. No momento em que os copos são desenhados ou projetados, consideram-se os aromas para que, segundo o fabricante, o formato do copo ajude a realçar o bouquet da cerveja. Com isso, os apreciadores ganham muito mais sabor e prazer ao degustar uma cerveja.

Entre as centenas, vejamos alguns tipos mais comuns de copos e algumas anotações:

Americano, Taça, Caldereta, Cilíndrico, Flauta, Lager, Mass, Pilsner, Pint, Pokal, Snifter, Tulipa, Tumbler, Weizen.

Obs: Os copos relacionados na imagem acima não tem relação de tamanho são somente par a identificação de formato.

Copo Americano - O famoso "copo de boteco" brasileiro, tem 190ml e é ideal para cervejas leves como American lager e Pilsen, as mais comumente encontradas no Brasil (Skol, Antártica, Kaiser, Brahma e tantas outras);

Copo Pilsner - Taça com pé, em formato de cone: valoriza a espuma da cerveja, tem bordas estreitas, ideal para os aromas leves. Como é alto, tem alta velocidade de escoamento o que aumenta a sensação de refrescância. Ideal para: Bohemian Style Pils, German Style Pils, Vienna Style Lager Pilsner;

Copo Lager - É uma versão mais simples do copo Pilsner sem o pé, usualmente utilizado para o chope, muito conhecido no Brasil como tulipa de chope. No entanto, não confunda esse tipo de copo com o copo tulipa, possui formato alongado que facilita a formação de creme, tem bordas estreitas e proporciona alta velocidade de escoamento do líquido para a boca, o que faz com que este modelo seja indicado para as lagers leves, ideal para estilos como Pilsner e American Lager. Ideal para: Bohemian Style Pils, American Style Lager, American Style Light lager e American Style pale Ale;

Copo Caldereta ou Shaker - Comumente usado para servir chope em algumas cervejarias, este é um tipo de copo bastante prático, facilita a operação em bares e restaurantes porque é versátil e resistente. Seu tamanho possibilita servir um volume pouco acima de 300 ml, este modelo é boa pedida para cervejas de vários estilos: IPAs, lagers escuras, Porters e Stouts. Tal como o Pint, sua borda é larga, o que facilita a dispersão dos aromas e valoriza a espuma, normalmente, é menor do que os pints ingleses. Ideal para: American Style India Pale Ale, American Style Brown Ale, American Style Sour Ale. mas pode ser utilizado também para English e American Ales ou para algumas Lagers escuras;

Pint ou Becker - É o copo mais comum em pubs ingleses e irlandeses, pois é simples, barato e comporta uma grande quantidade de cerveja. Ideal para as cervejas do tipo Bitter e Stouts. Pode servir cervejas de estilos como IPA, Session IPA, Stout, Porter e Bitter, há três tipos:

1 - English Pint, Irish Imperial - Usado tipicamente em Ales inglesas, o modelo surgido no século vinte, em 1948, é prático e resistente. Ganhou o nome de uma antiga medida inglesa equivalente a 568 ml. Seu formato valoriza os aromas e facilita uma degustação mais rápida. Ideal para: English Style pale Ale, English Style India Pale Ale, Old Ale, Ordinary Bitter;

2 - Pint Nonic, Meio Pint ou Copo 280 ml - Com seu perfil alto e reto que permite que a cerveja revele todas as suas cores e sua boca larga que promove a formação de um belo gargalo de espuma, usado para servir English Ales, desde o começo dos anos 1960, é boa sugestão para cervejas aromáticas e com teor alcoólico mais baixo, como as Session beers. A parte superior, abaulada, facilita o encaixe da mão em baixo, tornando o copo uma opção confortável para beber de pé, como nos pubs ingleses. Ideal para: Session Beer, American Style Pale Ale, English Brown Ale;

3 - American Pint - O copo leva o nome da unidade de medida que corresponde a 473ml nos EUA. É o mais tradicional para receber Stouts e demais Ales inglesas, o estreitamento na parte inferior ajuda na diminuição da transferência de calor. Ideal para: American Pale Ale, Ordinary Bitter, Special Bitter, Extra Special Bitter;

Copo Weizen - Mais um que o nome já diz muito. É ideal para cervejas do tipo Weiss, as de trigo, especialmente as alemãs, o formato é interessante pois facilita a “pegada” e o seu tamanho também é justificado pela necessidade de acomodar todo o conteúdo da garrafa, uma vez que cervejas de trigo precisam ser servidas de uma só vez, para garantir a homogeneização do fermento. e ainda sobra espaço para a espuma, como manda a tradição do estilo. Tem as características necessárias para a apreciação das cervejas de trigo: a capacidade de mais de 500ml abarca o conteúdo de uma garrafa inteira, mantendo tanto as leveduras do fundo quanto a boa formação de espuma; Como ele é alto, o líquido escorre rapidamente para a boca, homogeneizando o fermento e propiciando sensação refrescante, além de estimular a espuma, já que cada movimento mexe um grande volume da bebida no copo. Outro detalhe favorável deste modelo de copo, que contribui para que a Weizenbier seja saboreada da melhor forma possível: tem a boca larga e facilita a liberação dos aromas da bebida. Sua altura possibilita que as bolhas de gás carbônico, que sobem pelo líquido, sejam visualizadas, o que além de beleza garante a tradição à bebida. Indicado para: South German Style Weizenbier;

Copo Tulipa - É ideal para cervejas que possuem bastante creme, como a Duvel e outras Strong Ales belgas. O desenho é baixo e elegante, permitindo também observar a evolução do creme. A Tulipa parece mais com uma taça de conhaque, porém com a boca do copo virada para fora. Semelhante ao snifter mas com a boca virada para fora, a tulipa permite a expansão dos aromas e é indicado para cervejas de estilos como Belgian Strong Ale, é uma taça versátil e recebe bem muitos estilos aromáticos. Seu bojo ajuda na dispersão dos aromas e a boca estreita os concentra. A curva na borda ajuda a espalhar melhor a cerveja pela língua, tornando a apreciação mais lenta e agradável e por fim, a curvatura na parte superior colabora para a estabilidade da espuma. Ideal para: Belgian Style Blonde Ale, French & Belgian Style Saison, Belgian Style Strong Ale;

Taça Goblet ou para cervejas Trapistas - Foi idealizado para saborear as grandes trapistas belgas. Também podem ser usados com os estilos Dubbel, Tripel e Quadrupel. Ideal para apreciar as aromáticas cervejas belgas, a taça possui uma boca larga que possibilita a maior percepção dos aromas. costuma ser adornado com bordas douradas, indicado para cervejas com potência e intensidade aromática, sua boca é larga e corpo arredondado. O formato, que conta ainda com uma haste, além de deixar a cerveja mais bela e atrativa, evita que o calor das mãos seja transferido para a bebida. Ideal para: cervejas trapistas e de abadia, como: Belgian-Style Dubbel, Belgian-Style Tripel, Belgian Style Dark Strong Ale;

Bolleke - Trata-se de uma variação da Taça Goblet, que se diferencia por conta da sua boca, que é muito mais larga, justamente para valorizar e volatilizar os aromas da cerveja. Foi usado pela primeira vez em Antuérpia, pela cervejaria belga De Koninck. A famosa Abadia Trapista Orval, localizada também na Bélgica, também indica o modelo para o consumo de sua cerveja. Ideal para: Belgian Style Blonde Ale, Belgian Style Dubbel, Belgian Style Quadruppel, Belgian Style Bière de Garde;

Copo Flute (Flauta) – Seu formato por ser esguio possibilita que o creme demore mais para se dissipar. a flauta é mais usadas para beber espumantes e champanhes, mas são ideais para cervejas do tipo Faro, Lambic, Gueuze ou as champegnoises, como a belga Deus e a brasileira Lust, pois mantém a carbonatação por mais tempo,; valoriza a aparência, com delicadeza e aumenta a refrescância. Curiosidade: seu nome faz alusão ao formato longilíneo, que lembra uma flauta. Ideal para: Fruit Beer, Bière Brut;


Bierkrug, Tankard, Stein, Mug, Mass, Caneco de chope - Copo de cerveja tipo caneca, ou melhor, o velho e bom canecão de chope, é o típico canecão no qual você pode colocar até 1 litro de cerveja, é um clássico de festivais. Os antigos canecos chamados tankard são os tradicionais canecos alemães que tem uma tampa de metal, muito bem justificada: sua função é garantir que as folhas e flores dos famosos Biergartens, não caissem na cerveja. O formato influencia na velocidade do escoamento do líquido, o que proporciona sensação refrescante. Por ser bastante espesso, ajuda a manter a temperatura da bebida usado em uma das principais festas cervejeiras do mundo, especialmente uma das mais famosas, a Oktoberfest. Ideal para quem bebe rápido ou não se importa com a temperatura da cerveja Ideal para: German Style Oktoberfest, German Style Märzen, Münchner Dunkel;

Copo Pokal - É um copo bem versátil, considerado coringa para todos os estilos de cerveja, porém é mais indicado para cervejas mais carbonatadas, como Lagers em geral e algumas Bock e Witbier. Um dos copos de cerveja mais conhecidos mundo afora. Foca e valoriza a estética elegante e delicada. Propõe ao cervejeiro observar a cor da cerveja, seu brilho ou turbidez e a espuma. Tem boca um pouco mais estreita para reter/segurar aromas. Cervejas carbonatadas, claras ou escuras, são muito bem recebidas pelo modelo. Ideal para: Bohemian Pilsner, German Styel Pils, Bamberg Style Rauchbier;

Copo Stem - Com a boca um pouco mais larga que as do tipo Pokal, tem papel importante para observar o corpo da cerveja, a inclinação ao longo do copo colabora para a manutenção da espuma. Ideal para: cervejas Lagers, em geral como German Styel Pils , German Style Maibock, German Style Doppelbock;


Copo Yard ou Kwak -. Seu nome já dá uma ideia da sua funcionalidade. Tem capacidade de uma jarda ou um litro de cerveja, muito usado nas competições de chope em metro, é comum também em festas como a Oktoberfest. A boca larga, permite que os aromas se desprendam facilmente. Apesar de estranho a idéia é interessante pois não há contato da mão com o copo, o que faz com que a cerveja permaneça mais tempo na temperatura ideal. Entre os variados. Ele foi criado por Pauwel Kwak, um cervejeiro belga e proprietário de um estabelecimento em Dendermonde, interior do país. Naquela época, a região recebia muitas carruagens, que aproveitavam para fazer paradas para descanso e alimentação. Foi aí que ele percebeu que os cocheiros não tinham com quem deixar as charretes e, por conta disso, não bebiam nada. Pauwel desenhou então, um copo especial que pudesse ser carregado nas charretes, garantindo que seus condutores pudessem beber cerveja também;

Copo Tumbler - Sem haste e de base plana, é geralmente utilizado para beber cervejas tipo Witbier, como a Hoegaarden. Estas cervejas não formam muito creme e por isso o copo não precisa ter uma boa curvatura ou a boca fechada. Espesso e pesado, o tumbler possui capacidade aproximada de 400ml. Ideal para: Witbier, American Wheat Beer, Belgian Style Lambic e Blegian Style Gueuze lambic;

Copo Cilíndrico, Stange ou Stick– Copo cilíndrico, com bordas estreitas para cervejas menos aromáticas ou com aromas delicados. possui um formato fino facilitando a formação de espuma, alto e reto aumenta a velocidade com que o líquido entra na boca, o que proporciona aumento da sensação de refrescância. Ideal para: German Style Kölsh, Düsseldorf Altbier, Leipziger Gose;

Copo Thistle - Seu nome tem inspiração em uma planta exótica, chamada Thistle. Tem um bulbo elevado em sua base, remetendo ao formato de uma flor, para que o calor das mãos aqueça levemente a cerveja, contribuindo para que os aromas sejam liberados. É bastante comum na Escócia, onde é escolha para servir as potentes Scottish Ale. Copo Por apresentar uma base curva que facilita o encaixe da mão, contribui para o aquecimento da cerveja e liberação dos aromas. Use-o para cervejas do tipo Scotch Ale. Ideal para: Scotch Ale, German Style Esibock, Robust Porter;

Willybecher - Muito usado pelos alemães, principalmente na região da Baviera, tem três opções de tamanho, 200, 500 e 300 ml. Tem cintura fina e boca arredondada. Indicado para: Dortmunder Export, Bamberg Style Rauchbier e Vienna Style Lager;

Snifter, Napoleon ou Taça de Conhaque - Possui uma base larga, corpo bojudo que facilita a manipulação do líquido, aumenta a volatilização dos aromas enquanto o estreitamento da borda os concentra para serem apreciados. Este modelo é a pedida ideal para cervejas intensas e aromáticas de estilos como Barley Wine e Stout. Ideal para: Britsh Style Barley Wine, British Style Imperial Stout, Belgian Style Dark Strong Ale;,

Bota de Cerveja, Bierstiefel, Das Boot ou Beer Boot - É um dos modelos mais divertidos dentre os copos de cerveja, e é bastante conhecido na Alemanha e Estados Unidos. Tem formato de bota, variam desde copos pequenos até botas grandes de três litros, sendo o tamanho de dois litros o mais popular, é muito usado em festas ou competições com o objetivo de virar a cerveja sem derrubar o líquido. Comporta bem boa quantidade de líquido e a espessura grossa evita o aquecimento rápido. Quem nunca se encantou pelas charmosas botas de cerveja?

Samuel Adams - foi desenvolvido especialmente pela cervejaria Boston Beer Company, depois de dois anos de estudo e análise, para garantir a melhor apreciação possível dos aromas e sabores da cerveja Samuel Adams Boston Lager. Com capacidade de 473ml, é considerado o “Pint Perfect”, isto é, o copo perfeito para se tomar um Pint de cerveja;

Copo da Spiegelau - Em 2014, uma empresa especializada na produção de copos de cristais para vinhos, a Spiegelau, lançou versões especialmente para cerveja. Os copos de cerveja criados em parceria com cervejarias norteamericanas como Sierra Nevada, Dogfish Head, Rogue e Lefthand, destacam o aroma, ajudam na manutenção da carbonatação e acomodação da espuma. Indicado para: Wheat Beer, American Style Stout e American Style India Pale Ale.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Réplicas ou Falsas ?





Réplicas ou falsas? Difícil dizer, mas para os colecionadores de tampinhas “virgens”, isto é, as que nunca foram usadas para fechar uma garrafa, um grande problema é a chamada “réplica ou tampinha falsa”.

No caso do Brasil, com o boom das cervejas artesanais onde a produção é pequena, ficou inviável mandar fazer tampinhas nas grandes empresas existentes. Surgiram, então, algumas metalúrgicas que produzem as tampinhas chamadas pelos colecionadores "tampinhas lisas", são tampinhas feitas de uma só cor e vendidas em qualquer quantidade.

Com a procura surgiram também outro tipo de empresa, as personalizadoras de tampinhas, que não são metalúrgicas, não fabricam a tampinha, somente prestam serviço de impressão. Imprimem em tampas de uma só cor que compram de fabricante brasileiro (Brasilata, etc.) ou estrangeiro ou, ainda, utilizam as tampas que o cliente já comprou algum tempo atrás. Essa impressão geralmente é em uma só cor barateando o processo, atendendo os clientes que necessitam de pouca quantidade.

Normalmente são empresas de médio porte que prestam serviços de impressão em brindes e que imprimem também em rolhas metálicas (tampinhas), utilizando máquinas e processos de tampografia ou serigrafia, o primeiro: é um processo de impressão, semelhante a carimbo, que se destaca pela precisão, qualidade e agilidade, é ideal para imprimir desde os mínimos detalhes, podendo imprimir até na face interna da tampinha, já a serigrafia: é um processo de impressão que trabalha em superfícies planas e cilíndricas, ela se destaca por ser econômica. É utilizada na impressão de canecas, squeezes, estampas de camisetas, entre outros.

Há colecionadores que mandam imprimir réplicas para preencher vagas na coleção e normalmente fazem trocas ou negociam essas réplicas – O problema é que não há indicação de réplica na tampinha e tem algumas pessoas de caráter duvidoso que se aproveitam disso e as negociam por um alto valor como se fossem verdadeiras.

Em uma maior dimensão há também os vendedores especializados em mandar fazer e negociar sets completos principalmente estrangeiros de tampas falsas (réplicas). Mas é fácil de desconfiar de provar não).

Lembretes para desconfiar e não ser enganado:
1 - As réplicas ou falsas feitas à partir de tampinhas de uma só cor não tem impressão da empresa de bebida na borda lateral (saia) porque quando da fabricação da tampinha original a impressão da parte de cima, da lateral (saia) e do logo é feita na chapa antes do corte e da corrugação (dentes) enquanto as réplicas são impressas, uma à uma, nas tampinhas prontas e já com corrugação impedindo essa impressão lateral.
2 - As réplicas ou falsas feitas à partir de tampinhas de uma só cor, normalmente tem algum logotipo da metalúrgica que somente fabricou a tampinha lisa e que ali permanece por não poder ser apagado e como na hora da impressão não há preocupação com a posição deles é comum estarem colocados em lugares que diferem de onde normalmente as empresas o colocariam. Normalmente as empresas produtoras de tampinhas colocam o logo na mesma posição, pelo menos durante um tempo.
3 - As réplicas ou falsas feitas à partir de Tampinhas lisas não pintadas, isto é, tampinhas que não tem a tinta base, normalmente não tem o logotipo da metalurgica que a fabricou por não passar pelo processo de impressão.
4 - Posições do logo da metalúrgica não condizentes com a normalidade, cada metalúrgica tem um lugar que usa quase sempre na lateral (saia) da tampinha

É bom prestar atenção e saber um pouco sobre impressão, tampinhas e metalúrgicas, pois quando as réplicas ou falsas são feitas não há a preocupação com a posição e às vezes, ficando o logo da metalúrgica não condizente com o impresso na parte plana, Por exemplo: A Brasilata só passou a usar o logotipo atual, formato de losango, a partir de 1967 não existindo quando alguns desses modelos de tampinhas de anos anteriores estavam em uso no mercado ou tampinhas modernas com impressões internas de promoções antigas, essas além de estar visível que é uma contrafacção normalmente não tem nenhum vestígio de vedante.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Ato de Deus / Dilúvio de Cerveja em Londres






No início do século XIX, a Cervejaria Meux, pertencente a Henry Meux, era uma das duas maiores de Londres, junto com a Whitbread.

O pai de Meux, Sir Richard Meux, havia sido anteriormente coproprietário da Griffin Brewery na Liquor-Pond Street (hoje Clerkenwell Road), onde construiu o maior tanque de Londres, capaz de comportar 20.000 barris imperiais (mais de 3 milhões de litros)

. Em 1809, Sir Henry Meux comprou a Cervejaria Horse Shoe, na junção da Tottenham Court Road com a Oxford Street.

Meux produzia apenas porter, uma cerveja escura que foi produzida pela primeira vez em Londres e era a bebida alcoólica mais popular da capital.

Em 1810, A Cervejaria Meux and Comp., de Henry Meux imitou o grande tanque de seu pai, e construiu nas instalações um tanque de fermentação de madeira com 6,70 m de altura e capaz de comportar 18.000 barris imperiais (mais de 2 milhóes e 500 mil litros). Mantida unida por enormes anéis de ferro, oitenta e uma toneladas métricas de aros de ferro foram usadas para reforçar o tanque.


Na parte de trás da cervejaria, havia na New Street, um pequeno beco sem saída que se conectava à Dyott Street, onde havia uma favela densamente povoada, a favela de St Giles, com moradias baratas e cortiços habitados por pobres, indigentes, prostitutas e criminosos que ocupava uma área de oito acres (3,2 ha), era uma favela perpetuamente decadente, aparentemente sempre à beira do colapso social e econômico, segundo Richard Kirkland, professor de literatura irlandesa. descreveu a favela de St Giles como um ponto de encontro da escória da sociedade.

Por volta das 16h30 da tarde de 17 de outubro de 1814, George Crick, escriturário do depósito de Meux, viu que um dos aros de ferro de 700 libras (320 kg) ao redor de um tanque havia escorregado. O tanque estava cheio até dez centímetros do topo com mais de 365.000 litros. Como os aros saíam do lugar duas ou três vezes por ano, Crick não se preocupou. Ele contou ao supervisor sobre o problema, mas foi informado que não haveria nenhum dano em seguida. Crick foi orientado a escrever uma nota para o Sr. Young, um dos sócios da cervejaria, para que consertasse depois.

Uma hora depois que o aro escorregou, Crick estava em uma plataforma a 9,10 m do tanque, segurando a nota para o Sr. Young, quando o tanque, sem indicação, explodiu. A força da liberação do líquido fez a explodir um tanque vizinho, que também começou a liberar seu conteúdo, vários barris de Porter foram destruídos e seus conteúdos contribuíram para a enchente. A força do líquido destruiu a parede traseira da cervejaria que tinha 7,60 m de altura e dois tijolos e meio de espessura. Alguns dos tijolos da parede dos fundos foram jogados para cima e caíram sobre os telhados das casas na vizinha Great Russell Street. criando uma onda de cerveja Porter de quase 4,5 metros de altura e liberando cerca de 1 milhão de litros da bebida. que agora explodia na rua.

Uma onda 4,60 m de altura invadiu a New Street, onde destruiu duas casas e danificou gravemente outras duas. Em uma das casas, uma menina de quatro anos, Hannah Bamfield, estava tomando chá com a mãe e outra criança. A onda de cerveja levou a mãe e o segundo filho para a rua; Hannah foi morta. Na segunda casa destruída, uma família irlandesa estava realizando um velório para um menino de dois anos; Anne Saville, mãe do menino, e outras quatro enlutadas (Mary Mulvey e seu filho de três anos, Elizabeth Smith e Catherine Butler) foram mortos. Eleanor Cooper, uma empregada de 14 anos do pub Tavistock Arms na Great Russell Street, morreu quando foi soterrada sob o muro desabado da cervejaria enquanto lavava panelas no quintal do pub. Outra criança, Sarah Bates, foi encontrada morta em outra casa na New Street. O terreno ao redor do prédio era baixo e plano com drenagem insuficiente, a cerveja escorria para os porões, muitos dos quais eram habitados, e as pessoas eram obrigadas a subir em móveis para evitar se afogarem.

Ao todo, oito pessoas foram mortas. Três trabalhadores da cervejaria foram resgatados da enchente com cerveja na altura da cintura e outro foi resgatado dos escombros.


Um rio de bebida correndo livre pelas ruas pode parecer um sonho etílico. Mas, como muitas ideias testadas na sobriedade, acabou se provando um verdadeiro pesadelo para as vítimas da Enchente de Cerveja de Londres de 1814, o cheiro forte de cerveja na região persistiu por meses depois.

. A cervejaria foi finalmente levada a tribunal em razão do acidente, mas o desastre foi considerado como um "ato de Deus" não deixando ninguém responsável pelo juiz e júri (como paralelo com a legislação moderna, seria considerado força maior), não responsabilizando ninguém. A empresa teve dificuldades para lidar com as consequências financeiras da catástrofe com uma perda significativa das vendas agravada porque já tinha pago os impostos sobre a cerveja, a enchente custou à cervejaria cerca de £23.000 (aproximadamente £1,25 milhão em 2016). No entanto, a empresa conseguiu recuperar o imposto de consumo pago sobre a cerveja, o que a salvou da falência. Eles também receberam ₤7.250 (₤400.000 em 2016) como compensação pelos barris de cerveja perdidos. Os proprietários da cervejaria fizeram um bom discurso ao Parlamento, reclamando o direito de ter o dinheiro do imposto devolvido, o que foi concedido e lhes permitiu continuar a fabricação de cervejas.

A Cervejaria Horse Shoe voltou a operar logo depois, mas fechou em 1921 quando Meux transferiu sua produção para a cervejaria Nine Elms em Wandsworth, que haviam comprado em 1914. Na época do fechamento, o local ocupava 103.000 pés quadrados (9.600m2). A cervejaria foi demolida no ano seguinte e o Dominion Theatre foi posteriormente construído no local. Meux & Co entrou em liquidação em 1961.

Como resultado do acidente, grandes tanques de madeira foram gradualmente retirados da indústria cervejeira e substituídos por recipientes de concreto forrados.

Nota: O barril imperial (ou britânico) é uma unidade de medida de volume que equivale a aproximadamente 159,11 litros ou 35 galões imperiais. Essa medida difere do barril padrão de petróleo dos EUA (42 galões, ou aprox 159 litros) e é usada principalmente para líquidos, equivalendo também a 280 pints ou 5600 onças líquidas britânicas.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Church Key – Chave da Igreja




  


Chave da Igreja, isto é com certeza, uma expressão mais velha do que a ferramenta que adotou esse nome e que perfurava furos triangulares nas latas "flat top".

A expressão remonta ao início da comercialização da bebida engarrafada, onde as chaves disfarçavam saca-rolhas e à invenção, em 1898, da crown cork, a coroa com cortiça, a nossa tampinha (chapinha). Por esse nome, chave que abre as portas da igreja, era conhecido o abridor de garrafas, mas por quê chave da igreja?


Porque os trabalhadores das cervejarias e os usuários das cervejas engarrafadas portavam abridores de garrafas atados a cintura, preso aos cintos, à semelhança dos monges e abades da Europa medieval que carregavam seus molhos de chaves dessa maneira. Chaves grandes e pesadas com seu punho, geralmente ornados, que guardavam seus tesouros, inclusive trancavam as adegas com a sua cerveja e os segredos deste seu ofício.

As latas de alimentos que desde 1820, feitas de ferro revestido e normalmente pesando mais que a quantidade de alimento nela contido, traziam instruções do tipo: corte em cima com formão e martelo, não foram raros os ataques às latas, os soldados usavam as baionetas e até tiros de rifle foram utilizados. Quando as primeiras latas de bebidas apareceram, apesar de já passar cem anos da invenção da lata e já ter se desenvolvido muito, furá-las para tirar o líquido também não era fácil, precisava do martelo e um objeto pontiagudo já que o abridor de garrafas para nada servia e o abridor de latas que já havia sido inventado, podia ser usado, mas cortar fora toda a tampa era desperdício de tempo e força, não bastasse perder bastante líquido por força da fermentação.

Segundo o historiador Gary B. Nash, a Era Progressista, que se estendeu aproximadamente de 1890 a 1920, foi marcada por amplo ativismo social e esforços de reforma. A igreja desempenhou um papel fundamental nesse movimento, oferecendo apoio moral, recursos e liderança para diversas iniciativas comunitárias.

À medida que o abre-latas se tornou parte integrante dos lares americanos, é natural que seu significado cultural esteja ligado aos valores e ideais promovidos pela igreja nesse período.

Como observado pelo historiador Robert W. Rydell, o termo chave da igreja era frequentemente usado de forma intercambiável com abridor de latas na América do início do século XX. Essa confusão linguística destaca a relação próxima entre quem abre latas e os valores de responsabilidade social que a igreja defendia.

A capacidade do abridor de latas de abrir latas, que antes exigia trabalho manual ou ferramentas especializadas, tornou-se uma metáfora para o papel da igreja em abrir oportunidades para que as pessoas trabalhassem juntas em busca de mudanças positivas.

Em conclusão, o termo chave da igreja é mais do que apenas um rótulo; representa um fenômeno cultural que reflete os valores e ideais da sociedade americana durante o início do século XX, o abridor de latas, como instrumento de mudança social, tornou-se um símbolo improvável de serviço comunitário e ação coletiva.


Por volta de 1950 apareceram os primeiros furadores de latas, uma ferramenta que era nada mais do que uma tira de metal lisa e robusta com um ponto afiado e um apoio para a borda da lata, para que você pressionasse o alto da lata para puncionar um furo triangular (dois em lados opostos, eram o ideal, um para deixar o ar entrar e outro para a cerveja fluir facilmente). Para disseminar esse tipo de furador foi necessário que as latas trouxessem instruções de utilização. Por uma analogia óbvia, estes furadores vieram também a ser chamados de chaves da igreja, mesmo que fossem de uma forma completamente diferente.


Mas como a cerveja não deixou de ser engarrafada, mesmo com a lata sendo sucesso e com o aparecimento das cone tops, as latas que tinham uma tampinha, havia agora a necessidade de ter abridores dos dois tipos, mais um no cinto, até que alguém criou o abridor em que um lado era para as tampinhas e o outro lado, o do punho, para latas, a ideia parece ter sido da Cervejaria Pabst, assim permanecendo até o desaparecimento das flat tops.

Resumindo, qualquer ferramenta para abrir vasilhames de bebidas pode ser chamada de Church key ou chave da igreja, tanto a ferramenta que tira tampinhas de garrafas ou a que fura latas sem dispositivo de abertura (anel).

Talvez uma ferramenta que comporte, juntos, os três tipos de abridores: os dois tipos de tampas de garrafas (tampinhas e rolhas) e o furador de latas, seja o melhor caminho não para a abertura das portas da igreja, mas para atingir o reino dos céus.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Root Beer Não é Cerveja






Tenho visto que colecionadores de tampinhas acabam classificando a root beer como cerveja, talvez pela tradução ao pé da letra (root= raiz e beer= cerveja), porém Root Beer é um refrigerante.

A Root Beer é uma bebida tradicional dos Estados Unidos, conhecida por seu sabor único e história fascinante. Apesar do nome conter “beer” (cerveja), trata-se de um refrigerante geralmente sem cafeína, doce e carbonatado. Na sua forma clássica sua aparência lembra a de uma cerveja escura, com uma tonalidade avermelhada e uma espuma espessa, densa e cremosa. A versão sem álcool é feita a partir de xaropes e concentrados com água com gás. A versão alcoólica é produzida através da fermentação de uma mistura de extrato de madeira, levedura e açúcar. O teor da versão alcoólica é de apenas 0,5%.

Acredita-se que a cerveja atual de raiz e gaseificada tenha sido originalmente inspirada pelos chás medicinais não carbonatados feitos pelos indígenas norte-americanos. Embora esses chás fossem feitos com várias folhas perfumadas, raízes, cascas, frutos e flores, as plantas sassafrás, gaultéria e salsaparilha eram comumente usadas, e esses três ingredientes definiriam o perfil de sabor da root beer comercial daqui para frente. O sassafrás, em particular, era conhecido por seus benefícios à saúde e já era usado para tratar diversos problemas por séculos antes do surgimento da root beer moderna.

No século XIX, colonos americanos produziam as root beers originais em suas casas a partir de uma variedade de ingredientes, frequentemente servindo suas misturas como chás quentes.

Na década de 1840, a primeira root beer começou a aparecer em confeitarias e lojas gerais, engarrafada em grés e vendida para uso medicinal. Não se sabe quando as pessoas começaram a adicionar carbonatação às cervejas tradicionais de raiz (root beer), mas há registros indicando que um dos primeiros empreendedores, George Twitchell, da Filadélfia, começou a vender um xarope concentrado de raiz destinado a ser misturado com refrigerante em 1850. Receitas de root beer podem ser encontradas em livros de receitas que remontam à década de 1860. Com tantos ingredientes e combinações possíveis, indivíduos e famílias frequentemente desenvolviam suas próprias receitas únicas de root beer que, por sua vez, passavam para as gerações mais jovens.

Muitos desses produtos eram produzidos adicionando extratos aromáticos de plantas e um adoçante (frequentemente melaço) à água. Além do padrão sassafrás, gaultéria e salsaparrilha, outros aromáticos como gengibre, casca de bétula, alcaçuz, lúpulo, raiz de bardana, baunilha, raiz de dente-de-leão, coentro, casca de cerejeira e goma de guaiaco também apareceram em antigas bebidas de raízes . A mistura era então cozida até uma consistência semelhante a xarope, momento em que mais água era adicionada junto com uma pequena quantidade de levedura e a bebida era deixada fermentar (pequenas quantidades de álcool geralmente presentes nas primeiras cervejas de raizes).

Nessa época, farmacêuticos começaram a comercializar a bebida como um tônico medicinal.


A cerveja de raiz foi comercializada e vendida em larga escala pela primeira vez pelo farmacêutico Charles Elmer Hires, que afirmou ter conseguido a receita original de um estalajadeiro que havia preparado um chá de raizes para ele e sua esposa durante a lua de mel.

Hires que não consumia álcool, ele começou a vender sua bebida de raiz não alcoólica em pó: um pacote de 25 centavos podia render 19 litros da bebida. Como era prática comum na época, Hires vendia seu refrigerante não apenas como um refrescante, mas como uma espécie de remédio. Também representava uma alternativa moralmente íntegra à cerveja e ao álcool, um importante diferencial que reforçava os fortes sentimentos antiálcool que então varriam o país. Na verdade, Hires originalmente planejava comercializar seu produto como "Chá de Ervas Hires", mas mudou de ideia após receber um conselho empresarial inestimável de um amigo, Dr. Russell H. Conwell. Ministro, autor e fundador da Temple University da Filadélfia, Conwell teria dito a Hires que mineiros duros da Pensilvânia nunca beberiam chá de ervas, mas sim algo com cerveja no nome. Com base nessa sugestão, Hires nomeou sua mistura concentrada de "root beer" (cerveja de raizes), apesar de ser um refrigerante.

Em 1876, lançou sua versão comercial de Root Beer na Exposição Centenária da Filadélfia, ajudando a popularizar a bebida em todo o país.

Em 1890, Hires abandonou completamente o negócio farmacêutico e incorporou seu próspero empreendimento como Charles E. Hires Company. Três anos depois, ele lançou uma versão engarrafada pronta para beber da root beer. No entanto, enfrentou alguma oposição de grupos antiálcool como a Women's Christian Temperance Union (WCTU), cujos membros não gostavam de ver a palavra "cerveja" usada no nome do produto. No entanto, em 1895 a Hires Root Beer já era vendida exclusivamente em sua versão engarrafada.Embora a inclusão de "cerveja" em seu nome tenha provocado a ira da poderosa União Cristã de Temperança das Mulheres, o produto de Hires acabou decolando, criando um novo mercado nacional e inspirando concorrência por sua vez.


Um dos primeiros concorrentes foi Edward Barq que em 1897 começou a engarrafar sua root beer em Biloxi, Mississippi; Em 1919, Roy W. Allen abriu a primeira barraca de root beer A&W em Lodi, Califórnia. A root beer IBC foi vendida pela primeira vez no mesmo ano em St. Louis, Missouri. A popularidade da root beer explodiu durante a Lei Seca e continuou crescendo ao longo do século XX.

Existem muitas marcas de Root Beer nos EUA. marcas populares como A&W, Barq's (atualmente pertence à Coca-Cola), Mug (atualmente pertence à Pepsi Cola), IBC (atualmente pertence à Keuring Dr. Pepper) e Dad's são as marcas de root beer mais conhecidas dos EUA e ainda são favoritas hoje. com uma rica história de produção e distribuição. Cada marca tem um gosto distinto que a diferencia das outras.

Atualmente em diferentes regiões dos Estados Unidos, são adicionados ao produto casca de cereja, baunilha, extrato de mandioca, raiz de alcaçuz, noz-moscada, dente-de-leão, alcaçuz, anis, lúpulo, cravinho, erva-cidreira, folhas de murta e azeda, canela e outros ingredientes.

Uma sobremesa icônica, chamada Root Beer Float é feita com a combinação de root beer com uma bola de sorvete de baunilha, criando uma experiência única de sabor.

A bebida ainda é utilizada em molhos, como no churrasco americano, oferecendo um sabor adocicado e aromático.

A root beer é uma bebida única que combina tradição e inovação. Ao provar essa iguaria, você estará degustando um pedaço da cultura americana e suas peculiaridades. Não perca a oportunidade de experimentar um Root Beer Float ou usá-la em receitas para churrasco!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Cerveja e as Pirâmides do Egito: Um Brinde à História





Texto desavergonhamente copiado de Silvano Spiess O Caneco.com.br/Silvano-Spiess



Você sabia que as grandiosas pirâmides do Egito não teriam sido erguidas sem a ajuda de uma das bebidas mais antigas da humanidade? A cerveja.

Isso mesmo! A cerveja teve um papel crucial na construção dessas maravilhas do mundo antigo.

No Egito Antigo, a cerveja não era apenas uma bebida apreciada, mas também uma forma de pagamento para os trabalhadores que se dedicaram à construção das pirâmides.

Durante a construção das pirâmides, os trabalhadores egípcios recebiam rações diárias de cerveja como parte de seu salário.

Esses operários, muitas vezes vistos como escravos, eram na verdade trabalhadores pagos que recebiam uma dieta rica para garantir sua saúde e produtividade.

Cada trabalhador recebia cerca de 4 a 5 litros de cerveja por dia. Essa prática não era apenas uma forma de pagamento, mas também uma necessidade nutricional.

A cerveja era uma parte fundamental da dieta egípcia, consumida por pessoas de todas as classes sociais.

Feita a partir de cevada e emmer (um tipo de trigo), a cerveja egípcia era rica em nutrientes, fornecendo calorias essenciais e hidratação em um ambiente árido, a bebida, que tinha um teor alcoólico baixo, era muitas vezes mais segura para beber do que a água, que poderia estar contaminada.

Para os egípcios, a cerveja também tinha um significado espiritual. Era associada aos deuses, especialmente à deusa Hathor, que era a deusa da alegria, da dança e da fertilidade.

Durante festivais religiosos, a cerveja era consumida em grandes quantidades, celebrando a vida e a divindade.

A próxima vez que você apreciar uma cerveja gelada, lembre-se de que essa bebida histórica ajudou a erguer uma das maiores maravilhas do mundo.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Estrela de Davi, Selo Salomônico, Estrela de seis pontas - A Estrela Zoigl






Estrela de Davi (em hebraico: מגן דוד, transl. Magen David), conhecida também como escudo supremo de Davi (David), é um símbolo em forma de estrela formada por dois triângulos sobrepostos, iguais, tendo um a ponta para cima e outro para baixo, utilizado pelo judaísmo e por seus adeptos, além de outras doutrinas como Santo Daime. Outro nome dado a este símbolo é “Selo ou Signo de Salomão“.

A palavra magen significa escudo, broquel, defesa, governante, homem armado, escamas. O substantivo magen, refere-se a um objeto que proporciona cobertura e proteção ao corpo durante um combate.

Um fato curioso é a presença de uma estrela de seis pontas (hexagrama) em muitas ilustrações de rótulos de cerveja, principalmente das cervejarias mais antigas, em atividade ou já extintas, a explicação que normalmente vem à tona sobre este fato é que indicaria uma referência à estrela de Davi ou ao povo judeu, mas no caso da cerveja não é bem assim.

Claro que você já observou que algumas marcas apresentam suas cervejas com estrela no rótulo, algumas conhecidas incluem a Heineken, Estrella Galicia, Estrella Damm, entre outras, que também levam a palavra “estrela” em seu nome. Mas isso não é uma coincidência e também não é uma referência a qualidade da bebida.

Na verdade esta estrela de seis pontas, também conhecida como “Selo Salomônico”, existe como um símbolo de tradições tanto do Oriente como do Ocidente.

As origens remontam à Idade Média, na época a produção da cerveja era totalmente artesanal, feita pelos mestres cervejeiras donos das receitas, e vendidas nas suas próprias casas mesmo, nesse período poucas pessoas sabiam ler e escrever, a taxa de analfabetismo era altíssima.

Então, símbolos eram usados nas portas para identificar o tipo de produto que era vendido naquele local. Cada símbolo representava um tipo de negócio e a estrela, geralmente de seis pontas, era o dos cervejeiros.

Na antiguidade os acontecimentos inexplicáveis eram interpretados como resultados de forças ocultas, de origem divina, pois a ciência ainda não havia sido estruturada, o conhecimento era limitado. A bioquímica e a microbiologia eram desconhecidas e o conhecimento era fruto de muita observação, durante a Idade Média estas observações ou podemos dizer investigações eram conduzidas pelos monges, magos e alquimistas.


Especificamente no caso da cerveja, a explicação alquimista permitia combinar o Sol, a Terra e também os quatro elementos: ar, terra, água e fogo (calor).


Por muito tempo, a fabricação de cerveja foi cercada de mistério, em decorrência da falta de compreensão do processo de fermentação, por isso, um dos primeiros símbolos que apareceram nos rótulos de cerveja, foi a estrela de seis pontas, que era a marca dos alquimistas.

São várias as teorias acerca do tema, porém a mais aceita diz que as pontas da estrela representam os ingredientes fundamentais para o preparo da bebida: água, malte, lúpulo, levedura e, inclusive, o próprio mestre cervejeiro.

Uma outra que também é bastante difundida sugere que as pontas da estrela significam os passos básicos da produção: produção do malte, cozimento do mosto, fermentação, maturação, acondicionamento e novamente a fermentação (se a cerveja passar por dupla fermentação).

Outras imagens e símbolos eram costumeiramente associados à cerveja, como ramos de trigo e cevada, geralmente colocados em torno de brasões, compuseram rótulos e marcas de muitos produtos e produtores ao longo da história. Alguns perduram até hoje.

A estrela Zoigl (Tsoy-gue-L), também é chamada de Brauerstern, Bierstern, Bierzeiger, Braustern, Bier zoigl, Kommunbier, Zoigl stern, Zeugl, “Sechsstern” e “Hexagrama”. Traduzindo, em resumo, é algo como Estrela Cervejeira e é uma palavra em um dialeto alemão. Sua origem vem de “Zeiger / Zeichen” que significam marca / símbolo.


Ela está presente em muitos rótulos e também é conhecida como “Selo Salomônico”, sua ligação com a cerveja é devido aos estudos antigos da alquimia e que combinavam o Sol, a Terra e os quatro elementos. Pelo fator do desconhecimento sobre a bioquímica e a microbiologia a produção de cerveja era tido como algo milagroso ou alquímico.

O símbolo Zoigl é bastante similar a estrela de Davi e na Idade Média representava os mestres cervejeiros, além de oferecer uma proteção divina contra o fogo e demônios, algo muito comum na época.

Sua ligação com a alquimia está representada na representação dos triângulos, onde 3 pontas são os elementos da manufatura na produção da cerveja (água, ar e fogo) e as demais 3 pontas representam os ingredientes (água, malte e lúpulo).

O ar era considerado um elemento da manufatura pois era a ele atribuído o milagre da fermentação, uma vez que não se sabia da existência da levedura, ou então também tido como um milagre trazido pelos ventos e conhecido como Zeug (coisa).

Provindo apenas de uma região ao norte do rio Danúbio na Bavária, entre a Franconia e a República Tcheca, a estrela Zoigl inicialmente demarca o local de produção de cervejas, estes locais são conhecidos como Kommunbrauhäuser. Trata se de um espaço público ou privado, que recebe incentivos fiscais e uma permissão especial que cada município poderá conceder, para que pessoas interessadas a produzir cerveja se encontrem e com o devido acompanhamento cada um faça a sua Zoiglbier.

Em outras palavras é como se fosse uma sede, que também é usado como pub temporário, para os cervejeiros caseiros produzirem suas bebidas e depois as venderem no local, apesar da regra antiga de que a cerveja deve ser feita apenas para o consumo próprio. A produção é sempre feita por apenas um cervejeiro, utilizando-se das instalações do local.

Após terminar de fazer a cerveja e consumir o estoque desta, a estrela Zoigl é fixada na entrada da casa do próximo da fila a produzir sua cerveja. Assim o símbolo também indica que na casa do produtor há cerveja para os vizinhos, convidando os para se juntarem a beber.

Pelo fato da produção não ser sempre igual, pois há algumas regras pra se seguir mas não uma receita, as cervejas tipo Zoigl possuem várias características e diferenças dependendo de onde foram feitas.

Após a fermentação, cada pessoa vende diretamente do tanque, a cerveja que ali produziu, e assim podemos classificá-las do tipo Zwickelbier, que também é conhecido como Kellerbier.

O nome Zwickelbier é devido a torneira, que é encaixada nos tanques, em forma de rabo de porco, que então é chamado de zwickel. O termo Kellerbier, classificação comum, refere-se a cerveja de porão (Keller) pois é aonde se costuma armazenar os mantimentos e a cerveja na Alemanha, por se tratar de uma câmara fria ideal para cervejas do tipo Lager.

Durante a era nazista, que transformou a Estrela de Davi em um símbolo de opressão, os cervejeiros eram proibidos de exibir o zoigl. Quando a estrela dos cervejeiros reapareceu nos anos após a Segunda Guerra Mundial, alguns dizem que ela ganhou um novo significado: uma celebração da derrota nazista.

Como zoiglbier vem diretamente de um barril e expira rapidamente, nunca se espalhou fora do Oberpfalz. Mas os cervejeiros da região ainda servem cerveja hiperlocal e sem filtragem em casa durante os longos fins de semana. Algumas empresas bávaras modernas colocam a estrela zoigl nos rótulos das cervejas, mas não se engane: o verdadeiro zoiglbier é servido apenas da casa do cervejeiro, sob o símbolo de seis pontas.

A estrela Zoigl pode ser vista ainda hoje em prédios históricos, como na cervejaria Hausbrauerei Altstadthof em Nüremberg. Lá ela indica o local de produção e a existência de um Keller (porão).

Fontes: Larousse da cerveja – Ronaldo Morado – 2009 --- Blog de Cervejas O Caneco