A Cerveja Guiness
A Guinness é uma marca de cerveja irlandesa que começou sua história exatamente no dia 31 de dezembro de 1759 no coração da cidade de Dublin, em St. Jame’s Gate, onde o protestante Arthur Guinness alugou de uma família inglesa uma fábrica e os terrenos que a circundavam por míseras 45 Libras (£45) ao ano (incluindo o fornecimento de água), em um contrato de arrendamento de 9 mil anos (a maior barganha imobiliária desde que o explorador holandês Peter Minuit adquiriu Manhattan por meros US$ 24), iniciando assim a produção de suas próprias cervejas.

Lançadas inicialmente no mercado com os nomes de Guiness Porter e Guiness Ale. Uma década mais tarde o primeiro carregamento da cerveja era enviado à Inglaterra através de uma caravela. Apesar disso, somente em 1794 a cerveja começaria a ser consumida regularmente na cidade de Londres. Pouco depois, em 1799, Arthur resolveu encerrar a produção da cerveja Guiness Ale para se concentrar na fabricação da Porter.
Em 1802, a cervejaria lançou a Guiness Foreign Extra Stout, cerveja produzida primeiramente em Dublin e destinada ao mercado exterior na época. Com isso, o primeiro carregamento da cerveja foi exportado para as Índias Ocidentais. Essa cerveja, ainda hoje, é extremamente popular na África, especialmente na Nigéria, Gana, Quênia e Camarões. No ano seguinte, com a morte de Arthur aos 78 anos, seu filho, Arthur Guinness II, assumiu o comando da cervejaria e expandiu as exportações para Barbados e Trinidad e Tobago no Caribe. Já em 1815 a marca Guiness era conhecida em boa parte do continente europeu. Segundo uma lenda a cerveja ajudou na recuperação de oficiais da cavalaria feridos durante a batalha de Waterloo, aumentando assim a mística em volta da marca.
Em 1820, a cervejaria lançou a Guiness Extra Stout, cerveja mais próxima da original produzida pela primeira vez em 1759. Esta cerveja foi praticamente absorvida com o lançamento da Guiness Draught, respondendo por apenas 5% das vendas da cervejaria nos dias de hoje. Em 1827 Guiness foi exportada para o pequeno país de Serra Leoa, então colônia britânica, sendo a primeira vez que a cerveja ingressava no continente africano. Pouco depois, em 1833, a empresa se tornou a maior cervejaria da Irlanda. No ano seguinte, a cerveja começou a ser engarrafada em embalagens de vidro, que substituiu a porcelana. Em 1840, o primeiro carregamento da cerveja foi enviado para a cidade de Nova York.

Até o início do século XX, a Guinness fornecia sua stout em grande quantidade para empresas de engarrafamento e proprietários de pubs, que a transferiam de barris de madeira para garrafas. Cada engarrafador ou dono de pub usava seu próprio rótulo, resultando em um mosaico de nomes e designs.
Para proteger a marca à medida que a Guinness expandia para o exterior, a empresa criou seu próprio rótulo de garrafa em 1862, foi o primeiro passo rumo a uma identidade visual unificada. O rótulo era impresso e fornecido diretamente aos engarrafadores autorizados, que concordaram em vender "nenhum outro brown stout em uma garrafa." Esse era o controle inicial da marca na prática, garantindo que ninguém pudesse passar outro stout como Guinness.
Os rótulos são mundialmente conhecidos pela icônica harpa dourada que foi adotada em 1862, como símbolo e foi inspirada na Clarsach de Brian Boru (também conhecida como a Harpa O’Neill do Trinity College) é uma famosa harpa céltica medieval de cordas de metal guardada no Trinity College Dublin, na Irlanda, mas voltada para a esquerda para não confundir com o brasão de armas da Irlanda. Embora leve o nome do Grande Rei Brian Boru, o instrumento foi construído no século XIV ou XV, cerca de 400 anos após a morte do rei em 1014 e pela assinatura de Arthur Guinness, tendo sido registrada como marca em 1876. A marca possui uma identidade visual clássica que evoluiu ao longo dos anos, mantendo o fundo preto ou creme e estampando diferentes variações de suas famosas cervejas stout.
No final desta década, em 1868, o tamanho da cervejaria dobrou para mais de 50 hectares e se espalhou para o norte do rio Liffey, onde foram construídos novos prédios que eram ligados por uma malha ferroviária. Quase 20 anos depois a St. Jame’s Gate foi considerada a maior cervejaria do mundo com produção anual de 1.2 milhões de barris. Por manter sempre um rigoroso foco na qualidade de sua produção, mesmo durante todo o período de expansão, a Guiness tornou-se em 1908 a cerveja mais consumida do mundo. Dois anos mais tarde, aproximadamente 50% do volume de Guiness vendido nos Estados Unidos já era engarrafado localmente.
Em 1936 se tornou a primeira cervejaria com filial fora da Irlanda, construída no Park Royal, em Londres. Pouco depois, no ano de 1939, em plena Segunda Guerra Mundial, a Guiness enviou uma garrafa de cerveja para cada soldado britânico em combate na França para comemorar o Natal. Finalmente em 1958, a cervejaria lançou o que se tornaria seu maior ícone: a Guiness Draught, cerveja preta ou escura, introduzida primeiramente na Inglaterra, e somente dois anos depois na Irlanda, se tornando a cerveja escura mais consumida do Reino Unido. Foi a primeira cerveja nitrogenada do mundo. Hoje em dia esta cerveja representa aproximadamente 55% das vendas de toda a cervejaria.
Em 1962 foi inaugurada na Nigéria, localizada na cidade de Lagos, a primeira cervejaria da marca fora da Grã Bretanha. No ano seguinte a cerveja começou a ser produzida na Austrália e, em 1965, na Malásia, seguida por Jamaica, Gana e Canadá. Finalmente em 1967 a cerveja Guiness Draught foi introduzida oficialmente no mercado americano. O sucesso da marca na Nigéria levou a marca a inaugurar mais uma cervejaria no continente africano, desta vez na República dos Camarões em 1970. Nos anos seguintes a marca continuou sua expansão internacional e, já em 1985, a cerveja era vendida em 120 países ao redor do mundo.

Em 1988 a marca lançou uma das maiores inovações no segmento cervejeiro: a Guiness Draught em lata, que possuía uma cápsula propulsora de nitrogênio, responsável pela liberação do gás quando o lacre era rompido, misturando-o ao líquido no momento em que este era derramado no pint (por este motivo, a Guiness deve ser consumida no pint, e não diretamente na lata). Atualmente a cerveja em lata da marca, que se tornou um verdadeiro sucesso de mercado, pode ser encontrada em mais de 120 países. Em 1997 a cervejaria realizou uma fusão com a Cervejaria Grand Metropolitan, resultando na formação da Diageo, atual proprietária da marca Guiness. Ainda nesse ano, o O’Malley’s Shanghai foi o primeiro pub a servir Guiness na China, ingressando assim em um enorme mercado consumidor.
Em 2009, quando a marca completou 250 anos, a empresa criou uma grande jogada de marketing: o dia 24 de setembro se tornou “Arthur’s Day” e exatamente as 17h:59s (referência ao ano de fundação da cervejaria, que coincidiu também com o famoso “happy hour”), todos os bares/pubs das cidades de Dublin, Kuala Lumpur, Lagos, Nova York e Yaoundé (na república dos Camarões), fizeram uma homenagem ao fundador da tradicional cervejaria quando os frequentadores levantaram um pint de Guiness. Essa celebração fez tanto sucesso que tem sido realizada desde então, sendo difundida ao redor do mundo. Na Europa, algumas datas comemorativas se tornaram sinônimo de Guiness e uma tradição para a marca, como por exemplo, o St. Patrick’s Day (dia de São Patrício), o Dia Mundial do Rock e o Halloween (Dia das Bruxas), que também tem origem celta e foi levado para os Estados Unidos pelos irlandeses. Somente no Dia de São Patrício (santo padroeiro da Irlanda), comemorado em 17 de março no mundo inteiro, são consumidos 13 milhões de pints de Guiness.
Em 2014 a Guiness lançou o The Brewer’s Project, iniciativa que estimulava grupos de cervejeiros a explorar novas receitas, reinterpretar as antigas e colaborar livremente criando novas cervejas para mercados específicos. O projeto começou no oeste europeu, quando a marca lançou a Guinness Dublin Porter (inspirada na era de ouro do estilo, uma época em que a Porter era “a” cerveja dos homens que trabalhavam pesado em Dublin e Londres, essa cerveja tem notas de toffee e chocolate e um teor alcoólico de 6%) e a Guinness West Indies (primeira receita da cervejaria fabricada para manter seu frescor, em longas viagens marítimas para o Caribe e redondezas, essa cerveja tem notas de caramelo escuro e um surpreendentemente teor alcoólico de 3.8%).
Mundialmente conhecida por cervejas escuras, a marca irlandesa lançou no mês de setembro de 2014, nos Estados Unidos, a Guiness Blonde American Lager, uma cerveja clara tipo lager. O novo rótulo era uma clara tentativa de evitar o declínio da cervejaria que tem como carro-chefe a cerveja Irish Stout (escura). De acordo com dados da própria Diageo, fabricante da Guiness, as vendas da cerveja escura em solo americano recuaram 6% em 2013. A produção foi resultado de uma parceria entre a Diageo e a City Brewing Company, cervejaria de Latrobe, na Pensilvânia. A produção dessa nova cerveja era parte de um programa batizado Discovery Series, que contaria com uma variedade de estilos, alguns em edições limitadas, comercializados sob a marca Guiness. Esta não foi a primeira tentativa da marca em lançar no mercado uma cerveja clara. Em 1988 foi lançada a Guiness Gold, mas que não atingiu o sucesso desejado e teve a produção encerrada em 1993.
Ainda em 2014, a tradicional cervejaria irlandesa lançou em edição especial e limitada a Guiness The 1759, uma cerveja ale âmbar com 9% de teor alcoólico, inspirada em uma receita de 200 anos e fabricada a partir do mesmo malte utilizado na produção dos melhores uísques e da adição do fermento Guinness, ganhando assim notas de caramelo e manteiga. Cada uma das 90.000 garrafas, de pouco mais de 750 ml e com rolha de cortiça, era embalada em uma elegante caixa preta de veludo. Para se ter uma ideia da escala, este volume equivale apenas a uma hora da produção da GUINNESS tradicional. Este foi o primeiro lançamento da nova série Guinness Signature Series, que contaria com uma variedade de cervejas de edição de luxo limitadas feitas de raros e muito bem pensados ingredientes.
A Guiness sempre foi mundialmente conhecida por sua cerveja stout. Porém, nos últimos anos, suas vendas estagnaram nos Estados Unidos, um de seus maiores mercados, muito em virtude da crescente popularidade das cervejas artesanais entre o público amante da bebida. Com isso, a marca irlandesa precisava reagir e passou a lançar no mercado americano diversos estilos de cerveja, como por exemplo, uma ipa, assim como cervejas de trigo, lagers e cervejas experimentais. Desde 2018 os vegetarianos mais convictos já podem degustar uma Guiness sem medo, depois que a cervejaria irlandesa decidiu parar de usar gelatina de peixe na filtragem de todas as suas versões (barril, lata e garrafa). A empresa afirmou que parou de usar a Isinglass, uma substância obtida da bexiga de algumas espécies de peixes, utilizada no processo de filtragem das cervejas. Após centenas de anos (literalmente) fabricando cerveja do mesmo jeito, a mundialmente aclamada marca topou fazer uma mudança em seu modo de produção para conquistar novos consumidores, os veganos.
Em 2020, para conquistar uma nova gama de consumidores, a marca irlandesa lançou a Guiness Draught 0.0, uma versão mais sóbria de sua tradicional Irish Stout e a primeira cerveja sem álcool que saiu de sua tradicional fábrica na Irlanda em seus 261 anos de existência. A versão não alcoólica da Guiness possui o mesmo gosto suave, sabor perfeitamente equilibrado e cor escura única da cerveja tradicional. Para fabricá-la, o processo de produção utiliza as mesmas etapas do produto original com a adição de um processo de filtração a frio que remove o álcool sem trazer um stress térmico à bebida, o que a protege de danos a suas características sensoriais, sendo complementada por um acerto fino de seus cervejeiros para garantir o perfil de sabor característico da Guiness.
Com mais de 260 anos de história, a cerveja é produzida com a mesma composição que a consagrou: malte irlandês, a mais pura água de Dublin, lúpulo e levedura. O malte é torrado, o que lhe confere a coloração rubi-avermelhada e o paladar tostado. Esta mistura única proporciona uma cerveja tipo stout, de alta fermentação, cujo balanço entre o amargor do lúpulo e a doçura do malte é facilmente perceptível. E há mais de 30 anos a cervejaria desenvolveu o sistema de chope em lata, alcançando tecnologia jamais vista no mercado cervejeiro.
A Guinness é produzida em uma rede de cervejarias ao redor do mundo sob a propriedade da Diageo e licenciados locais, sendo produzida localmente em 60 países e comercializada num total de 120 países, possuindo 80% de participação no mercado mundial de cerveja preta. Ao redor do mundo, 170 mil pubs consomem 10 milhões de copos (pints) de Guinness diariamente.
A marca chegou ao Brasil em 2001 e é importada diretamente da fábrica de St. Jame’s Gate. Presente em pubs de diferentes estados e em mais de 300 supermercados e lojas especializadas, a marca registrou, nos últimos anos, um crescimento forte em suas vendas. Guiness é a sexta maior cervejaria do mundo, proprietária de marcas como Harp (criada em 1960) e Kilkenny (criada em 1710), Red Strip, Kaliber, Smithwick's Ale e participante de fusões com cervejarias locais ao redor do mundo. Suas vendas chegam a de 2,7 bilhões de litros de cerveja por ano.
O Livro Guiness dos Recordes
O Guinness World Records (antigo Guinness Book of Records, lançado em português como Livro Guinness dos Recordes) é uma edição publicada anualmente, que contém uma coleção de recordes e superlativos reconhecidos internacionalmente, tanto em termos de performances humanas como de extremos da natureza.
Em 2003, o livro chegou a 100 milhões de cópias vendidas, desde a sua primeira edição em 1955, sendo o décimo livro mais vendido da história, o de 2009 é o quinquagésimo-quinto.
A ideia surgiu no início da década de 1950, mais exatamente em 10 de Novembro de 1951, Sir Hugh Beaver (1890-1967), diretor-executivo da Arthur Guiness, Son And Company, empresa que fabrica a cerveja Guiness, participou de uma festa de tiro (caçada) no Condado de Wexford. na Irlanda.
No final da tarde, início da noite, encontrou com seus amigos e disse que não havia conseguido abater nenhuma tarambola porque o pássaro era muito rápido, pois segundo ele era o mais veloz da Europa. Lá, ele e os seus anfitriões envolveram-se numa discussão sobre o pássaro de caça mais veloz, a tarambola ou o tetraz. Discutiu um pouco com seus amigos, mas sem chegar a nenhum consenso, nessa época não existia livro de referência ou enciclopédia que pudesse oferecer informações concretas sobre qual seria a ave de caça mais veloz da Europa.
Em 1954, recordando a discussão que tinha tido naquela caçada, Sir Hugh teve a ideia de uma promoção de Guinness baseada na ideia de resolver as discussões nos pubs e convidou os gémeos Norris (1925-2004) e Ross McWhirter (1925-1975), que eram investigadores da Fleet Street, para compilar um livro de fatos e dados.
O Guinness Superlative foi constituído em 30 de novembro, e seu escritório começou a funcionar em duas salas de um ginásio adaptado, no último andar do Ludgate House, na Fleet Street número 107.
Após uma fase inicial de pesquisa, começou o trabalho de escrita do livro, que levou 13 semanas e meia de 90 horas de trabalho, incluindo fins de semana e feriados. Mal sabiam os McWhirters que estavam dando forma a um livro que se tornaria um dos maiores best-sellers de todos os tempos e uma das marcas mais reconhecidas e confiáveis do mundo. A primeira edição foi publicada em 27 de agosto de 1955 e, no Natal daquele ano, já havia chegado ao topo da lista dos mais vendidos do Reino Unido.
Atualmente, o Guinness World Records é uma marca global, com escritórios em Londres, Nova Iorque, Pequim, Tóquio e Dubai, com embaixadores da marca e adjudicadores espalhados ao redor do mundo.
Com a missão de documentar o incrível, ele pode ser encontrado todos os anos nas páginas do livro, seja sob a forma de um sonho pessoal de uma vida toda, ou de uma tentativa em equipe em de uma empresa de 5.000 funcionários, o poder de quebrar recordes é notável, e continua a inspirar proezas e realizações surpreendentes todos os dias, em todo o mundo.


















