Imagem e texto Paulo Antunes Júnior

Um pouco de história:
Em 1744, Johannes Ruf e sua esposa construíram a cervejaria Zum Römischen Kaiser em Seligenstadt, que ainda hoje é a sede da Glaabsbräu.
Em 1782, o filho Johann Georg Ruf foi alistado na Associação dos Cervejeiros de Seligenstadt.
Após sua morte em 1808, seu sobrinho Peter Josef Weidner II assumiu a pousada e a cervejaria, passando posteriormente para a família Wissel.
A família Wissel seguiu até 1891. Ferdinand Glaab, bisavô do atual Diretor Administrativo Robert Glaab, casou-se com Mariechen Wissel (Anna Maria Magdalena Sophia Glaab).
Em 1895, fechou a cervejaria Zum Römischen Kaiser e fundou a cervejaria Glaab & Thoma GmbH com seu irmão, Johann Thoma.
Seus filhos Ferdinand II e Jacob juntaram-se aos negócios da família em 1920.
Em 1920, após o cientista Fritz Lux, da Weihenstephan, conseguir obter vitamina B1 a partir de células de levedura, Ferdinand Glaab teve a ideia de criar um novo tipo de cerveja: a Malt Beer.
Em 1921, as duas cervejarias Glaab e Appelmann se fundiram para formar a Vereinigten Brauereien Seligenstadt.
Em 1931, a cervejaria adquiriu o processo patenteado de bebida de malte Vitamalz (que não pode ser vendido como cerveja) desenvolvido por Ferdinand Glaab I e Fritz Lux.
A cerveja não foi fabricada até 1931, porém, quando a cervejaria Seligenstadt comprou a receita patenteada da empresa Vitalux, deu-se início à produção da cerveja. A nova cerveja foi chamada de "Vitamalz".
Após a saída de Jakob Appelmann, Ferdinand Glaab I fundou com seus filhos a Glaabsbräu F. Glaab & Co.
Após sua morte em 1939, seus filhos assumiram a gestão da cervejaria.
Malzbier (Cerveja de malte):
A Malzbier tem suas origens na Alemanha, onde “Malzbier” significa “cerveja de malte”. é um tipo de cerveja, criada por Ferdinand Glaab, no final do século XIX.
A Malzbier tradicional é uma bebida composta por malte, água e lúpulo, sem passar pelo processo de fermentação. Essa combinação é uma alternativa para gestantes, crianças e pessoas que não fazem consumo de bebida alcoólica, doce e com baixo teor alcoólico (geralmente entre 0 e 4%), de cor escura, que é fermentada como uma cerveja normal, porém com a fermentação de levedo por volta do 0 °C.
Embora tenha a palavra “bier” no nome, o estilo lembra mais um híbrido entre cerveja e bebida maltada, com toques de caramelo, chocolate e melaço. Essa doçura característica vem do malte. Uma cerveja de malte à qual não foi adicionado açúcar e que pode conter 1,5% máximo de álcool tem esse título de cerveja corretamente. Vamos lembrar que a Lei da Pureza Alemã se aplica em princípio à produção de cerveja. O mandamento, que data de 1516, afirma que a cerveja pode consistir exclusivamente dos ingredientes água, lúpulo e cevada – caso contrário, não é cerveja.
As cervejas alemãs são classificadas de acordo com a gravidade original, termo mais conhecido pela sigla em inglês OG – Original Gravity. Por exemplo, uma cerveja tem OG de 12 °P, 120 gramas de extrato por 1.000 gramas de líquido:
Einfachbier (cerveja simples), com OG de 1,5 °P a 6,9 °P
Schankbier (cerveja de bar ou chope), com OG de 7,0 °P a 10,9 °P
Vollbier (cerveja completa), com OG de 11,0 °P a 15,9 °P
Starkbier (cerveja forte), com OG de 16 °P
Poucos sabem que a Malzbier (sem acréscimo de açúcar) é uma cerveja de verdade: essa Vollbier de alta fermentação tem um OG médio de 11,7 °P. Como a levedura é adicionada a 0 °C, a fermentação alcoólica é extremamente baixa, permitindo que a Malzbier seja considerada não alcoólica.
Já as cervejas especiais escuras, como Porter, Stout, Dunkel e outras, têm essa cor devido ao uso dos maltes tostados. Cada tosta vai dar uma coloração, aroma e sabores diferentes. Por exemplo: Malte Chocolate dá um aroma de caramelo queimado, chocolate amargo e café. Por isso, existem cervejas de chocolate, por exemplo, que, na maioria das vezes, não são feitas com o chocolate, mas com maltes que lembram o sabor e aroma de um. O Malte Escuro dá a coloração e o aroma de café torrado e a Cevada Torrada dá o tom amargo e intenso de café. Por isso, nem sempre o amargor vem só do lúpulo, ele pode vir, também, do malte.
Malztränk (Bebida de Malte):
Já as bebidas de malte são conhecidas por serem particularmente doces, com o açúcar sendo adicionado durante o processo de produção. Consequentemente, isso não está em conformidade com a Lei da Pureza, frequentemente é encontrada com outros nomes nas prateleiras dos supermercados, incluindo bebidas de malte.
Em decorrência da Lei da Pureza, quando há acréscimo de açúcar (e, na maioria das vezes, isso ocorre), não é possível chamar a bebida de cerveja (Bier). Por isso, ela recebe o nome de Malztränk e não Malzbier.
Basicamente, devido ao açúcar presente na bebida, não existem mais cervejas de malte de verdade. No entanto, o termo cerveja de malte tem se tornado cada vez mais popular nos últimos anos. Isso dá a impressão de que é uma cerveja, mas de fato, não tem nada a ver com uma cerveja de verdade.
A cor e o sabor adocicado não vêm da torrefação do malte, mas sim da adição de caramelo e xarope de açúcar ao final do processo de fabricação, podendo ser enriquecidas com outras substâncias, ingredientes ou, se necessário, aromas. Claro, isso tem como consequência que muito mais "sabor" e mais "variedade" entram na bebida, mas também faz com que ela se afaste ainda mais de uma cerveja clássica, nome do qual não deve ser chamada, o termo correto, em questão seria bebida de malte. Claro, a bebida clássica de malte tem água, malte de cevada e lúpulo (ou seus extratos, conhecidos como extrato de lúpulo), esse não podem faltar. Além do açúcar, frequentemente adicionado em forma de xaropes, também é adicionado ácido carbônico, que supostamente dá à bebida um sabor fresco ou refrescante. As seguintes substâncias também podem estar presentes na bebida de malte: Xarope de agave, concentrado de suco de maçã, Malte espeltado, Corante (E150c = cor caramelo de amônia), Aromatizantes naturais, Adoçantes (ciclamato de sódio, sucralose, acesulfame-K, sacarina de sódio, xarope de açúcar invertido, xarope de arroz).
Por causa dessa adição de xarope, algumas escolas cervejeiras não a consideram um estilo puro, ela não se enquadra em estilo nenhum, pois a adição de outros ingredientes para dar coloração à bebida e o uso abaixo de 20% de malte de cevada, a “desqualificam”. O Beer Judge Certification Program (BJCP) e a Brewers Association, organizações que catalogam os mais diversos tipos e estilos de cervejas, não a consideram como estilo próprio de cerveja. É considerada um tônico. São cervejas do tipo american pale lager nas quais, após a filtração, são adicionados caramelo e xarope de açúcar, dando a coloração escura (que não vem do malte tostado) e o sabor adocicado. Dizem inclusive que, antigamente, há alguns anos atrás, era produzida para reaproveitar a cerveja de início e fim da filtração e cervejas fora dos padrões. Hoje em dia isso não acontece mais e a cerveja ganhou um pouco em qualidade.
Quando a ideia chegou ao Brasil, por volta do início do século XX, a bebida passou por adaptações. A versão brasileira foi adaptada para se assemelhar ao sabor da versão alemã; a diferença é que a nossa passa pelo processo de fermentação completo, gerando, assim, uma bebida alcoólica.
Muito famosa no Brasil, não possui muitos correspondentes fora do país. Na Alemanha, seu país de origem, nem é mais considerada cerveja e sim, bebida energética. Enquadra-se normalmente no grupo de “outras cervejas com baixo teor alcoólico”.
A Malzbier brasileira, não é uma cerveja de malte na verdadeira acepção da palavra já que a Malzbier original não chega nem a 1% de álcool, pois, apesar de ser produzida como qualquer outra cerveja, ela quase não tem fermentação, a brasileira tem por volta de 4% de álcool, no Brasil, ela é produzida como uma cerveja normal, escura, alcoólica e frequentemente tem um sabor doce e maltado e é acrescida de várias substâncias. Acabou se tornando um tipo de cerveja e ficou popularmente conhecida como "cerveja preta doce ou Malzbier". Do seu início até os anos 30 foi comercializada como uma cerveja “fortificante”. Na época, acreditava-se que ela era altamente nutritiva e até recomendada como uma fonte de energia — especialmente por médicos e farmácias!
Quando se fala de cervejas doces e encorpadas no Brasil, é impossível não pensar na Malzbier. Amada por muitos e estranhada por outros, essa cerveja conquistou um espaço especial no coração dos brasileiros com seu sabor único, textura aveludada e um toque de nostalgia. Afinal, quem nunca ouviu a frase: “Isso aqui é praticamente um refrigerante!”

















