
Chave da Igreja, isto é com certeza, uma expressão mais velha do que a ferramenta que adotou esse nome e que perfurava furos triangulares nas latas "flat top".
A expressão remonta ao início da comercialização da bebida engarrafada, onde as chaves disfarçavam saca-rolhas e à invenção, em 1898, da crown cork, a coroa com cortiça, a nossa tampinha (chapinha). Por esse nome, chave que abre as portas da igreja, era conhecido o abridor de garrafas, mas por quê chave da igreja?

Porque os trabalhadores das cervejarias e os usuários das cervejas engarrafadas portavam abridores de garrafas atados a cintura, preso aos cintos, à semelhança dos monges e abades da Europa medieval que carregavam seus molhos de chaves dessa maneira. Chaves grandes e pesadas com seu punho, geralmente ornados, que guardavam seus tesouros, inclusive trancavam as adegas com a sua cerveja e os segredos deste seu ofício.
As latas de alimentos que desde 1820, feitas de ferro revestido e normalmente pesando mais que a quantidade de alimento nela contido, traziam instruções do tipo: corte em cima com formão e martelo, não foram raros os ataques às latas, os soldados usavam as baionetas e até tiros de rifle foram utilizados. Quando as primeiras latas de bebidas apareceram, apesar de já passar cem anos da invenção da lata e já ter se desenvolvido muito, furá-las para tirar o líquido também não era fácil, precisava do martelo e um objeto pontiagudo já que o abridor de garrafas para nada servia e o abridor de latas que já havia sido inventado, podia ser usado, mas cortar fora toda a tampa era desperdício de tempo e força, não bastasse perder bastante líquido por força da fermentação.
Segundo o historiador Gary B. Nash, a Era Progressista, que se estendeu aproximadamente de 1890 a 1920, foi marcada por amplo ativismo social e esforços de reforma. A igreja desempenhou um papel fundamental nesse movimento, oferecendo apoio moral, recursos e liderança para diversas iniciativas comunitárias.
À medida que o abre-latas se tornou parte integrante dos lares americanos, é natural que seu significado cultural esteja ligado aos valores e ideais promovidos pela igreja nesse período.
Como observado pelo historiador Robert W. Rydell, o termo chave da igreja era frequentemente usado de forma intercambiável com abridor de latas na América do início do século XX. Essa confusão linguística destaca a relação próxima entre quem abre latas e os valores de responsabilidade social que a igreja defendia.
A capacidade do abridor de latas de abrir latas, que antes exigia trabalho manual ou ferramentas especializadas, tornou-se uma metáfora para o papel da igreja em abrir oportunidades para que as pessoas trabalhassem juntas em busca de mudanças positivas.
Em conclusão, o termo chave da igreja é mais do que apenas um rótulo; representa um fenômeno cultural que reflete os valores e ideais da sociedade americana durante o início do século XX, o abridor de latas, como instrumento de mudança social, tornou-se um símbolo improvável de serviço comunitário e ação coletiva.

Por volta de 1950 apareceram os primeiros furadores de latas, uma ferramenta que era nada mais do que uma tira de metal lisa e robusta com um ponto afiado e um apoio para a borda da lata, para que você pressionasse o alto da lata para puncionar um furo triangular (dois em lados opostos, eram o ideal, um para deixar o ar entrar e outro para a cerveja fluir facilmente). Para disseminar esse tipo de furador foi necessário que as latas trouxessem instruções de utilização. Por uma analogia óbvia, estes furadores vieram também a ser chamados de chaves da igreja, mesmo que fossem de uma forma completamente diferente.

Mas como a cerveja não deixou de ser engarrafada, mesmo com a lata sendo sucesso e com o aparecimento das cone tops, as latas que tinham uma tampinha, havia agora a necessidade de ter abridores dos dois tipos, mais um no cinto, até que alguém criou o abridor em que um lado era para as tampinhas e o outro lado, o do punho, para latas, a ideia parece ter sido da Cervejaria Pabst, assim permanecendo até o desaparecimento das flat tops.
Resumindo, qualquer ferramenta para abrir vasilhames de bebidas pode ser chamada de Church key ou chave da igreja, tanto a ferramenta que tira tampinhas de garrafas ou a que fura latas sem dispositivo de abertura (anel).
Talvez uma ferramenta que comporte, juntos, os três tipos de abridores: os dois tipos de tampas de garrafas (tampinhas e rolhas) e o furador de latas, seja o melhor caminho não para a abertura das portas da igreja, mas para atingir o reino dos céus.
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