quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Ato de Deus / Dilúvio de Cerveja em Londres






No início do século XIX, a Cervejaria Meux, pertencente a Henry Meux, era uma das duas maiores de Londres, junto com a Whitbread.

O pai de Meux, Sir Richard Meux, havia sido anteriormente coproprietário da Griffin Brewery na Liquor-Pond Street (hoje Clerkenwell Road), onde construiu o maior tanque de Londres, capaz de comportar 20.000 barris imperiais (mais de 3 milhões de litros)

. Em 1809, Sir Henry Meux comprou a Cervejaria Horse Shoe, na junção da Tottenham Court Road com a Oxford Street.

Meux produzia apenas porter, uma cerveja escura que foi produzida pela primeira vez em Londres e era a bebida alcoólica mais popular da capital.

Em 1810, A Cervejaria Meux and Comp., de Henry Meux imitou o grande tanque de seu pai, e construiu nas instalações um tanque de fermentação de madeira com 6,70 m de altura e capaz de comportar 18.000 barris imperiais (mais de 2 milhóes e 500 mil litros). Mantida unida por enormes anéis de ferro, oitenta e uma toneladas métricas de aros de ferro foram usadas para reforçar o tanque.


Na parte de trás da cervejaria, havia na New Street, um pequeno beco sem saída que se conectava à Dyott Street, onde havia uma favela densamente povoada, a favela de St Giles, com moradias baratas e cortiços habitados por pobres, indigentes, prostitutas e criminosos que ocupava uma área de oito acres (3,2 ha), era uma favela perpetuamente decadente, aparentemente sempre à beira do colapso social e econômico, segundo Richard Kirkland, professor de literatura irlandesa. descreveu a favela de St Giles como um ponto de encontro da escória da sociedade.

Por volta das 16h30 da tarde de 17 de outubro de 1814, George Crick, escriturário do depósito de Meux, viu que um dos aros de ferro de 700 libras (320 kg) ao redor de um tanque havia escorregado. O tanque estava cheio até dez centímetros do topo com mais de 365.000 litros. Como os aros saíam do lugar duas ou três vezes por ano, Crick não se preocupou. Ele contou ao supervisor sobre o problema, mas foi informado que não haveria nenhum dano em seguida. Crick foi orientado a escrever uma nota para o Sr. Young, um dos sócios da cervejaria, para que consertasse depois.

Uma hora depois que o aro escorregou, Crick estava em uma plataforma a 9,10 m do tanque, segurando a nota para o Sr. Young, quando o tanque, sem indicação, explodiu. A força da liberação do líquido fez a explodir um tanque vizinho, que também começou a liberar seu conteúdo, vários barris de Porter foram destruídos e seus conteúdos contribuíram para a enchente. A força do líquido destruiu a parede traseira da cervejaria que tinha 7,60 m de altura e dois tijolos e meio de espessura. Alguns dos tijolos da parede dos fundos foram jogados para cima e caíram sobre os telhados das casas na vizinha Great Russell Street. criando uma onda de cerveja Porter de quase 4,5 metros de altura e liberando cerca de 1 milhão de litros da bebida. que agora explodia na rua.

Uma onda 4,60 m de altura invadiu a New Street, onde destruiu duas casas e danificou gravemente outras duas. Em uma das casas, uma menina de quatro anos, Hannah Bamfield, estava tomando chá com a mãe e outra criança. A onda de cerveja levou a mãe e o segundo filho para a rua; Hannah foi morta. Na segunda casa destruída, uma família irlandesa estava realizando um velório para um menino de dois anos; Anne Saville, mãe do menino, e outras quatro enlutadas (Mary Mulvey e seu filho de três anos, Elizabeth Smith e Catherine Butler) foram mortos. Eleanor Cooper, uma empregada de 14 anos do pub Tavistock Arms na Great Russell Street, morreu quando foi soterrada sob o muro desabado da cervejaria enquanto lavava panelas no quintal do pub. Outra criança, Sarah Bates, foi encontrada morta em outra casa na New Street. O terreno ao redor do prédio era baixo e plano com drenagem insuficiente, a cerveja escorria para os porões, muitos dos quais eram habitados, e as pessoas eram obrigadas a subir em móveis para evitar se afogarem.

Ao todo, oito pessoas foram mortas. Três trabalhadores da cervejaria foram resgatados da enchente com cerveja na altura da cintura e outro foi resgatado dos escombros.


Um rio de bebida correndo livre pelas ruas pode parecer um sonho etílico. Mas, como muitas ideias testadas na sobriedade, acabou se provando um verdadeiro pesadelo para as vítimas da Enchente de Cerveja de Londres de 1814, o cheiro forte de cerveja na região persistiu por meses depois.

. A cervejaria foi finalmente levada a tribunal em razão do acidente, mas o desastre foi considerado como um "ato de Deus" não deixando ninguém responsável pelo juiz e júri (como paralelo com a legislação moderna, seria considerado força maior), não responsabilizando ninguém. A empresa teve dificuldades para lidar com as consequências financeiras da catástrofe com uma perda significativa das vendas agravada porque já tinha pago os impostos sobre a cerveja, a enchente custou à cervejaria cerca de £23.000 (aproximadamente £1,25 milhão em 2016). No entanto, a empresa conseguiu recuperar o imposto de consumo pago sobre a cerveja, o que a salvou da falência. Eles também receberam ₤7.250 (₤400.000 em 2016) como compensação pelos barris de cerveja perdidos. Os proprietários da cervejaria fizeram um bom discurso ao Parlamento, reclamando o direito de ter o dinheiro do imposto devolvido, o que foi concedido e lhes permitiu continuar a fabricação de cervejas.

A Cervejaria Horse Shoe voltou a operar logo depois, mas fechou em 1921 quando Meux transferiu sua produção para a cervejaria Nine Elms em Wandsworth, que haviam comprado em 1914. Na época do fechamento, o local ocupava 103.000 pés quadrados (9.600m2). A cervejaria foi demolida no ano seguinte e o Dominion Theatre foi posteriormente construído no local. Meux & Co entrou em liquidação em 1961.

Como resultado do acidente, grandes tanques de madeira foram gradualmente retirados da indústria cervejeira e substituídos por recipientes de concreto forrados.

Nota: O barril imperial (ou britânico) é uma unidade de medida de volume que equivale a aproximadamente 159,11 litros ou 35 galões imperiais. Essa medida difere do barril padrão de petróleo dos EUA (42 galões, ou aprox 159 litros) e é usada principalmente para líquidos, equivalendo também a 280 pints ou 5600 onças líquidas britânicas.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Church Key – Chave da Igreja




  


Chave da Igreja, isto é com certeza, uma expressão mais velha do que a ferramenta que adotou esse nome e que perfurava furos triangulares nas latas "flat top".

A expressão remonta ao início da comercialização da bebida engarrafada, onde as chaves disfarçavam saca-rolhas e à invenção, em 1898, da crown cork, a coroa com cortiça, a nossa tampinha (chapinha). Por esse nome, chave que abre as portas da igreja, era conhecido o abridor de garrafas, mas por quê chave da igreja?


Porque os trabalhadores das cervejarias e os usuários das cervejas engarrafadas portavam abridores de garrafas atados a cintura, preso aos cintos, à semelhança dos monges e abades da Europa medieval que carregavam seus molhos de chaves dessa maneira. Chaves grandes e pesadas com seu punho, geralmente ornados, que guardavam seus tesouros, inclusive trancavam as adegas com a sua cerveja e os segredos deste seu ofício.

As latas de alimentos que desde 1820, feitas de ferro revestido e normalmente pesando mais que a quantidade de alimento nela contido, traziam instruções do tipo: corte em cima com formão e martelo, não foram raros os ataques às latas, os soldados usavam as baionetas e até tiros de rifle foram utilizados. Quando as primeiras latas de bebidas apareceram, apesar de já passar cem anos da invenção da lata e já ter se desenvolvido muito, furá-las para tirar o líquido também não era fácil, precisava do martelo e um objeto pontiagudo já que o abridor de garrafas para nada servia e o abridor de latas que já havia sido inventado, podia ser usado, mas cortar fora toda a tampa era desperdício de tempo e força, não bastasse perder bastante líquido por força da fermentação.

Segundo o historiador Gary B. Nash, a Era Progressista, que se estendeu aproximadamente de 1890 a 1920, foi marcada por amplo ativismo social e esforços de reforma. A igreja desempenhou um papel fundamental nesse movimento, oferecendo apoio moral, recursos e liderança para diversas iniciativas comunitárias.

À medida que o abre-latas se tornou parte integrante dos lares americanos, é natural que seu significado cultural esteja ligado aos valores e ideais promovidos pela igreja nesse período.

Como observado pelo historiador Robert W. Rydell, o termo chave da igreja era frequentemente usado de forma intercambiável com abridor de latas na América do início do século XX. Essa confusão linguística destaca a relação próxima entre quem abre latas e os valores de responsabilidade social que a igreja defendia.

A capacidade do abridor de latas de abrir latas, que antes exigia trabalho manual ou ferramentas especializadas, tornou-se uma metáfora para o papel da igreja em abrir oportunidades para que as pessoas trabalhassem juntas em busca de mudanças positivas.

Em conclusão, o termo chave da igreja é mais do que apenas um rótulo; representa um fenômeno cultural que reflete os valores e ideais da sociedade americana durante o início do século XX, o abridor de latas, como instrumento de mudança social, tornou-se um símbolo improvável de serviço comunitário e ação coletiva.


Por volta de 1950 apareceram os primeiros furadores de latas, uma ferramenta que era nada mais do que uma tira de metal lisa e robusta com um ponto afiado e um apoio para a borda da lata, para que você pressionasse o alto da lata para puncionar um furo triangular (dois em lados opostos, eram o ideal, um para deixar o ar entrar e outro para a cerveja fluir facilmente). Para disseminar esse tipo de furador foi necessário que as latas trouxessem instruções de utilização. Por uma analogia óbvia, estes furadores vieram também a ser chamados de chaves da igreja, mesmo que fossem de uma forma completamente diferente.


Mas como a cerveja não deixou de ser engarrafada, mesmo com a lata sendo sucesso e com o aparecimento das cone tops, as latas que tinham uma tampinha, havia agora a necessidade de ter abridores dos dois tipos, mais um no cinto, até que alguém criou o abridor em que um lado era para as tampinhas e o outro lado, o do punho, para latas, a ideia parece ter sido da Cervejaria Pabst, assim permanecendo até o desaparecimento das flat tops.

Resumindo, qualquer ferramenta para abrir vasilhames de bebidas pode ser chamada de Church key ou chave da igreja, tanto a ferramenta que tira tampinhas de garrafas ou a que fura latas sem dispositivo de abertura (anel).

Talvez uma ferramenta que comporte, juntos, os três tipos de abridores: os dois tipos de tampas de garrafas (tampinhas e rolhas) e o furador de latas, seja o melhor caminho não para a abertura das portas da igreja, mas para atingir o reino dos céus.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Root Beer Não é Cerveja






Tenho visto que colecionadores de tampinhas acabam classificando a root beer como cerveja, talvez pela tradução ao pé da letra (root= raiz e beer= cerveja), porém Root Beer é um refrigerante.

A Root Beer é uma bebida tradicional dos Estados Unidos, conhecida por seu sabor único e história fascinante. Apesar do nome conter “beer” (cerveja), trata-se de um refrigerante geralmente sem cafeína, doce e carbonatado. Na sua forma clássica sua aparência lembra a de uma cerveja escura, com uma tonalidade avermelhada e uma espuma espessa, densa e cremosa. A versão sem álcool é feita a partir de xaropes e concentrados com água com gás. A versão alcoólica é produzida através da fermentação de uma mistura de extrato de madeira, levedura e açúcar. O teor da versão alcoólica é de apenas 0,5%.

Acredita-se que a cerveja atual de raiz e gaseificada tenha sido originalmente inspirada pelos chás medicinais não carbonatados feitos pelos indígenas norte-americanos. Embora esses chás fossem feitos com várias folhas perfumadas, raízes, cascas, frutos e flores, as plantas sassafrás, gaultéria e salsaparilha eram comumente usadas, e esses três ingredientes definiriam o perfil de sabor da root beer comercial daqui para frente. O sassafrás, em particular, era conhecido por seus benefícios à saúde e já era usado para tratar diversos problemas por séculos antes do surgimento da root beer moderna.

No século XIX, colonos americanos produziam as root beers originais em suas casas a partir de uma variedade de ingredientes, frequentemente servindo suas misturas como chás quentes.

Na década de 1840, a primeira root beer começou a aparecer em confeitarias e lojas gerais, engarrafada em grés e vendida para uso medicinal. Não se sabe quando as pessoas começaram a adicionar carbonatação às cervejas tradicionais de raiz (root beer), mas há registros indicando que um dos primeiros empreendedores, George Twitchell, da Filadélfia, começou a vender um xarope concentrado de raiz destinado a ser misturado com refrigerante em 1850. Receitas de root beer podem ser encontradas em livros de receitas que remontam à década de 1860. Com tantos ingredientes e combinações possíveis, indivíduos e famílias frequentemente desenvolviam suas próprias receitas únicas de root beer que, por sua vez, passavam para as gerações mais jovens.

Muitos desses produtos eram produzidos adicionando extratos aromáticos de plantas e um adoçante (frequentemente melaço) à água. Além do padrão sassafrás, gaultéria e salsaparrilha, outros aromáticos como gengibre, casca de bétula, alcaçuz, lúpulo, raiz de bardana, baunilha, raiz de dente-de-leão, coentro, casca de cerejeira e goma de guaiaco também apareceram em antigas bebidas de raízes . A mistura era então cozida até uma consistência semelhante a xarope, momento em que mais água era adicionada junto com uma pequena quantidade de levedura e a bebida era deixada fermentar (pequenas quantidades de álcool geralmente presentes nas primeiras cervejas de raizes).

Nessa época, farmacêuticos começaram a comercializar a bebida como um tônico medicinal.


A cerveja de raiz foi comercializada e vendida em larga escala pela primeira vez pelo farmacêutico Charles Elmer Hires, que afirmou ter conseguido a receita original de um estalajadeiro que havia preparado um chá de raizes para ele e sua esposa durante a lua de mel.

Hires que não consumia álcool, ele começou a vender sua bebida de raiz não alcoólica em pó: um pacote de 25 centavos podia render 19 litros da bebida. Como era prática comum na época, Hires vendia seu refrigerante não apenas como um refrescante, mas como uma espécie de remédio. Também representava uma alternativa moralmente íntegra à cerveja e ao álcool, um importante diferencial que reforçava os fortes sentimentos antiálcool que então varriam o país. Na verdade, Hires originalmente planejava comercializar seu produto como "Chá de Ervas Hires", mas mudou de ideia após receber um conselho empresarial inestimável de um amigo, Dr. Russell H. Conwell. Ministro, autor e fundador da Temple University da Filadélfia, Conwell teria dito a Hires que mineiros duros da Pensilvânia nunca beberiam chá de ervas, mas sim algo com cerveja no nome. Com base nessa sugestão, Hires nomeou sua mistura concentrada de "root beer" (cerveja de raizes), apesar de ser um refrigerante.

Em 1876, lançou sua versão comercial de Root Beer na Exposição Centenária da Filadélfia, ajudando a popularizar a bebida em todo o país.

Em 1890, Hires abandonou completamente o negócio farmacêutico e incorporou seu próspero empreendimento como Charles E. Hires Company. Três anos depois, ele lançou uma versão engarrafada pronta para beber da root beer. No entanto, enfrentou alguma oposição de grupos antiálcool como a Women's Christian Temperance Union (WCTU), cujos membros não gostavam de ver a palavra "cerveja" usada no nome do produto. No entanto, em 1895 a Hires Root Beer já era vendida exclusivamente em sua versão engarrafada.Embora a inclusão de "cerveja" em seu nome tenha provocado a ira da poderosa União Cristã de Temperança das Mulheres, o produto de Hires acabou decolando, criando um novo mercado nacional e inspirando concorrência por sua vez.


Um dos primeiros concorrentes foi Edward Barq que em 1897 começou a engarrafar sua root beer em Biloxi, Mississippi; Em 1919, Roy W. Allen abriu a primeira barraca de root beer A&W em Lodi, Califórnia. A root beer IBC foi vendida pela primeira vez no mesmo ano em St. Louis, Missouri. A popularidade da root beer explodiu durante a Lei Seca e continuou crescendo ao longo do século XX.

Existem muitas marcas de Root Beer nos EUA. marcas populares como A&W, Barq's (atualmente pertence à Coca-Cola), Mug (atualmente pertence à Pepsi Cola), IBC (atualmente pertence à Keuring Dr. Pepper) e Dad's são as marcas de root beer mais conhecidas dos EUA e ainda são favoritas hoje. com uma rica história de produção e distribuição. Cada marca tem um gosto distinto que a diferencia das outras.

Atualmente em diferentes regiões dos Estados Unidos, são adicionados ao produto casca de cereja, baunilha, extrato de mandioca, raiz de alcaçuz, noz-moscada, dente-de-leão, alcaçuz, anis, lúpulo, cravinho, erva-cidreira, folhas de murta e azeda, canela e outros ingredientes.

Uma sobremesa icônica, chamada Root Beer Float é feita com a combinação de root beer com uma bola de sorvete de baunilha, criando uma experiência única de sabor.

A bebida ainda é utilizada em molhos, como no churrasco americano, oferecendo um sabor adocicado e aromático.

A root beer é uma bebida única que combina tradição e inovação. Ao provar essa iguaria, você estará degustando um pedaço da cultura americana e suas peculiaridades. Não perca a oportunidade de experimentar um Root Beer Float ou usá-la em receitas para churrasco!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Cerveja e as Pirâmides do Egito: Um Brinde à História





Texto desavergonhamente copiado de Silvano Spiess O Caneco.com.br/Silvano-Spiess



Você sabia que as grandiosas pirâmides do Egito não teriam sido erguidas sem a ajuda de uma das bebidas mais antigas da humanidade? A cerveja.

Isso mesmo! A cerveja teve um papel crucial na construção dessas maravilhas do mundo antigo.

No Egito Antigo, a cerveja não era apenas uma bebida apreciada, mas também uma forma de pagamento para os trabalhadores que se dedicaram à construção das pirâmides.

Durante a construção das pirâmides, os trabalhadores egípcios recebiam rações diárias de cerveja como parte de seu salário.

Esses operários, muitas vezes vistos como escravos, eram na verdade trabalhadores pagos que recebiam uma dieta rica para garantir sua saúde e produtividade.

Cada trabalhador recebia cerca de 4 a 5 litros de cerveja por dia. Essa prática não era apenas uma forma de pagamento, mas também uma necessidade nutricional.

A cerveja era uma parte fundamental da dieta egípcia, consumida por pessoas de todas as classes sociais.

Feita a partir de cevada e emmer (um tipo de trigo), a cerveja egípcia era rica em nutrientes, fornecendo calorias essenciais e hidratação em um ambiente árido, a bebida, que tinha um teor alcoólico baixo, era muitas vezes mais segura para beber do que a água, que poderia estar contaminada.

Para os egípcios, a cerveja também tinha um significado espiritual. Era associada aos deuses, especialmente à deusa Hathor, que era a deusa da alegria, da dança e da fertilidade.

Durante festivais religiosos, a cerveja era consumida em grandes quantidades, celebrando a vida e a divindade.

A próxima vez que você apreciar uma cerveja gelada, lembre-se de que essa bebida histórica ajudou a erguer uma das maiores maravilhas do mundo.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Estrela de Davi, Selo Salomônico, Estrela de seis pontas - A Estrela Zoigl






Estrela de Davi (em hebraico: מגן דוד, transl. Magen David), conhecida também como escudo supremo de Davi (David), é um símbolo em forma de estrela formada por dois triângulos sobrepostos, iguais, tendo um a ponta para cima e outro para baixo, utilizado pelo judaísmo e por seus adeptos, além de outras doutrinas como Santo Daime. Outro nome dado a este símbolo é “Selo ou Signo de Salomão“.

A palavra magen significa escudo, broquel, defesa, governante, homem armado, escamas. O substantivo magen, refere-se a um objeto que proporciona cobertura e proteção ao corpo durante um combate.

Um fato curioso é a presença de uma estrela de seis pontas (hexagrama) em muitas ilustrações de rótulos de cerveja, principalmente das cervejarias mais antigas, em atividade ou já extintas, a explicação que normalmente vem à tona sobre este fato é que indicaria uma referência à estrela de Davi ou ao povo judeu, mas no caso da cerveja não é bem assim.

Claro que você já observou que algumas marcas apresentam suas cervejas com estrela no rótulo, algumas conhecidas incluem a Heineken, Estrella Galicia, Estrella Damm, entre outras, que também levam a palavra “estrela” em seu nome. Mas isso não é uma coincidência e também não é uma referência a qualidade da bebida.

Na verdade esta estrela de seis pontas, também conhecida como “Selo Salomônico”, existe como um símbolo de tradições tanto do Oriente como do Ocidente.

As origens remontam à Idade Média, na época a produção da cerveja era totalmente artesanal, feita pelos mestres cervejeiras donos das receitas, e vendidas nas suas próprias casas mesmo, nesse período poucas pessoas sabiam ler e escrever, a taxa de analfabetismo era altíssima.

Então, símbolos eram usados nas portas para identificar o tipo de produto que era vendido naquele local. Cada símbolo representava um tipo de negócio e a estrela, geralmente de seis pontas, era o dos cervejeiros.

Na antiguidade os acontecimentos inexplicáveis eram interpretados como resultados de forças ocultas, de origem divina, pois a ciência ainda não havia sido estruturada, o conhecimento era limitado. A bioquímica e a microbiologia eram desconhecidas e o conhecimento era fruto de muita observação, durante a Idade Média estas observações ou podemos dizer investigações eram conduzidas pelos monges, magos e alquimistas.


Especificamente no caso da cerveja, a explicação alquimista permitia combinar o Sol, a Terra e também os quatro elementos: ar, terra, água e fogo (calor).


Por muito tempo, a fabricação de cerveja foi cercada de mistério, em decorrência da falta de compreensão do processo de fermentação, por isso, um dos primeiros símbolos que apareceram nos rótulos de cerveja, foi a estrela de seis pontas, que era a marca dos alquimistas.

São várias as teorias acerca do tema, porém a mais aceita diz que as pontas da estrela representam os ingredientes fundamentais para o preparo da bebida: água, malte, lúpulo, levedura e, inclusive, o próprio mestre cervejeiro.

Uma outra que também é bastante difundida sugere que as pontas da estrela significam os passos básicos da produção: produção do malte, cozimento do mosto, fermentação, maturação, acondicionamento e novamente a fermentação (se a cerveja passar por dupla fermentação).

Outras imagens e símbolos eram costumeiramente associados à cerveja, como ramos de trigo e cevada, geralmente colocados em torno de brasões, compuseram rótulos e marcas de muitos produtos e produtores ao longo da história. Alguns perduram até hoje.

A estrela Zoigl (Tsoy-gue-L), também é chamada de Brauerstern, Bierstern, Bierzeiger, Braustern, Bier zoigl, Kommunbier, Zoigl stern, Zeugl, “Sechsstern” e “Hexagrama”. Traduzindo, em resumo, é algo como Estrela Cervejeira e é uma palavra em um dialeto alemão. Sua origem vem de “Zeiger / Zeichen” que significam marca / símbolo.


Ela está presente em muitos rótulos e também é conhecida como “Selo Salomônico”, sua ligação com a cerveja é devido aos estudos antigos da alquimia e que combinavam o Sol, a Terra e os quatro elementos. Pelo fator do desconhecimento sobre a bioquímica e a microbiologia a produção de cerveja era tido como algo milagroso ou alquímico.

O símbolo Zoigl é bastante similar a estrela de Davi e na Idade Média representava os mestres cervejeiros, além de oferecer uma proteção divina contra o fogo e demônios, algo muito comum na época.

Sua ligação com a alquimia está representada na representação dos triângulos, onde 3 pontas são os elementos da manufatura na produção da cerveja (água, ar e fogo) e as demais 3 pontas representam os ingredientes (água, malte e lúpulo).

O ar era considerado um elemento da manufatura pois era a ele atribuído o milagre da fermentação, uma vez que não se sabia da existência da levedura, ou então também tido como um milagre trazido pelos ventos e conhecido como Zeug (coisa).

Provindo apenas de uma região ao norte do rio Danúbio na Bavária, entre a Franconia e a República Tcheca, a estrela Zoigl inicialmente demarca o local de produção de cervejas, estes locais são conhecidos como Kommunbrauhäuser. Trata se de um espaço público ou privado, que recebe incentivos fiscais e uma permissão especial que cada município poderá conceder, para que pessoas interessadas a produzir cerveja se encontrem e com o devido acompanhamento cada um faça a sua Zoiglbier.

Em outras palavras é como se fosse uma sede, que também é usado como pub temporário, para os cervejeiros caseiros produzirem suas bebidas e depois as venderem no local, apesar da regra antiga de que a cerveja deve ser feita apenas para o consumo próprio. A produção é sempre feita por apenas um cervejeiro, utilizando-se das instalações do local.

Após terminar de fazer a cerveja e consumir o estoque desta, a estrela Zoigl é fixada na entrada da casa do próximo da fila a produzir sua cerveja. Assim o símbolo também indica que na casa do produtor há cerveja para os vizinhos, convidando os para se juntarem a beber.

Pelo fato da produção não ser sempre igual, pois há algumas regras pra se seguir mas não uma receita, as cervejas tipo Zoigl possuem várias características e diferenças dependendo de onde foram feitas.

Após a fermentação, cada pessoa vende diretamente do tanque, a cerveja que ali produziu, e assim podemos classificá-las do tipo Zwickelbier, que também é conhecido como Kellerbier.

O nome Zwickelbier é devido a torneira, que é encaixada nos tanques, em forma de rabo de porco, que então é chamado de zwickel. O termo Kellerbier, classificação comum, refere-se a cerveja de porão (Keller) pois é aonde se costuma armazenar os mantimentos e a cerveja na Alemanha, por se tratar de uma câmara fria ideal para cervejas do tipo Lager.

Durante a era nazista, que transformou a Estrela de Davi em um símbolo de opressão, os cervejeiros eram proibidos de exibir o zoigl. Quando a estrela dos cervejeiros reapareceu nos anos após a Segunda Guerra Mundial, alguns dizem que ela ganhou um novo significado: uma celebração da derrota nazista.

Como zoiglbier vem diretamente de um barril e expira rapidamente, nunca se espalhou fora do Oberpfalz. Mas os cervejeiros da região ainda servem cerveja hiperlocal e sem filtragem em casa durante os longos fins de semana. Algumas empresas bávaras modernas colocam a estrela zoigl nos rótulos das cervejas, mas não se engane: o verdadeiro zoiglbier é servido apenas da casa do cervejeiro, sob o símbolo de seis pontas.

A estrela Zoigl pode ser vista ainda hoje em prédios históricos, como na cervejaria Hausbrauerei Altstadthof em Nüremberg. Lá ela indica o local de produção e a existência de um Keller (porão).

Fontes: Larousse da cerveja – Ronaldo Morado – 2009 --- Blog de Cervejas O Caneco

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Lei Seca






A cerveja pode parecer tão americana quanto o beisebol, mas isso nem sempre foi verdade: as destiladas, o rum e o uísque, eram as bebidas preferidas na década de 1840, as fermentadas apenas algumas cervejarias. Quando uma onda de imigrantes alemães chegou em meados do século XIX, eles prontamente começaram a recriar os prazeres do biergartens que tinham deixado para trás.

Apenas cinquenta anos depois, a cerveja lager de estilo americano que eles inventaram era a bebida mais popular do país. A fabricação de cerveja era a quinta maior indústria do país, governado pelos titãs fabulosamente ricos Frederick Pabst e Adolphus Busch. Mas quando os sentimentos antialemães despertados pela Primeira Guerra Mundial alimentaram as chamas do movimento de temperança, um dos ativistas chegou a declarar que “o pior de todos os nossos inimigos alemães são Pabst, Schlitz, Blatz, e Miller,” a Lei Seca foi o resultado.

Após a década de 1850, à medida em que os movimentos pró-temperança ou antialcoólicos foram ganhando força, a Woman’s Christian Temperance Union (União Cristã de Temperança Feminina – WCTU) se tornou a maior organização de mulheres do seu tempo, chegando a ter mais de 345 mil membros.


É no campo da ação confrontacional direta que encontramos a personagem mais famosa da WCTU: Caroline Amelia Nation ou Carrie Nation, como era mais conhecida. A morte do seu marido devido ao alcoolismo em 1869, a levou a um ativismo apaixonado contra a venda de álcool. Chegando a dirigir a filial local da WCTU na cidade de Medicine Lodge, no estado do Kansas.

A princípio, ela fazia protestos pacíficos em bares, cantando hinos religiosos sozinha ou acompanhada de outras mulheres. Insatisfeita com os resultados, passou a adotar métodos mais violentos. Em 7 de junho de 1900 destruiu a pedradas o estoque de bebidas de um saloon. Repetindo o ato nos meses seguintes, em saloons por todo o Kansas. Até que um dia o seu segundo marido falou em tom de brincadeira que ela deveria usar uma machadinha para causar mais dano. A resposta de Nation foi simplesmente: “Essa é a coisa mais sensata que você disse desde que me casei com você.”

Passou a invadir os estabelecimentos armada de uma machadinha para quebrar acessórios e o estoque de bebidas. O que lhe valeu o apelido de Hatchet Granny (Vovó Machadinha). Entre 1900 e 1910, Nation foi presa mais de 32 vezes por ação violenta e dano criminoso.

O Nobre Experimento ou a Lei Seca, ou ainda, a 18ª Emenda, entrou em vigor em 17 de janeiro de 1920, juntamente com a Lei Volstead que a regulamentava (batizada em homenagem ao congressista proibicionista Andrew Volstead) e definindo bebidas alcoólicas como todas aquelas com mais de 0,5% ABV, proibindo a fabricação, venda ou transporte de licores embriagantes dentro dos Estados Unidos e de todos os territórios submetidos à sua jurisdição, bem como a sua importação para os mesmos:
“Nenhuma pessoa deverá, na data ou após a data em que a décima oitava emenda à Constituição dos Estados Unidos entrar em vigor, fabricar, vender, trocar, transportar, importar, exportar, entregar, fornecer ou possuir qualquer bebida alcoólica, exceto conforme autorizado nesta Lei, e todas as disposições desta devem ser liberalmente interpretadas para o fim de que o uso de bebida alcoólica como bebida possa ser evitado”.


A lei seca, que vigorou nos Estados Unidos de 1920 até 1933 tirou do mercado muitas cervejarias. Das mais de 1.300 cervejarias em operação em 1915, não mais do que 100 sobreviveram. Já pensou se o produto ou serviço de sua empresa fosse proibido da noite para o dia? O que as poucas empresas que sobreviveram a essa lei fizeram?

No início da Lei Seca, muitas cervejarias optaram por fazer cervejas sem álcool. Mas o mercado americano não aceitou bem essa inovação. Os consumidores queriam cerveja de verdade. E quando a proliferação de contrabandistas e bares clandestinos tornou fácil o acesso a cervejas verdadeiras, o mercado de cerveja sem álcool afundou. Por outro lado, muitas cervejarias esperavam que a Lei Seca durasse pouco tempo. Mas a vigência da lei durou 13 anos. Quem ficou esperando a lei ser extinta para agir simplesmente foi extinto.

Os bares clandestinos, escondidos e com acesso restrito eram conhecidos por “speakeasy”, algo como “fale baixo”, já que naquele tempo não era permitido aos estabelecimentos a venda de bebidas alcoólicas.

A Anheuser-Busch vendeu metade de seus ativos imobiliários e lançou mais de 25 produtos sem álcool para poder sobreviver. Isso incluía produtos infantis, ovos congelados e produtos de café e chá carbonatados.

Durante a vigência da Lei Seca, a cervejaria Coors também investiu em um laboratório de cerâmica e olaria que havia adquirido alguns anos antes. A Coors Porcelain Company aproveitou a argila do Estado do Colorado para fazer de louças a velas de ignição, passando por utensílios de laboratório. Essa empresa de porcelana hoje é conhecida como CoorsTek. Ela é hoje a maior empresa de cerâmicas de engenharia do mundo.

A Miller Brewing Company conseguiu sobreviver em grande parte devido aos seus investimentos em participações imobiliárias. Antes da Lei Seca, a Miller possuía bares nos quais distribuía sua cerveja. A empresa vendeu alguns desses imóveis lucrou com seus investimentos em títulos municipais e internacionais, empréstimos hipotecários e títulos do governo para poder sobreviver.

A Pabst Brewing Company sobreviveu vendendo xarope de malte, comprando uma empresa de refrigerantes e alugando parte de seu espaço de fábrica para a Harley-Davidson, fabricante de motocicletas. A cervejaria também diversificou seu portfólio de produtos. Passou a fabricar pasta de queijo que era envelhecida nas adegas de gelo da cervejaria. Após a revogação da Lei Seca, a Pabst vendeu a linha de queijos para a Kraft.

A D.G. Yuengling & Son sobreviveu por meio da produção de cerveja sem álcool e sorvetes. Logo após a promulgação da Lei Seca, a empresa abriu uma leiteria e começou a fazer sorvetes que eram armazenados em suas instalações de refrigeração.

É obvio que, quando a lei seca foi banida em 1933, as cervejarias que sobreviveram encontraram pouca concorrência no mercado norte americano. E isso as fez prosperar.

Todas essas empresas sobreviveram porque foram capazes de selecionar os projetos certos e de desenvolvê-los a tempo. As empresas que desapareceram não fizeram isso.

Durante o século XIX e o início do século XX, o movimento da temperança se tornou proeminente em muitos países, particularmente nos de língua inglesa, escandinavos e protestantes majoritários, e eventualmente levou a proibições nacionais no Canadá (1918 a 1920), Noruega (somente bebidas destiladas de 1919 a 1926), Bélgica (1919), Finlândia (1919 a 1932), bem como proibições provinciais como na Índia (1948 até o presente).

Movimentos “pró-temperança” existiram também no Brasil, nessa mesma época. Mas, como explica Teresa Cristina de Novaes Marques, No Brasil, esses movimentos tinham um forte caráter elitista, vinculando alcoolismo a pobreza, elegendo como alvo principal as classes populares e o seu hábito de beber cachaça. Como você já pode imaginar, essa condenação afetava particularmente a população negra.

A cerveja, por sua vez, gerava controvérsias. De um lado, os seus defensores argumentavam que ela passava por rígidos mecanismos de controle na sua produção e tinha qualidades alimentares e até mesmo medicinais.

Um detalhe importante é que essa argumentação se restringia às cervejas de baixa fermentação (“industriais”). Não incluindo as cervejas de alta fermentação (ditas “artesanais”). Os defensores da proibição total, por outro lado, argumentavam que a cerveja podia ser a porta de entrada para o consumo de bebidas mais fortes, que levariam à dependência irreversível. E condenavam a associação entre cerveja e alimento.

Porém, diante do perigo representado pelo consumo de bebidas destiladas de maior teor alcoólico, como a cachaça, pelas classes populares, a cerveja acabou sendo vista como um mal menor. Dessa forma, ao contrário do que aconteceu nos Estados Unidos, aqui os movimentos pró-temperança podem ter colaborado para fazer da cerveja a bebida preferida dos brasileiros.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Cenosilicafobia, medo de copo vazio






Eu tenho absoluta certeza de que você tem um parente ou conhece alguém que nas festas, nas reuniões familiares, naqueles churrascos ou até nas conversas em bares, tem o hábito de ficar interrompendo os bons papos e ficar enchendo os copos constantemente, aquele que participa bem pouco dos assuntos, só não pode ver o fundo do copo, seja seu ou dos outros.

Cenosilicafobia pode até soar como um palavrão complicado, mas o significado é bem mais divertido do que parece. A palavra descreve um termo curioso que ganhou espaço justamente pela forma bem-humorada, do medo irracional de ver copos vazios, em especial de bebidas alcóolicas como a cerveja.

Embora não seja uma fobia médica reconhecida, a cenosilicafobia é uma fobia praticamente desconhecida, mas que pode aparecer nos consumidores de bebidas alcóolicas. Basicamente, essa fobia é caracterizada pelo medo de ver copos vazios, criando reações irracionais no indivíduo, também conhecida como azelicofobia ou senosílicafobia. Descreve perfeitamente o sentimento de quem não gosta de ver o copo vazio, sendo usada para descrever o desejo de manter a bebida fluindo.

Pessoas com essa fobia sentem grande desconforto ao ver o fundo do copo, podendo buscar enchê-lo rapidamente para aliviar a ansiedade, e em casos mais extremos, pode estar ligada a comportamentos de alcoolismo, embora seja mais uma expressão popular do que uma fobia clínica formal.

Essa fobia é comum e pode ser percebida em eventos sociais ou bares, com bebida alcoólica, em que a pessoa enche seu copo e o dos outros constantemente. Não ficando em nenhum momento com ele vazio. O sintoma principal é a urgência em ter o copo sempre cheio, substituindo-o ou reabastecendo-o.

No geral, costuma ser mais percebida com os copos de cerveja. Porém, pode surgir com copos de diferentes bebidas alcóolicas e está relacionada ao desejo latente de continuar bebendo.


Assim, indivíduos que apresentam cenosilicafobia costumam encher o próprio copo e o dos outros compulsivamente em situações sociais ou particulares. Além de causar sintomas negativos no consumidor, esse medo irracional pode gerar danos na saúde do indivíduo.

A origem do nome vem do grego: “kenos”, que significa vazio, “silica”, associado a copo ou vidro e “phobia”, que quer dizer medo. Juntas, essas partes formam uma expressão perfeita para descrever aquela sensação estranha de desconforto ao perceber que o copo secou no meio de uma conversa animada ou de uma festa.

Sendo assim, é comum que indivíduos com essa fobia demonstrem nervosismo, irritação e agitação quando estão diante de um copo vazio. Seja em um evento social ou em um momento familiar, as ações tendem quase compulsivamente ao continuar enchendo o copo.

Ainda que não se beba mais rápido, pode-se perceber pessoas que preenchem o copo mesmo entre goles. Portanto, a ansiedade, estresse, paranoia e fixação também fazem parte dos sintomas da cenosilicafobia. Por outro lado, em casos mais graves as reações são exacerbadas. Como exemplo, nos casos em que não há mais bebida para colocar no copo, o indivíduo pode manifestar ataques de raiva e comportamento violento. Além disso, crises de pânico, náusea e tontura aparecem como consequência dos sintomas.

Comumente, a compulsão por encher o copo e não o ver vazio é um mecanismo de defesa para lutar contra o medo irracional da cenosilicafobia. Entretanto, o perigo a longo prazo na saúde física e mental mora na repetição do ato de encher o copo e beber.

No geral, ainda que seja leve ou quase imperceptível, essa fobia pode levar ao alcoolismo. Por causa do comportamento compulsivo de continuar enchendo o copo até acabar a bebida, o indivíduo cria e reforça um ciclo de dependência da bebida.

Desse modo, é essencial que familiares e amigos observem o comportamento uns dos outros no momento do consumo de bebida alcóolica. Assim, além de evitar o desenvolvimento da dependência, fica mais fácil identificar a cenosilicafobia nos estágios iniciais para efetuar o tratamento correto.

Ainda que o álcool seja uma substância lícita e muitas vezes, de cunho social, todo cuidado é pouco quando o assunto é excesso. Portanto, compreender os limites do que é saudável e sociável pode ser uma ferramenta no combate dos malefícios a longo prazo dessa fobia.

Para além da prevenção, o tratamento da cenosilicafobia é similar ao de outras fobias. Ou seja, o tratamento médico orientado para o quadro físico e mental.

Assim, recomenda-se o acompanhamento psicoterapêutico que consiga alcançar a origem dessa fobia. Desse modo, entender a raiz do problema facilita no combate das reações e erradicação do medo irracional.

Por outro lado, quando a fobia está acompanhada do alcoolismo, pode-se optar por tratamentos tradicionais contra essa dependência. Em outras palavras, pesquisar e procurar programas de reabilitação auxiliam no combate da cenosilicafobia.

No geral, o indivíduo com fobias tem dificuldade de identificar e superar o medo. Sendo assim, a atenção e acompanhamento de amigos ou familiares também são ferramentas importantes no tratamento.